Datas festivas

Shunbun-no-hi: Equinócio da Primavera no Japão

Floração das cerejeiras no Parque Ueno, em Tóquio (Foto: Getty)

O Shunbun-no-hi tem ligação religiosa e sua celebração inclui ritos de louvor a natureza e aos antepassados…

No Japão, o Equinócio da Primavera (Shunbun-no-hi) é um evento tradicional com origem em épocas antigas. Tem ligação religiosa e um ritual envolvendo espiritualidade, culto aos antepassados e louvor a natureza.

A data de celebração, no entanto, é determinada pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão, podendo cair entre os dias 17 e 24 de março devido aos anos bissextos e seu dia é decretado feriado nacional no país. Durante o período do equinócio primaveril, os dias e as noites são substancialmente iguais no arquipélago japonês.

Neste ano de 2017, o dia exato de entrada do Equinócio da Primavera no Japão acontece nesta segunda-feira (20). A data é celebrada com ritos tradicionais em todo o país.

O fenômeno ocorre duas vezes ao ano, uma na entrada da primavera e outra no início do outono. Neste dia, o sol faz seu caminho leste-oeste bem em cima da linha do Equador, fazendo com que a duração do dia seja a mesma que a da noite.

A semana do Shunbun-no-hi é chamada de Ohigan. Três dias antes do Shunbun-no-hi e os três dias posteriores compõem a “semana equinocial”, formando um período de sete dias. É por isso que o Shunbun-no-hi também é chamado de Higan no Chu-nichi, ou Dia-do-meio do Higan. O Ohigan também é comemorado no outono, com o Shuubun-no-hi (Equinócio do Outono).

A religião budista vê o Higan (cujos símbolos significam “o outro lado”) como o outro mundo em contraposição ao Kogan (este mundo), que também significa a transição de uma estação para outra. O Higan é o mundo da iluminação espiritual, onde não há dor e todos os problemas são superados, por isso é creditado que deve-se comemorar e mostrar veneração aos antepassados, visitando os túmulos para limpá-los, oferecer incenso e enfeitar com flores.

Japoneses rezam por seus ancestrais no Cemitério Nacional de Chidorigafuchi, em Tóquio (Foto: Satoko Kawasaki/Kyodo)

Japoneses rezam por seus ancestrais no Cemitério Nacional de Chidorigafuchi, em Tóquio (Foto: Satoko Kawasaki/Kyodo)

Diz um ditado japonês que o último calafrio do inverno desaparece no Shunbun-no-hi. Os dias tornam-se mais longos após o feriado que precede o florescer das cerejeiras do sul até o norte. É uma época de esperança.

A data tornou-se feriado nacional em 1948, com o intuito de marcar o início da nova estação e o fim do inverno. O dia é destinado também para louvar a natureza, o desabrochar das flores e valorizar os animais, mostrando respeito e afeição pelas coisas vivas. A data também é vista como o anúncio de que o Hanami Matsuri, que significa “Contemplar as flores”, está próximo.

Pessoas apreciando a florada das cerejeiras em Tóquio (Foto: Kyodo)

O evento é um dos mais belos festivais do Japão e ocorre por todo o país durante a primavera. Nessa época, uma infinidade de flores de cerejeiras (sakura) florescem em praticamente todo o arquipélago japonês, atraindo um grande número de pessoas, incluindo milhares de turistas estrangeiros, que visitam o arquipélago especialmente para apreciar a floração que acontece apenas uma vez a cada ano.

Por Maria Rosa
Principais fontes de pesquisa
• Livro ‘Japan – Dictionary Culture and Civilization’ | Autores: Frederic Louis David and Alvaro Iwang
• Livro ‘Legends of Japan’ | Autor: F. Hadland Davis
• Embaixada do Japão no Brasil
• Agência Kyodo

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