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Veja 5 situações embaraçosas de brasileiros no Japão e 5 de japoneses no Brasil

Veja relatos de gafes cometidas por japoneses e brasileiros enquanto residiram no Brasil ou no Japão.

Atualizado em 16/08/2017


Todas as pessoas que moram em um país estrangeiro estão sujeitas a passar por situações embaraçosas. Há ainda aquelas que se envolvem em situações em que não há como escapar de verdadeiros vexames. Cultura local e hábitos distintos, produtos diferentes e até palavras semelhantes, mas que têm outros significados, podem resultar em confusão e levar um estrangeiro a cometer os mais variados tipos de gafes.

Muitas dessas situações embaraçosas são retratadas no livro “Sem Gafes”, da IPC World (International Press), do qual o Ciate (Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior) extraiu alguns relatos de japoneses e brasileiros que passaram por situações embaraçosas enquanto residiam no Brasil ou no Japão.

Veja abaixo 5 situações embaraçosas de brasileiros no Japão:

1. Os japoneses são referência na arte de receber. Quando alguém mal pisa na porta de entrada já ouve: “Irasshaimase!” (“Bem-vindo”). Nas grandes lojas, a recepção é sempre feita por uma voz feminina, que entoa com delicadeza a palavra “Irasshaimase!”.

Querendo ser simpáticos com tanta cortesia e doçura, alguns brasileiros, recém-chegados, inclinam a cabeça em sinal de agradecimento e respeito. Mas para quem? Só então depois é que cai a ficha, pois a porta é automática e a recepção é feita por uma gravação.

2. Por saber falar bem o japonês, a funcionária brasileira foi convidada a deixar a linha de montagem de eletrônicos para trabalhar no escritório. Certo dia, ela atendeu o telefone e a pessoa do outro lado da linha perguntou: “Shachoo wa irasshaimasuka?” (“O presidente está?”) Ela respondeu que não, informando que ele estava viajando. “Myoonichi wa irasshaimasuka?”, voltou a perguntar a pessoa.

A nova funcionária não hesitou e anunciou pelo alto-falante: “Myoonichi-san, Myoonichi-san, odenwa ga haitte orimasu” (“Sr. Myoonichi, Sr. Myoonichi, favor atender o telefone”). Os trabalhadores japoneses se contorceram de tanto rir. Isso porque “myoonichi” significa “amanhã” na forma polida da língua japonesa.

3. Feliz da vida por ter conseguido comprar seu tão sonhado carro no Japão, o brasileiro reuniu os amigos e foi dar um passeio. Rodaram o dia inteiro, para lá e para cá. Mas, no final do dia, viu que o ponteiro do marcador de combustível estava na reserva. Parou no primeiro posto para encher o tanque e o frentista perguntou: “Genkin desuka” (“Vai pagar em dinheiro?”). O brasileiro sorriu e disse: “Hai, genki desu” (“Sim, estou bem”). O brasileiro confundiu “genkin” (dinheiro) com “genki” (tudo bem).

4. Na loja de departamento, o brasileiro pegou uma calça e foi direto ao provador para experimentá-la. Logo ouviu alguém falando alguma coisa por trás dele, mas como não entendia o idioma, limitou-se a sorrir. Momentos depois, quando ia fechar a cortina, a atendente segurou o pano e passou a apontar para os pés dele.

No começo achou que ela se referia ao comprimento da calça. “Daijobu, daijobu” (“Tudo bem, tudo bem”), dizia a atendente. Foi aí que ela agachou-se e literalmente arrancou os sapatos dos pés dele. Só então o brasileiro entendeu que a “lei dos sapatos” vigora também em provadores.

5. Dois anos depois de chegar ao Japão, o brasileiro comprou o seu primeiro carro. Logo aprendeu que gasolina especial, em japonês, se diz “haioku”, e saiu esnobando de posto em posto, toda vez que ia abastecer o carro.

Só que ele não entendia o motivo de, sempre que ia pôr gasolina, todos os frentistas corriam para encher o tanque, limpar os vidros, cobrar a conta e devolver o troco tão rapidamente. Até um belo dia descobrir que, ao invés de dizer “Haioku kudasai” (“Gasolina especial, por favor”), andava dizendo “Hayaku kudasai” (“Depressa, por favor”).

Veja agora 5 situações embaraçosas de japoneses no Brasil:

1. Foi um vexame a primeira vez em que Kenji precisou tomar um táxi em São Paulo. Com a intenção de ir à casa de um amigo, o japonês entrou em um, disse o endereço ao motorista, mas não se lembrava do número do edifício, pois sempre tinha ido acompanhado de outra pessoa e nunca prestara atenção. Sabia (pensava que sabia) como era a fachada do prédio. O carro percorreu uma vez toda a rua, com Kenji sempre atento, mas ele não conseguiu lembrar qual era o edifício. O taxista deu mais uma volta, um pouco mais devagar, e Kenji, por mais que olhasse, não conseguia reconhecer o prédio. Então, até que na terceira vez ele pediu ao taxista para ir ainda mais devagar.

Entretanto, motoristas em outros carros atrás do táxi, irritados, buzinavam e reclamavam. O taxista também começou a ficar estressado. Foi aí que Kenji bateu no ombro dele e gritou: ”Koko, koko!” (“Aqui, aqui!”). Apavorado, o taxista perdeu a paciência e mandou a bronca: “Senhor, ainda mais essa e aqui no meu táxi?”, disse ele achando que Kenji estava prestes a fazer suas necessidades no banco de trás do taxi.

2. Atender o telefone era sempre estressante para Ken. Ao tocar o telefone, o japonês pegava o aparelho e dizia: “Alo”. A pessoa do outro lado da linha respondia: “Alô, quem está falando?”.  O japonês então respondia: “Aqui é Ken”. Confusa, a pessoa perguntava: “Mas quem?”. Isso ocorria constantemente com o japonês, que sempre tinha de explicar a mesma coisa.

Situação mais embaraçosa foi quando Ken começou a trabalhar em um pequeno escritório. Um dia, a mãe precisou ligar para ele. “Dá pra chamar Ken, por favor?”, pediu ela ao telefone, com um sotaque japonês bastante carregado. A atendente, que tinha acabado de entrar, não entendeu nada. “Chamar quem, minha senhora?”, perguntou ela. “Sim, Ken…”, disse a mãe do japonês. A atendente, achando que era um trote, já ia desligar quando Ken apareceu. “Oi, eu sou Ken”, se apresentou ele a atendente que, por sua vez, achou que estivesse ficando maluca. “E eu é que vou saber quem você é?”, resmungou ela.

3. Jogar papel higiênico no vaso sanitário é uma ação muito comum no Japão. Isso porque estes são fabricados com esse propósito, geralmente são biodegradáveis.
Ao usar pela primeira vez o banheiro de um alojamento em São Paulo, a bolsista japonesa nem pensou duas vezes quando teve de ir ao banheiro pela primeira vez. Mandou o papel no vaso e deu descarga. Mas, por infelicidade, o sanitário entupiu e a água transbordou, fazendo com que o piso ficasse alagado.

Tempos depois é que a jovem japonesa ficou inteirada sobre a finalidade do cesto de plástico que ficou boiando durante a “inundação” que havia causado quando usou o sanitário do alojamento pela primeira vez.

4. O japonês foi até a farmácia e pediu alguns remédios para um início de gripe. O atendente passou-lhe dois tipos de comprimido e um xarope. O japonês olhou tudo aquilo sobre o balcão e perguntou: “Ikura?” (Quanto é?”). O atendente então lhe respondeu “Cura sim, meu senhor, eu garanto”.

5. Um estagiário chega ao Brasil e marca encontro com um colega brasileiro. “Espero você no primeiro andar”, respondeu o brasileiro. Passaram 10 minutos, meia hora, 1 hora e nada de o amigo aparecer. Estranhou porque atrasos não fazem parte do costume japonês.

Desistiu e foi embora. À noite, ao ligar para saber o que havia acontecido, tudo ficou esclarecido. Enquanto o estagiário estava no térreo (que para o japonês é o primeiro piso), o brasileiro o aguardava no primeiro andar (segundo piso para os japoneses).

*Se o leitor já passou por uma situação semelhante, no Brasil ou no Japão, esteja a vontade para listá-la nos comentários abaixo. Em breve avaliaremos e a acrescentaremos no artigo, com créditos ao usuário em questão (coloque data e local de onde ocorreu a situação constrangedora e escreva claramente se deseja que a história seja colocada no artigo).

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