Ciência e Saúde

Japão registra quase 100 mil casos de crianças com eritema infeccioso em 2015

O governo alerta que a infecção é altamente prejudicial a gestantes, situação que representa risco de aborto e malformações fetais.

O Instituto Nacional de Doenças Infecciosas (NIID, na sigla em inglês), um centro de pesquisa ligado ao Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, informou que o número de crianças atingidas pela infecção viral denominada eritema infeccioso, também conhecida por “Quinta Doença”, ultrapassou os 98 mil casos em 2015.

Divulgado na última sexta-feira, o relatório da NIID aponta que, no ano passado, 98.500 crianças e adolescentes foram diagnosticados com eritema infeccioso em cerca de 3.000 clínicas e centros pediátricos em todo país. Segundo o instituto, o número é o mais elevado dos últimos dez anos.

O instituto não tem estatísticas para casos em adultos, isso porque a infecção é mais comum em crianças e adolescentes. No entanto, o eritema infeccioso pode atingir pessoas em qualquer faixa etária e gênero. O mais preocupante são as mulheres, principalmente gestantes.

Embora essa infecção seja relativamente comum em crianças, o número de casos deu um grande salto no ano passado, o que tem preocupado as autoridades de saúde locais por conta do contágio em gestantes.

O diretor de epidemiologia do NIID, Tomimasa Sunagawa, disse que “há casos em que os médicos não reconhecem o eritema infeccioso em adultos”, mesmo que os sintomas sejam visíveis”, o que prejudica o controle da infecção que é altamente contagiosa.

A enfermidade é transmitida pelo contato com as secreções respiratórias da pessoa infectada ou verticalmente da mãe para o feto durante a gravidez, situação que representa risco de aborto e malformações fetais.

Mediante a isso, Sunagawa adverte para que “gestantes evitem ao máximo ter contato com pessoas infectadas pela quinta doença”.

Sobre a doença
Eritema infeccioso, também chamado de quinta doença ou megaloeritema epidêmico, é uma doença exantemática infecciosa, benigna, causada pelo parvovírus humano B19, que afeta mais as crianças e os adolescentes. O período de incubação varia entre quatro e catorze dias. Os surtos são mais frequentes na primavera.

Sintomas
No início, a infecção pode ser assintomática. Os primeiros sintomas são febre baixa, dor de cabeça e no corpo, mal-estar, coceira. Os sinais mais característicos, porém, são a palidez ao redor da boca e as manchas em forma de maculopápulas que deixam as bochechas muito vermelhas, em forma de asa de borboleta ou como se a pessoa tivesse levado uma bofetada.

Depois de um ou dois dias, a erupção se espalha pelo tronco, pernas, braços, extremidades, e desaparece, mas pode recidivar nas áreas expostas à luz solar, com as mudanças bruscas de temperatura, sob estresse ou esforço físico. Em alguns casos, podem ocorrer dores musculares e nas articulações.

Diagnóstico
O diagnóstico é basicamente clínico e leva em conta as características da erupção cutânea. Exames de sangue podem ajudar a identificar os níveis de anticorpos para o vírus B19, quando for necessário estabelecer o diagnóstico diferencial com outras doenças exantemáticas, como a rubéola e o sarampo.

Tratamento
Como em todas as doenças causadas por vírus, o tratamento inclui repouso e analgésicos, antitérmicos e anti-histamínicos para alívio dos sintomas.

Recomendações
Não existe vacina contra o eritema infeccioso. Por isso, especialmente mulheres grávidas e pessoas debilitadas devem evitar o contato com os doentes.

Crianças devem permanecer em casa nos primeiros dias da infecção. Depois, podem voltar ao convívio social, mesmo que as manchas da pele não tenham desaparecido completamente. A infecção deixa de ser contagiosa após as erupções cutâneas.

Para conter a propagação do contagio, é preciso que os médicos orientem os pacientes para que evitem sair de casa e, principalmente, ter contato com gestantes no período crítico da enfermidade.

Fontes: Agência Kyodo | Dr. Drauzio Varella.com.

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