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Japão encontra ‘terras raras’ suficientes para suprir demanda global

Foto: Pool / Revista Nature

Terras raras são chamadas de “o ouro do século XXI” devido a sua raridade e valor econômico.

Pesquisadores japoneses encontraram toneladas de metais valiosos, denominados “terras raras”, no fundo do mar perto da Ilha de Minamitorishima, localizada no Oceano Pacífico e pertencente ao território japonês.

Ao todo, foram descobertos uma concentração de aproximadamente dezesseis milhões de toneladas desse precioso material, cuja classificação pertence à minerais de terras raras, matéria-prima essencial para a fabricação de baterias de smartphones e de veículos movidos à eletricidade.

A descoberta, realizada por pesquisadores de universidades e centros de pesquisa de Tóquio, está documentada em estudo publicado no periódico científico Nature.

Segundo os autores do estudo, a quantidade de matéria encontrada é o suficiente para fornecer esses metais para todo o mundo por muito tempo.

O título “terras-raras” é uma referência à sua composição, que pode conter um ou mais dos 17 metais de terras raras, localizados na penúltima linha da tabela periódica, ao lado esquerdo.

Esses elementos são abundantes na crosta terrestre, porém, na maior parte das vezes, estão dispersos, e não agrupados, o que torna difícil a extração. Atualmente, há poucas áreas viáveis economicamente onde possam ser minerados – ação que, na maior parte das vezes, custa caro.

A China é um dos países que mais detém esses minerais e que abastece o restante do mundo – inclusive para o Japão, seu vizinho, e um dos maiores produtores de eletrônicos do globo. É por isso que esses minerais encontrados na Ilha de Minamitorishima podem alterar as atuais relações econômicas globais.

De acordo com os autores do estudo, há minerais suficiente para atender a demanda global. Por exemplo, há ítrio para cerca de 780 anos, disprósio para 730 anos, európio para 620 anos e térbio para 420 anos.

Terras raras
Terras raras são chamadas por alguns de “o ouro do século XXI” devido a sua raridade e valor econômico.

Eles são formados a partir da atividade de vulcões e acredita-se que também tenham surgido a partir de explosões de supernova antes de a Terra ser originada.

Após o Big Bang, quando a Terra foi formada, os minerais foram incorporados às mais profundas porções do manto terrestre, uma camada de rocha que fica abaixo da crosta.

Devido aos movimentos tectônicos, partes do manto (e, portanto, dos minerais de terra rara) emergiram até a superfície.

No geral, as terras raras são metais que servem de matéria-prima essencial para itens de alta tecnologia. Localizá-los com o grau de pureza e concentração necessárias é uma tarefa difícil, por isso são tidos como raros.

Elementos
De acordo com a classificação da IUPAC, terras raras são um grupo relativamente abundante de 17 elementos químicos, dos quais 15 pertencem na tabela periódica dos elementos ao grupo dos lantanídeos, aos quais se juntam o escândio, elementos que ocorrem nos mesmos minérios e apresentam propriedade físico-químicas semelhantes.

As principais fontes econômicas de terras raras são os minerais, monazite, bastnasite, xenótimo, e loparite, além de argilas lateríticas que absorvem ions.

Importância
As terras raras são usadas na fabricação de vários produtos. Entre os principais estão os superimãs, telas de celulares, de tablets e de computadores, no processo de produção da gasolina e em painéis solares.

É estimado que a maior porcentagem das terras raras esteja localizada na Ásia, especialmente na China que, até então, detém 2/3 das reservas globais e mais de 80% do total comercializado no mundo.

Com praticamente o monopólio chinês das terras raras, o preço desse commoditie é extremamente valorizado no mercado mundial.

Contudo, a grandiosa descoberta do Japão “não afetará o mercado de terras raras”, disse Naohiro Niimura, sócio da Market Risk Advisory, segundo o jornal financeiro Nikkei, ressaltando que a extração da jazida encontrada em Minamitorishima irá demorar até realmente ser uma realidade.

“O grande problema é a profundidade”, explica o ‘Nikkei’. Os metais estão enterrados sob águas de até 5.600 metros de profundidade – muito profundo para ser extraído com a tecnologia existente. O próximo passo para pesquisadores e empresas será descobrir como alcançá-los.

Fontes: Revista Galileu | Jornal financeiro Nikkei.

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