Heróis e Guerreiros

História da vida real do samurai Miyamoto Musashi

Miyamoto Musashi / Arte de Maria Rosa, carvão sobre papel vegetal - 2008 (Foto: Mundo-Nipo)

Os feitos de Musashi seguem aguçando o imaginário em todo o mundo, motivo de inspiração para livros, filmes, animes mangás e até videogames.

Miyamoto Musashi (1584-1645) é um dos heróis mais queridos e admirados do Japão. O grande guerreiro viveu em um dos mais conturbados momentos da História Japonesa, o Sengoku-Jidai, ou “Estados em Guerra”, um período histórico de transição, em que começava a Era Tokugawa (1603-1868), época que os tradicionais métodos dos samurais eram aos poucos substituídos por armas de fogo, ainda que primitivas na época.

Musashi simbolizou o auge do bushido (caminho do guerreiro), no qual um homem que empunhava uma espada representava o máximo da realização individual.

Na época, vários espadachins percorriam o Japão, alguns simplesmente procurando um adversário famoso como forma de promoção, enquanto outros perambulavam pelo país oferendo seus serviços aos Daimyo ou Daimyou (senhores Feudais) apenas em troca de comida. Contudo, existiam os que andavam em busca de aperfeiçoar sua técnica, e Musashi era um destes aventureiros.

Os guerreiros eram treinados desde cedo conforme ensinamentos antigos com sutis aprimoramentos técnicos. Com a entrada das armas de fogo, muitos soldados aderiram, temporariamente, à nova tecnologia de guerra, como também as armaduras deveriam se tornar mais rígidas, espessas e pesadas, na tentativa de impedir a penetração de projeteis.

Musashi, assim como os demais samurais, manteve-se adepto da espada, dedicando-se ao aprimoramento de técnicas tradicionais e ao desenvolvimento de novas técnicas, como o uso de duas espadas simultaneamente, na luta contra mais de um adversário.

A atuação de Musashi como guerreiro no cenário em que viveu foi decisiva para a História do Japão: participou das famosas batalhas de Sekigahara (1600) e de Osaka (1614). Em ambas Musashi lutou contra o clã Tokugawa. Apesar da derrota da família Toyotomi, pela qual Musashi lutou, em ambos os confrontos, o herói japonês é considerado um lutador invicto, além de sua participação em cerca de sessenta duelos.

Miyamoto Musashi nasceu na aldeia de Miyamoto, situada na antiga província de Mimasaka, atualmente Okayama, no oeste do Japão, em 1584, segundo o livro Musashi, de Eiji Yoshilawa. De acordo com o livro, o nome de batismo do guerreiro é “Shinmen Musashi No Kami Fujiwara No Genshin”. Contudo, Musashi é referido por vários nomes em sua história de vida, que inclui “Shinmen Takezo”, “Miyamoto Bennosuke” e “Niten Doraku”, sendo este último um nome budista.

Existem mais de uma versão sobre como e de quem o herói recebeu as primeiras lições com a espada. Uma conta que foi de seu pai, Shinmen Munisai, um “goushi” (pequeno fidalgo rural, algo entre um camponês e um samurai).

História de Musashi por Eiji Yoshikawa
O Musashi narrado no romance de Eiji Yoshikawa foi inspirado em personagem real, que tinha por nome Shinmen Musashi No Kami Fujiwara No Genshin. Um nome carregado nas letras, como a designação “Fujiwara”, antigo clã da aristocracia do período Heian (VIII – XII) e “No Kami”, que pode ser entendido como alguém de origem nobre.

Musashi foi criado por um parente de sua mãe, um monge, desde os 7 anos de idade. A suposição é a de que Musashi fora abandonado por seu pai ou que este tivesse morrido. No romance de Yoshikawa, Musashi, conhecido quando criança por Takezo, fora educado na adolescência pelo monge Takuan. Na narrativa literária mais atraente, Takuan, um personagem real e significativo, é um monge de tradição zen, que por seu profundo conhecimento e humor sarcástico, faz um excelente par com o herói Musashi, sendo o seu primeiro e principal mestre.

As crônicas antigas dizem que Musashi, aos 13 anos, teria se defrontado com Arima Kihei, um famoso e experiente espadachim da escola de Shinto ryu, habilitado também na lança. Entretanto, a preparação do famoso Arima Kihei nada valeu diante do ímpeto selvagem do menino.

Musashi era o próprio instinto do mais indomável dragão e de temperamento pouco sociável. Ao ser arrebatado no chão, Arima Kihei não teve tempo de se compor. Musashi lhe desferiu um golpe certeiro na cabeça com uma espada de madeira. Kihei morreu vertendo sangue pela boca.

Aos 16 anos Musashi e seu companheiro Matahachi participaram da batalha de Sekigahara (1600) ao lado das forças leais ao comando de Hideyoshi e  adversários de Tokugawa, mas foram derrotados.

Para aqueles jovens, no entanto, a vontade de lutar era maior que as preferências políticas de uma facção. A partir desta batalha começa a derradeira trilha de aprendizagem na arte do guerreiro. Não se sabe se Matahachi, reproduzido no romance, existiu de verdade.

Depois da guerra, Musashi volta à sua aldeia, quando o monge Takuan resolve interferir no seu destino. Possivelmente, se isso não tivesse ocorrido, Musashi teria se tornado um samurai indisciplinado e grosseiro. Por longos anos, Musashi teria se submetido aos estudos dos textos antigos, muito deles chineses, ao ser encerrado na torre do Castelo Hakurojo.

Para ser um samurai não bastava a habilidade no uso das armas, mas o preparo espiritual e a paciência do treinamento zen budista. Aquele Musashi de antes, de poucas letras e brutalizado pela vida de órfão, vai dando lugar a alguém simples e concentrado no caminho que iria trilhar. Takuan foi decisivo para a mudança de Musashi.

De todos os homens, somente Takuan foi capaz de domar o espírito de Musashi, amarrando-o no alto de uma árvore até que toda a raiva se esgotasse juntamente com as forças. Musashi, que era muito mais forte que Takuan, submetia-se resignado diante da presença daquele que respeitava e, mais tarde, passou a amá-lo como seu grande mestre.

Ichijoji Sagarimatsu, em Kyoto, local da batalha entre Musashi e a academia Yoshioka (Foto: Creative Commons)

Ichijoji Sagarimatsu, em Kyoto, local da batalha entre Musashi e a academia Yoshioka (Foto: Creative Commons)

Aos vinte e um anos de idade, Musashi começou a trilhar seu próprio caminho. Chegando em Kyoto, iria se defrontar com os instrutores da academia Yoshioka. Estes foram considerados os melhores esgrimistas, ministrando aulas de arte aos partidários do Shogun Ashikaga. Seu pai, Munisai, também duelara com os alunos de Yoshioka por três vezes, das quais saiu vencedor em duas.

Musashi enfrentou o líder daquela casa, Yoshioka Seijuro. Preferindo usar uma espada de madeira, Musashi não deu chances à Seijuro, que teve o braço direito esmagado com apenas um golpe. A derrota de Seijuro dá inicio a um processo de perseguição pelos alunos da academia Yoshioka contra Musashi.

Sem condições mais de tocar a academia, Yoshioka Seijuro retira-se, provavelmente, para um mosteiro. Logo depois, o irmão mais novo, Senshichiro, emite uma nota pública exigindo revanche. Mais uma vez, Musashi saiu vencedor.

Antes que a academia Yoshioka tivesse que reconhecer sua desgraça, no desespero, desafia novamente Musashi através do último descendente da família Hanshichiro, um menino de 9 anos. O plano dos alunos de Yoshioka era liquidar Musashi antes da chegada dele no lugar determinado, um pinheiro. Entretanto, Musashi chegou ao local bem antes do horário marcado e pacientemente esperou pelo posicionamento dos oponentes. Surgindo da névoa que pairava sobre o arrozal, Musashi derrubou alguns oponentes e aproximou-se do local onde estava Hanshichiro Yoshioka, o desafiante. Sua lâmina foi veloz para cortar o menino e, em seguida, desapareceu na mesma névoa.

Tinha apenas começado para Musashi a longa trilha do guerreiro. Seu encontro com o monge Oku Hozoin, da escola Nichiren, foi bastante significativo. Numa oportunidade, Musashi encontra com o monge e, sem ao menos lutar, admite sua derrota diante daquele sexagenário, experiente no manejo da lança das lâminas cruzadas.

Assim foi se dando o aprendizado de Musashi, às vezes em confronto ou através de batalhas interiores. Certo dia, ele pediu ao idoso mestre Yagyu Muneyoshi uma demonstração do uso das armas. O sábio Muneyoshi, criador do estilo “Yagyu da Espada Oculta” e que há muito tempo resolvera aposentar as espadas, não aceitou o pedido de Musashi e, através de um mensageiro, enviou-lhe o galho de uma flor que arrancou de um arranjo de ikebana. Mas podou a parte inferior antes de mandá-la ao guerreiro. Ao ver o golpe desferido na planta, Musashi reconheceu: “se fosse um confronto, eu teria morrido”. Para Muneyoshi, provar quem era o melhor fazia parte do passado.

No Japão em que Musashi viveu, o desenvolvimento de uma burguesia era acompanhado com o surgimento das cidades, como Edo, atual Tóquio, e das grandes rodovias como Tokaido. As guerras pela unificação tinham acabado e a classe guerreira, a dos bushi, não empregava tantos funcionários de armas.

Musashi, como tantos outros guerreiros, não tinham um senhor para servir e nem salário para manter-se. Alguns desses samurais desempregados tornaram-se bandoleiros, assassinos de aluguel ou simples ronin (samurais errantes).

Para manter-se, Musashi ensinava esgrima, fazia esculturas budistas, pinturas e caligrafias em papel de arroz.

Miyamoto Musashi exibe sua técnica, obra de Yoshitaki Tsunejiro (Foto: Kyodo/Museu Nacional de Tóquio)

Miyamoto Musashi exibe sua técnica, obra de Yoshitaki Tsunejiro (Foto: Kyodo/Museu Nacional de Tóquio)

Não apenas os membros da academia Yoshioka nutriam sentimento de vingança contra Musashi como também Sasaki Kojiro. Tanto Musashi como Kojiro eram jovens samurais em busca do aperfeiçoamento espiritual através da arte guerreira. Enquanto Musashi se mostrava simples no uso das palavras e moderação em demonstrar a perícia nas armas, Kojiro era um fanfarrão. Suas roupas coloridas destacava-se em seu corpo exuberante, levando nas costas a famosa espada “varal” de 90 centímetros de lâmina.

Se Kojiro mostrava-se tecnicamente superior a Musashi, este possuía outras habilidades, como planejamento para uma estratégia de combate.

Duas antigas estátuas simbolizam o duelo entre Musashi e Seijiro. Elas estão localizadas na ilha Ganryu, atualmente desabitada, localizada na província de Yamaguchi (Foto: Creative Commons)

Duas antigas estátuas simbolizam o duelo entre Musashi e Kogiro. Elas estão localizadas na ilha Ganryu, atualmente desabitada, localizada na província de Yamaguchi (Foto: Creative Commons)

Na derradeira batalha final, em 1612, Musashi saiu vencedor ao golpear com longo remo a cabeça de Kojiro. Isso porque o guerreiro errante usou de planejamento estratégico para escapar do golpe de Kojiro, chamado voo da andorinha e do qual ninguém jamais havia saído ileso.

Para safar-se da lâmina certeira, Musashi saltou alto e, de cima, acertou o adversário. Tudo tinha sido planejado por Musashi, que protegeu seu corpo com um cobertor por baixo das vestes, enquanto o outro esperou sem nenhuma proteção. Ele chegou atrasado somente para irritar Kojiro e quando chegou à praia em que o duelo iria se acontecer, ficou de costas para o mar, pisando na areia endurecida pela água, ao contrário de Kojiro, que teve que correr na areia fofa, o que causou desgaste físico. O sol da manhã ficava nas costas de Musashi e de frente a Kojiro, cegando seus olhos.

Ao ver Musashi se aproximando com um remo nas mãos, Kojiro teria desembainhado sua espada e a atirado na areia. Foi quando Musashi o advertiu: “Kojiro, você acaba de perder esta luta”. Quem abandona a bainha, segundo pensava Musashi, não a usará novamente para guardar a espada. E Kojiro não teve mais motivos para guardá-la!

Trecho de um dos filmes sobre Musashi mostra o duelo entre ele e Sasaki Kojiro

O livro ‘Musashi’

Livro Musashi, por Eiji Yoshikawa (Foto: Maria Rosa/Mundo-Nipo)

Livro Musashi, por Eiji Yoshikawa (Foto: Maria Rosa/Mundo-Nipo)

A história relatada acima é parte de ‘Musashi’, livro de Eiji Yoshikawa, publicado no Brasil pela editora Estação Liberdade e que conta parte da vida de Miyamoto Musashi. A obra é inspirada em fatos históricos, mas não se prende aos mesmos, romanceando alguns aspectos.

Grande parte dos personagens saiu da imaginação do autor, misturando-se livremente com outros que realmente existiram. O esqueleto da narrativa, porém, segue a trajetória histórica do famoso samurai. Começamos na batalha de Sekigahara e acompanhamos Musashi por sua peregrinação e vários de seus duelos, como contra “Muso Gonnosuke”, contra “Shishido Baiken”, os três duelos contra mestres e discípulos da “Academia Yoshioka”, e o mais famoso de todos, contra Sasaki Kojiro na ilha de Ganryujima.

Entre um duelo e outro conhecemos os dramas de personagens secundários como o amigo desorientado Hon’iden Matahachi, a vingativa velhinha Osugi, os discípulos mirins Joutaro e Iori, e o romance com a linda Otsu, eternamente apaixonada por Musashi.

‘Musashi’ foi originalmente publicado em pequenos capítulos diários no jornal Asahi Shimbun, entre 1935 e 1939. A narrativa tem um estilo folhetinesco, cheio de encontros e desencontros, misturando uma longa história de amor com episódios de aventura, tudo recheado de coincidências.

A ação é muitas vezes surpreendente para o leitor acostumado com histórias ocidentais. Quando esperamos que Musashi acabe com seus inimigos, ele prefere fugir. Quando achamos que não haverá combate, ele desembainha a espada. Quando tudo indica que o beijo dos apaixonados finalmente acontecerá, a mocinha amedronta-se.

Estes comportamentos inesperados talvez sejam fruto simplesmente de diferenças culturais, já que Musashi é, por natureza, um produto destinado ao grande público. Depois de aparecer em 1013 capítulos diários, foi transformado em livro e vendeu aproximadamente 200 milhões de exemplares somente no Japão, de acordo com o último relatório anual da Oricon, grupo que provê estatísticas e informações sobre a indústria de entretenimento no mercado japonês.

Quem gosta de uma boa e leve aventura e não se intimida frente a milhares de páginas vai encontrar nos dois grossos volumes de Musashi muitas horas de diversão, além de poder aprender um pouco sobre a história e os costumes do Japão antigo.

O ‘Livro dos Cinco Anéis’
Sua maior proeza talvez seja a de ter criado um estilo de luta com duas espadas, chamado “Niten Ichi Ryu”, onde seus discípulos e praticantes têm acesso aos “katas” e estratégias que o tornou imbatível pelos sessenta duelos. Vale lembrar que, apesar do estilo Niten Ichi Ryu ser conhecido pela luta com duas espadas, contém técnicas com a espada maior (tachi seiho), espada menor (kodachi seiho) e o bastão longo, o bojutsu.

O Livro dos Cinco Anéis (Foto: Creative Commons)

O Livro dos Cinco Anéis (Foto: Creative Commons)

Um dos fios condutores da narrativa de Musashi é exatamente o nascimento deste estilo, desde a primeira ideia, instintiva, até as poéticas considerações sobre a luta com duas armas.

Além de ter sido um duelista imbatível, Musashi também se dedicou a outras artes, como a pintura, caligrafia e a escultura, e chegou a escrever livros sobre esgrima e estratégia de combate.

Em 1643, ele se retirou em uma caverna conhecida como Reigando, a oeste da cidade de Kumamoto. Como eremita, escreveu ‘O Livro dos Cinco Anéis’ ou ‘Gorin No Sho’: “go” significa cinco,”rin” significa anéis, e “sho” significa escrito, pergaminho ou livro. Concluiu no segundo mês de 1645.

No décimo segundo dia do quinto mês de 1645, (data do japonês tradicional), sentindo a aproximação da morte, Musashi liberou-se de suas posses materiais após entregar a cópia manuscrita do livro ao seu discípulo mais próximo, o irmão mais novo de Terao Magonojo. Nesse mesmo dia, Musashi escreveu o manuscrito Dokkodo (O Caminho do Andarilho Solitário), em que descreve 21 princípios de vida. O herói samurai faleceu em Kumamoto, por volta do dia dezenove do quinto mês, segundo o calendário japonês antigo.

A obra de Musashi é lida ainda hoje como manual de ensinamentos filosóficos e também como guia para o sucesso empresarial.

A história de sua vida tornou-se uma lenda e forte inspiração para o imaginário japonês, inspirando diversas gravuras Ukiyo-e, livros, filmes, séries de TV, mangás e videogames.

Biografia
Em ‘O Samurai – A vida de Miyamoto Musashi’, biografia publicada no Brasil pela Estação Liberdade, o especialista em língua e cultura japonesa, William Scott Wilson, se baseia em fatos históricos para traçar os caminhos do espadachim. A obra é resultado de extensa pesquisa e traz ainda mapas e vários anexos, como desenhos de autoria do próprio Musashi, que além da habilidade com as espadas, destacou-se como pintor a nanquim, praticante de caligrafia tradicional, estudioso de poesia chinesa e adepto da filosofia zen-budista.

Como mostra o livro, Musashi foi uma lenda de seu tempo. Ignorando as convenções, ele preferia uma espada de madeira e em seus anos de maturidade nunca lutou com uma arma autêntica. Foi um mestre em aniquilar os inimigos usando recursos psicológicos que estudava exaustivamente antes dos combates.

Musashi orientava seus estudos tão arduamente conquistados sobre as artes combatentes para metas espirituais de cunho zen-budista. Como nos mostra Scott Wilson nesta biografia, no japonês moderno existem figuras de linguagem que se referem ao caráter “musashiano”, revelando que, provavelmente, o seu nome seja tão ou mais conhecido do que importantes personalidades da história e cultura japonesa.

Mangá Vagabond
O criador de mangás, Takehiko Inoue, iniciou em 1998 a publicação da série Vagabond, que reúne 37 volumes publicados no Japão – ainda em andamento. No Brasil, a série foi relançada este ano pela Editora Panini.

Mangá Vagabond (Foto: Reprodução/Edição Mundo-Nipo)

Mangá Vagabond (Foto: Reprodução/Edição Mundo-Nipo)

Sua criação provou ser mais do que uma versão para os quadrinhos do livro de Eiji Yoshikawa. É uma elaborada e bem pesquisada releitura da vida de Musashi, usando como base o romance de Eiji Yoshikawa, mas não se prendendo a ele.

Sua narrativa elaborada, integrada a um desenho minucioso, tornou a série um sucesso que vendeu mais de 30 milhões de exemplares apenas no Japão, sendo premiada com o Cultural Affairs Media Arts e o Kodansha Manga Award.

No Brasil, o mangá foi publicado pela Conrad Editora. O artista brasileiro Júlio Shimamoto (descendente de samurais aristocratas) produziu várias histórias protagonizadas por Musashi, muitas delas foram compiladas em dois álbuns (Musashi e Musashi II) pela editora Opera Graphica, enquanto que “Samurai”, foi publicado pela Mythos Editora, esse último também traz histórias protagonizadas por outros samurais como “Zatoichi”, o samurai cego criado para o cinema japonês.

Também pela Mythos, Shimamoto ilustrou os livros ‘Lendas de Musashi’ e ‘Lendas de Zatoichi’, ambos de autoria de Minami Keizi, percurso do estilo mangá no país.

Musashi no cinema e na TV
Personagem de grande apelo popular no Japão, representado em muitas gravuras antigas, Musashi serviu também como fonte de inspiração para séries de TV e diversos filmes, o mais conhecido tem o ator Toshiro Mifune como protagonista.

Algumas filmografias sobre Musashi
• Miyamoto Musashi, realizado por Kenji Mizoguchi (1944)
• Miyamoto Musashi 1 – primeira parte da trilogia estrelada por Toshiro Mifune e realizada por Hiroshi Inagaki (1954)
• Miyamoto Musashi 2 – Zoku Miyamoto Musashi: Ichijôji no kettô (Morte no templo Ichijoji – 1955)
• Miyamoto Musashi 3 – kanketsuhen: kettô Ganryûjima (Duelo na ilha Ganryu – 1956)
• Miyamoto Musashi 1 – primeiro dos cinco filmes estrelados por Kinnosuke Nakamura (1932-1997), realizados por Tomu Uchida (1961)
• Miyamoto Musashi 2 – Hannyazaka no ketto (1962)
• Miyamoto Musashi 3 – Nitoryu kaigen (1963)
• Miyamoto Musashi 4 – Ichijoji no ketto (1964)
• Miyamoto Musashi 5 Ganryû-jima no kettô (1965)
• Miyamoto Musashi, realizado por Tai Katō (1973)

Séries mais famosas de TV sobre Musashi
• Sorekara no Musashi (1981), estrelado por Kitaoji Kinya
• Musashi: realizado pela rede NHK (2003), com Ichikawa “Ebizo” Shinnosuke

Por Maria Rosa (Artigo criado originalmente em 2008)
Fontes principais de pesquisa
• Livro: MUSASHI, Miyamoto – O Livro dos Cinco Anéis – Gorin No Sho | Revisão: Sensei Jorge Kishikawa | Apresentação: Shihan Gosho Motoharu | Tradução: Dirce Miyamura | Editora Conrad, 2006
• Livro: O Samurai – A vida de Miyamoto Musashi | Autor: Scott Wilson, William.| Editora:  Estação Liberdade, 2006
• Livro: MUSASHI, Miyamoto – O Livro dos Cinco Elementos, “Gorin No Sho”: | Notas: Watanabe Ichiro | Tradução: José Yamashiro | Editora: Cultura Editores Associados, 1992
• Livro: Musashi (dois volumes) | Autor: YOSHIKAWA, Eiji | Editora: Estação Liberdade, 1999
• Wikipedia Ásia: Lista de filmologia e séries de TV sobre Miyamoto Musashi

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