Ciência e Saúde

Japão é o primeiro a usar células iPS para restaurar a visão humana

Japoneses realizaram hoje a primeira intervenção cirúrgica mundial com células iPS para tratar uma doença ocular que pode causar cegueira.

Do Mundo-Nipo com Agências

Uma equipe de pesquisadores japoneses realizou nesta sexta-feira (12) a primeira intervenção cirúrgica mundial com células pluripotentes induzidas (iPS) humanas para tratar uma doença ocular que pode causar cegueira.

 

Masayo Takahashi (Foto: Kyodo)

O transplante foi liderado pela oftalmologista Masayo Takahashi, do Instituto Riken (Foto: Kyodo)

 

De acordo com a agência francesa AFP, a cirurgia, que teve duas horas de duração, faz parte dos primeiros testes clínicos globais em seres humanos com esta técnica de medicina regenerativa, ou seja, com o uso de células iPS, consideradas a nova geração de células-tronco.

“A paciente é uma mulher de 70 anos”, explicou a equipe médica da Fundação para a Investigação Biomédica e Inovação (Ibri) de Kobe, associada a oftalmologista Masayo Takahashi, diretora do Centro Riken de Biologia do Desenvolvimento. Takahashi liderou a equipe que realizou o transplante, como parte de um estudo clínico para tratar a degeneração macular ocular relacionada à idade, informa a Agência Kyodo.

O objetivo deste primeiro procedimento é verificar sua segurança e tentar melhorar o estado de saúde da paciente. O Ministério da Saúde japonês aprovou há um ano o projeto-piloto proposto por Ibri e Riken, conforme noticiou a agência francesa.

A mulher sofria de uma variante da degeneração macular associada à idade (DMLA), que é a principal causa da cegueira em pessoas com mais de 55 anos nos países industrializados. Para conseguir resolver o problema, os cientistas criaram células da retina da paciente a partir de células iPS e as implementaram.

“Terminado o transplante, nada de grave aconteceu de prejudicial ao paciente e não houve perda excessiva de sangue. Esperamos que o paciente seja liberado de três a sete dias”, explicou a equipe.

Através da pesquisa, a equipe irá verificar se os transplantes de células iPS podem causar algum efeito colateral aos pacientes, incluindo câncer. Uma vez que a pesquisa clínica cobriria pacientes nos quais a medicina já existente não funcionam, bem como aqueles que já estão praticamente sem a visão devido à doença, disseram autoridades do Centro Riken.

A próxima etapa da pesquisa clínica seria testes plenos realizados em pacientes nos estágios iniciais da doença, o que aumenta as chances de restauração total da visão, disseram os pesquisadores.

O Centro Riken espera comercializar o procedimento de transplante de células iPS por volta de 2020, de acordo com a Kyodo.

Em 2012, o pesquisador japonês Shinya Yamanaka e o britânico John Gurdon receberam o Prêmio Nobel de Medicina pela criação de um método que permite reprogramar células adultas em células-tronco.

Esse método revolucionou a medicina e tem sido considerado o caminho para desenvolver órgãos em laboratório e assim acabar com a longa espera de pacientes terminais por um transplante.

(Com informações das agências AFP e Kyodo)

 


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