História do Japão

A história do Japão contada por períodos e eras: do pré-Jomon ao atual

Conhecendo um pouco da história do Japão por períodos e eras. Além de informações geográficas, culturais, sociais e econômicas do Japão atual.

 

A história milenar do Japão é famosa e conhecida pela parte cultural. Porém, ao longo do tempo, foi marcada por grandes guerras, principalmente as travadas entre os países vizinhos, conflitos que constituíram a cultura e a civilização do Japão atual.

Ao longo da história, nos deparamos com o mais cruel de todos os conflitos, “A Segunda Grande Guerra Mundial”, que ocasionou a tragédia da bomba nuclear em Hiroshima e Nagasaki, tornando o Japão a única nação no mundo a sofrer um ataque nuclear.

A história do Japão com seus Imperadores, Samurais, Shoguns e Grandes Generais, além da chegada do Budismo ao país e toda a cultura japonesa, como artesanato entre outras tantas, arremeteriam a uma cronologia tamanha, que contado, praticamente, é impossível relatar sem uma ordem periódica, pois a riqueza histórica deste povo é incomensurável.

A história da Terra do Sol nascente é apresentada aqui desde o período pré-Jomon até os dias atuais.

 

PERÍODO: Pré-Jomon

– início 20 mil a.C.

De Hinatabayashi, B site, Shinanomachi, Nagano. Exposto no Museu Nacional de Tóquio. Datado no período Paleolítico. (Foto: divulgação)

O arquipélago japonês esteve unido a Continente Asiático no passado, ou seja, fazia parte da placa asiática. Calcula-se que isto deve ter acontecido há mais de 100 mil anos.

Neste período supõe-se que a faixa de terra, que viria a se tornar o Japão, era habitada. Como confirmação desta hipótese, foram encontrados esqueletos fossilizados de homens e animais, inclusive de elefantes pré-­históricos. A existência desses animais teria provocado a migração dos povos do norte para o Japão.

O período datado a partir de 20 mil a.C. é conhecido como pré-Jomon. Os habitantes do Japão viviam da caça e da pesca, utilizando-se de instrumentos de pedra, conseguidos através do lascamento. Este era o período da pedra Lascada ou Paleolítico e pouco se sabe a respeito deste.

 

PERÍODO: JOMON

– início aproximado 8 mil a.C.

Embarcação ornamentada semelhante a flamas. Datado no Período Jomon. Exposto no Museu Nacional de Tóquio. (Foto: divulgação)

Os japoneses geralmente costumam contar a história a partir do período posterior ao Paleolítico, denominado era Jomon.

A era Jomon, ou era Neolítica,  iniciou-se aproximadamente no ano 8 mil a.C., marcada pela existência de uma cultura mais complexa. Seus habitantes continuavam vivendo da caça e da pesca, mas com o uso de instrumentos de pedra polida.

A diferença, entre este período e o anterior, é a passagem da pedra lascada para a polida. Entretanto, outros artefatos desenvolvidos na Era Jomon devem ser considerados. Os homens inventaram armas como o arco, a flecha e a lança, úteis para a caça. Técnicas mais apuradas de caça foram criadas nesta época. Contudo, de todos os aperfeiçoamentos, talvez o maior tenha sido a cerâmica. Potes de barro, magnificamente torneados e depois desenhados em relevo com uso de cordas, serviam para o cozimento de alimentos e para o seu armazenamento. O nome Jomon vem daí: quer dizer, marcas de corda.

Dogu (estátua de argila). Datado no Período Jomon. Exposto no Museu Nacional de Tóquio. (Foto: MN TOKYO –  divulgação)

No período Jomon havia tribos, portanto, os habitantes compartilhavam um espaço comum. A vida organizada já fazia parte do homem desta era. Viviam em casas feitas de galhos de árvores, cobertas com palha, que ficavam em valas cavadas na terra. Para alimentação, os habitantes costumavam partir os ossos grandes dos animais para extrair o tutano. O javali era caçado para se conseguir a gordura, produto indispensável para a fabricação do óleo. Do veado, conseguia-se a pele para o vestuário de inverno.

Animais domésticos como o cão, foram incorporados rapidamente à comunidade. Eram usados durante as caças. É desta época a evolução dos cães japoneses, entre os quais os de raça Shiba. Quanto ao gato, acredita-se que teria vindo de outras regiões. O mesmo acontecendo com o porco e o cavalo. Mas os dois últimos foram introduzidos no Japão no período que se segue ao Jomon, a era Yayoi.

 

PERÍODO: YAYOI – YAMATO

– início 100 a 200 a.C.

Dotaku (em forma de sino de bronze). Datado no Período Yayoi. Exposto no Museu Nacional de Tóquio. (Foto: MN TOKYO – divulgação)

O que separa o período Jomon do Yayoi é o início da cultura do arroz, que se inicia um ou dois séculos antes de Cristo. A cultura do arroz vem acompanhada de uma migração vinda do continente, jamais vista até então. Técnicas mais avançadas são introduzidas. O metal passa a ser utilizado junto com a pedra polida. Utilizam-se espadas feitas de bronze e espelhos de metal nos rituais religiosos. Instrumentos agrícolas são incrementados a partir do metal e da madeira.

Mas foi a cultura do arroz que provocou modificações profundas na vida social, política e econômica dos aldeões. Como o cultivo do arroz exigia um trabalho coletivo, houve a divisão do trabalho e, consequentemente, as diversas divisões de classe, surgindo uma classe dirigente.

Os imigrantes tomaram-se integrantes da corte e de clãs poderosos. Em caso de guerra, eles conseguiam vencer os nativos, com facilidade. Suas aldeias prosperam mais do que a dos antigos moradores.

A par com a cultura do arroz, estes migrantes, que trouxeram as técnicas de tecelagem, costura e criação do bicho da seda, formaram grupos de trabalho, o dos artífices, para a manufatura de instrumentos de metais, o dos comerciantes, vendedores de potes de barro e, por fim, o dos agricultores. Este fluxo migratório se fixou notadamente ao sul do Japão.

Jarro, datado no Período Yayoi. Exposto no Museu Nacional de Tóquio. (Foto: MN TOKYO – divuldação)

A partir de Yayoi, que viria a se tornar depois o Japão atual, germinam os alicerces de uma cultura agrária e tribal fundamentada na formação de pequenos estados. Documentos chineses da dinastia Han referem-se a um “país de cem reinos”. Estes reinos localizar-se-iam ao norte de Kyushu, uma das quatro ilhas que formam o arquipélago nipônico. Os chineses falam nos reinos de Nu (Na), l-tu (Ito), Mo-lu (Matsura) e Pu-mi (Fumi). Há indícios que o reino de Nu pagava tributos a Han no ano 57 a.C.

As guerras internas assolavam os reinos de Kyushu. A paz só foi conseguida com o entronamento de uma mulher, a rainha Himiko, possivelmente no ano de 188 d.C.

Como rainha, Himiko unificou 28 nações sob o nome de reino de Yamatai. Estas informações constam em documentos chineses, onde, por exemplo, diz que Himiko tinha poderes sobrenaturais. Ela conseguia prever se a safra de arroz seria boa e em caso de guerra, se Yamatai sairia vencedor. As adivinhações eram feitas queimando-se pedaços de ossos. Pela rachadura produzida, podia se prever os acontecimentos.

Com a morte de Himiko, as guerras voltaram a acontecer. Havia a necessidade de alguém que mantivesse a unificação de Yamatai. Portanto, diante do impasse, foi escolhida como sucessora, Iyo, de apenas 13 anos. Assim, Yamatai continuou existindo.

Outro fato importante acontecido no período Yayoi é a consolidação do país de Yamato, no século IV. Yamato localizava-se ao lado do rio, do mesmo nome, nas proximidades da atual província de Nara, na ilha central de Honshu. Yamato consegue dominar as nações do norte de Kyushu, as do vale de Yamato e as de Izumo. O chefe de Yamato recebe o nome de Okimi ou Oaiwô (grande rei), e posteriormente, passou-se a denominá-lo Tennô (imperador). Os indícios levam a crer que a origem dos imperadores japoneses esteja em Yamato.

Dos tempos de Yamato, o que o Japão conserva ainda são os gigantescos túmulos, conhecidos por Kofun (Ryô). O mais famoso é o do imperador Nintoku, na cidade de Sakai, em Osaka. Os imperadores eram enterrados junto a artefatos feitos de argila, o haniwa. Constitui-se o haniwa de réplicas, em miniatura, de casas, cavalos e seres humanos.

Em pleno esplendor, Yamato mandou chamar do continente (China e Coréia) artesãos para ensinar os japoneses. Mas de todos os ensinamentos, quem sabe, os mais importantes foram o budismo e a escrita em forma de ideogramas, o kanji.

 

Daisen-kofun, túmulo do imperador Nintoku, em Sakai, Osaka, Japão. (Imagem: reprodução do Google Earth)

 

PERÍODO: ASUKA

– início 604 d.C.

A partir da consolidação do reino de Yamato, o Japão começa a tomar forma como um Estado unificado, cabendo aos dirigentes esta unificação. Aquele que vai dar um passo grande neste sentido é Shôtoku Taishi. Saindo do período Yayoi, mais precisamente de sua fase tardia, Kofun (o dos grandes túmulos, de 300 a 391), para o período Asuka, a introdução do budismo se dá neste período.

Intensificam-se as relações com o continente, no caso, a China. Entretanto, Yamato vivia constantes guerras pelo poder. No reinado da imperatriz Suiko surge a figura de Shôtoku (séc. VII). Ele assume a regência e promove diversas mudanças na máquina administrativa. Baixa um decreto no qual os servidores públicos são divididos em doze categorias. Também promulga a “Constituição de Dezessete Artigos”, cuja finalidade é disciplinar o trabalho dos funcionários público, tendo por base os ensinamentos do educador chinês Confúcio.

 

Rainha Maya e Seres Celestiais. Datado no período Asuka. Exposto no Museu Nacional de Tóquio. (Foto: MN TOKYO – divulgacao)

 

Buscando inovações, Shôtoku torna-se um adepto do budismo. Com entusiasmo, dedica-se a difundir a doutrina de Buda. Ele próprio possui mestres vindos da Coreia para ensiná-lo. Um grande número de coreanos dos reinos Kokuli e Paikché, dentre monges, estudiosos e artistas fixam residência no Japão. Os templos budistas proliferam e as famílias aristocráticas disputam entre si a sua construção. O mais famoso, o de Hôryuji, fica na cidade de Nara e foi construído por Shotoku Taishi.

A Reforma Taika, de 645 é um marco que os historiadores utilizam para demarcar o final do período Asuka. Com ela é abolido o sistema de propriedade particular, conhecido por “Uji­kabane”. Assim, os aristocratas, donos da terra, teriam o seu poder enfraquecido. Antes, eles tentavam, através das guerras, influírem nas decisões dos imperadores. Com a Reforma Taika, o imperador fortaleceria o seu poder em detrimento dos aristocratas. Em troca das terras, os aristocratas tornar-se-iam funcionários do governo.

Em suma, a Reforma Taika introduziu o regime Ritsuryô, inspirado no modelo chinês.

 

PERÍODO: NARA

– início 710 d.C.

Nikko Bosatsu (Suryaprabha) sentado. Datado no período Nara. Exposto no Museu Nacional de Tóquio. (Foto: MN TOKYO – divulgação)

A cidade de Nara torna-se capital em 710. Ela é construída seguindo-se o modelo de Chang’an (atual Xian), a capital de Tang, na China. O período Nara foi marcado por um governo centralizador e burocrático. Beneficiado pelo Estado, o budismo prosperou, assim como a arquitetura e a escultura.

As relações com Tang intensificam-se neste período. Por duzentos anos o intercâmbio cultural e diplomático se mantém. As frágeis embarcações deixam Naniwa (Osaka) em direção ao continente enfrentando as tempestades que assolam o Mar da China. As que conseguem vencer as intempéries, retornam ao Japão trazendo os louros da cultura mais avançada do mundo. Vão para Yamato chineses, coreanos, indianos e persas. É desta época a chegada do monge chinês Ganjin (688-763) para transmitir o Ritsu. Uma das seis correntes do budismo, depois de ter enfrentado as dificuldades da travessia.

Como religião do Estado, o budismo se expande em todas as direções. No mosteiro de Todaiji é construído um Buda de bronze, de 16 metros de altura.

No campo das letras, surgem três obras significativas. As narrativas Kojiki e Nihon Shoki, possivelmente as primeiras fontes da história japonesa, escritas em kanji chinês, contêm lendas a respeito da família imperial, remetendo sempre ao “tempo dos deuses”. A outra obra é o Man-yo-shu, onde se encontram reunidos cerca de 4.500 poemas “waka”.

A riqueza do período Nara não se estendia às classes menos privilegiadas. Estas continuavam no mesmo estado de pobreza; tinham direito a uma parcela da terra desde que a cultivassem e pagassem os tributos.

 

PERÍODO: HEIAN

– início 784

Cada vez mais os monges budistas fortaleciam-se como classe, interferindo nas questões burocráticas do Estado. As intrigas palacianas voltaram a acontecer. Quando o sistema encontrou-se saturado, a fim de romper com ele, a solução foi a da mudança da capital. Nara foi trocada por Heian (Kyoto). O período Heian se estendeu de 784 a 1192.

O rompimento no período Nara com o sistema chinês, significava o retorno a uma forma nativa que atendesse aos anseios da nação. Esta forma era a da sofisticação da cultura ao estilo japonês. A família Fujiwara, que se despontou a partir da Reforma Taika, tomou a frente do governo. Utilizando-se de habilidade política aproximou-se da família imperial e por meio de casamentos, o clã Fujiwara passou a exercer poderes próprios ao Imperador.

 

Espada Tachi. Datada no Período Heian. Exposto no Museu Nacional de Tóquio. (Foto: MN TOKYO – divulgação)

 

Enquanto isso, transformações significativas iriam acontecer no campo. As terras, que pertenciam ao governo, entram em colapso. Aproveitando-se disso, as terras privadas (shôen) aumentam nas mãos das famílias poderosas, o mesmo acontecendo com os monges budistas e fazendeiros influentes.

Por fim, o governo teve que reconhecer a sua dificuldade em manter as terras. Na época, tinha aumentado o ataque das tribos Ezo vindos do norte do país. Para combatê-las, foi mandado um grupo de soldados profissionais. A mesma tática foi adotada pelos governadores das províncias e donos das terras agrícolas. Eles formam uma guarda particular, recrutando os soldados dentro de seus próprios clãs, de partidários e seguidores. Esta é a origem dos samurais.

 

PERÍODO: Kamakura à Azuchimomoyama

– início 1192 a 1600

No tempo dos Samurais e Shoguns

A classe dos samurais instala-se no governo através do clã Taira em 1167. À maneira de Fujiwara, duas famílias vindas das classes guerreiras, Heike e Genji, mesclam o sangue com a família imperial. Era a forma para chegar ao poder. Taira, que é chamado também de Heike, chega antes de Genji ao governo. Após a decadência da família Fujiwara, os imperadores tentaram restaurar o seu poder. Período em que se inaugura a época dos “Imperadores enclausurados”. As intrigas conduzem às rebeliões, entre elas a de Hogen (1156) e a de Heiji (1159). Desgastes por parte da corte, por outro lado, aumenta o poder dos samurais. Mais precisamente do clã Heike.

 

Minamoto Yoritomo sentado. Datado no Período Kamakura. Exposto no Museu Nacional de Tóquio. (Foto: MN TOKYO – divulgação)

 

Heike que ingressou no governo foi Taira Kiyomori. Casou uma filha com o imperador Takakura, de cuja união nasceu o imperador Antoku. Copiando o fausto da vida palaciana, Taira Kiyomori continua repetindo os erros de Fujiwara, enquanto isso, por fora, os da família Genji estão conspirando. Por fim, os Heike são derrotados na batalha marítima de Danno-ura. Batalha em que todos os chefes Taira são exterminados. O imperador Antoku, de sete anos, é atirado nas águas do mar interior Seto nos braços da avó. Tinha triunfado o clã Genji.

Com Genji no governo inicia-se o período dos shoguns, que perdurou por quase sete séculos. Mais uma vez, a capital é transferida. Desta vez, o shogun escolhe Kamakura. Shogun era o título outorgado pelo imperador ao guerreiro de sua confiança, tornando-o assim, no generalíssimo. No período Kamakura, que se inicia em 1192, coexistem dois governos, o do shogun e o do imperador. Um independente do outro. Em resumo, isto significava o enfraquecimento do poder do imperador.

Entre os fatos marcantes deste período está à invasão do Japão pelos mongóis. Ela acontece por duas vezes no século XIII. Na primeira tentativa, a de 1274, os mongóis chegam a aportar ao norte de Kyushu após sangrenta batalha com os samurais. Mas um tufão violento sopra consegue frustrar as tropas de Kublai Khan. Mas Khan não desiste. Por sorte, mais uma vez o vento sopra a favor dos japoneses. Daí nasce a expressão Kamikaze, ou seja, “o vento divino”.

Consolida-se no período Kamakura o poder dos samurais, distribuídos nos feudos. Com o tempo, os feudos se tornam cada vez mais autosuficientes. Feudos do interior afastam-se do poder central. Assim, conforme aumenta o poder local, as rixas aumentam. As guerras se tornam inevitáveis. Enquanto a classe guerreira se fortalece, são criados códigos que regulamentam as relações entre os seus membros. É o código moral dos samurais.

A história japonesa parece desenrolar-se quase que apenas nas camadas mais elevadas da população. As classes foram divididas entre os nobres, samurais, monges (comuns) e semmin (marginais). Inúmeras escolas budistas são estabelecidas através do envio de monges japoneses para a China. Às seitas Shingon e Tendai vêm somarem-se outras: Jôdo, Jôdo Shin, Hokke e Zen. Seitas ainda existentes no Japão atual.

As guerras desgastam o poder central exercido pelo shogun, principalmente as tentativas dos mongóis em invadir o Japão. Aproveitando-se destas brechas, os imperadores conspiravam a fim de restaurar o seu poder de fato. A primeira tentativa se deu em 1221 com Gotoba, sem sucesso. Mais tarde com Godaigo em 1331. Alguns samurais, descontentes com o shogun, conspiram junto com Godaigo. Entre eles, Takauji Ashikaga. Por fim, o shogun é derrotado e o imperador Kômyô concede a Ashikaga o título de novo shogun. O shogunato de Kamakura vigorou por 140 anos.

Com a mudança do governo, muda-se a capital. Ashikaga a transfere para Kyoto. O terceiro shogun desta dinastia, Yoshimitsu, habita o Palácio das Flores de Muromachi, nome usado também para designar este período. A ostentação é uma das marcas fundamentais de Muromachi. O shogun manda construir o Pavilhão de Ouro, cujas paredes são cobertas pelo nobre metal. Em contrapartida, outra característica do período, são as guerras internas. A primeira é a Guerra Ônin. A partir desta, diversas outras afloram, manchando com sangue o arquipélago japonês. Os feudos disputam entre si a supremacia diante de um governo desorientado. Apesar desta situação o clã Ashikaga consegue manter-se no poder por 235 anos.

 

Uchigatana – katana atribuída a Motoshige. Datada no Período Azuchi-Momoyama. Exposta no Museu Nacional de Tóquio. (Foto: MN TOKYO – divulgação)

 

A contradição do período foi a arte convivendo com a desordem provocada pela guerra civil. Enquanto guerreiam, os nobres cultivam a poesia “waka”, o teatro “nô” e a cerimônia ­do chá. O gosto pela estética invade os paladares mais finos. É também deste período a chegada dos primeiros ocidentais, os comerciantes portugueses e os jesuítas.

Vai provocar a queda definitiva do clã Ashikaga um general aparentemente obscuro, Nobunaga Oda. De início, fiel a Ashikaga, com o crescimento do seu poder, este é traído por ele. Ashikaga cai. Cresce a influência de Oda a cada batalha ganha. Ele se torna o unificador do Japão, colocando fim nas guerras civis. Derrota a tropa de Katsuyori, o filho do seu maior inimigo, Shinguen Takeda, aliando-se na batalha de Nagashino com Ieyasu Tokugawa. A tática de Oda foi a utilização das armas de fogo, trazidas pelos portugueses. Derrota também os monges guerreiros de Tendai.

A carreira de Oda vai terminar após uma traição. A traição do general Mitsuhide Akechi, depois morto por Hideyoshi Toyotomi, o continuador de Nobunaga Oda. O período conhecido por Azuchimomoyama é pontilhado de acontecimentos, apesar de curto. Não se inaugura nenhum shogunato. A guerra continua fazendo parte do cenário político. É também o momento da expansão do cristianismo na terra de Buda. Quanto ao comércio, os portugueses nunca lucraram tanto como neste período.

 

PERÍODO: EDO

– início 1603

Obra de Utagawa Kuniyoshi. Datada no Período Edo. Exposta no Museu Nacional de Tóquio. (Foto: MN TOKYO – divulgação)

Mais hábil que os seus antagonistas Nobunaga Oda e Hideyoshi Toyotomi, Leyasu Tokugawa conseguiu obter o poder após a derradeira vitória na Batalha de Sekigahara em 1600. Tokugawa era mais um político, que sabia esperar, do que um guerreiro. Foi assim que ele conseguiu obter sucesso. A partir de 1603 começa o último shogunato, o do clã Tokugawa. Nova mudança de capital. Tokugawa preferiu a longínqua vila de Edo, mais tarde Tóquio, distante dos centros aristocráticos, na região de Kantô.

Não queria repetir os erros dos shogunatos anteriores, de permitir que os feudos se fortalecessem e iniciassem uma nova guerra civil. Visando este objetivo, Tokugawa fortaleceu o shogunato e o governo centralizador, vigiando a ação de seus aliados e de antigos inimigos. Este sistema garantiu um período de imensa paz, que os historiadores denominam de “Pax Tokugawa”.

Com Tokugawa no governo, os ânimos são abafados. As divisões em classes sociais, iniciadas por Hideyoshi, tornam-se marcantes. Eram elas em ordem hierárquica: samurais, lavradores, artesãos e comerciantes.

Como visava a reconstrução do país, após mais de cem anos em guerra, Tokugawa resolve tomar medidas duras. Uma delas é a expulsão dos estrangeiros, no caso portugueses e espanhóis. O cristianismo é proscrito e os cristãos perseguidos pelo governo. Por fim, o governo resolve fechar os portos a todos os navios estrangeiros, exceto dos chineses e dos holandeses. Os holandeses só podiam ficar na ilha de Dejima em Nagasaki.

Ainda no primeiro século da administração Tokugawa, as últimas resistências tinham de ser vencidas. A mais significativa foi a revolta de Shimabara, em 1637. Os camponeses revoltaram-se contra a opressão dos senhores de Hizen e Amakusa. Foram mais de 25 mil revoltosos, somando-se aos camponeses, os samurais derrotados em Sekigahara e os cristãos proscritos. A revolta tem à frente um católico, o jovem samurai Shiro Amakusa, de 16 anos.

Outras revoltas vão acontecer, sendo sempre abafadas e os rebeldes punidos. Eram revoltas por causa de problemas relacionados à terra. São menos significativas do que as mudanças que ocorreram durante este período de paz. Com o passar das décadas, a classe dos comerciantes começa a ganhar importância. É ela que fomenta a cultura das áreas urbanas. Os senhores feudais pegam dinheiro emprestado dos comerciantes.

Graças aos comerciantes, as cidades se desenvolvem. Principalmente em Edo e Osaka intensificam-se as transações comerciais. A indústria é igualmente beneficiada. Período de fartura, a cidade conduz também ao esbanjamento. A cultura, antes confinada nos palácios, escapa para as ruas. É a vez da cultura popular. A escola não é mais privilégio dos nobres. Todos que vivem na cidade podem aprendem a ler e escrever.

Nunca se produziu tanta literatura como nesta época. E os livros de grande tiragem ficavam ao alcance do povo em geral. A arte popular tendia para as poesias “haikai” e “senryu”, para o teatro “kabuki” e “Jôruri”, para as xilogravuras ukiyo-e.

As mudanças em todos os setores, inevitavelmente iriam dilapidar a imagem do samurai. Sem mais guerras, a classe guerreira tornou-se uma lembrança do passado, que não tinha acompanhado o desenvolvimento da história. Quem entrava em crise não era somente o shogunato, mas o seu equivalente, o samurai. Em oposição ao samurai estava o comerciante, chamado de chõnin.

PERÌODO: ERA MEIJI

– Início 1868

O fim do domínio dos Shoguns acontece no momento em que o mundo ocidental acabava de experimentar as principais revoluções civis, como a americana e a francesa. E a economia capitalista necessitava cada vez mais de novos mercados, inclusive o japonês. O isolamento provocado após a instauração do Shogunato Tokugawa contrariava as leis de oferta e procura. Foi assim que a pressão internacional para a abertura dos portos começou na metade do século passado. Sem sucesso, entre os séculos XVIII e início do XIX, os navios ingleses e russos tentaram quebrar o isolamento. Entretanto, a situação iria se modificar.

A intervenção foi dos Estados Unidos na qual o comodoro Mathew Perry entrega uma mensagem ao emissário do Shogun pedindo o fim do isolamento. Este fato acontece em 1853. A abertura dos portos iria provocar, posteriormente, a derrubada do Shogunato. Os antigos inimigos de Tokugawa, instalados em Kyushu, aproveitando-se da situação, conspiram. Período em que senhores feudais debelam-se contra os estrangeiros, demonstrando também descontentamento com a fraqueza do Shogun. Quem se fortalece neste momento é o imperador, apoiado pelos que querem a derrubada do Shogunato Tokugawa.

Por fim, depois de um longo período governado pelos Shoguns, o governo centralizado na figura do Imperador volta a existir. A volta dos poderes ao Imperador ocorre em 1867.

 

O Ukiyoe (憲法発布略図). Obra do artista Toyohara Chikanobu. Datado na Era Meiji. (Imagem: reprodução)

 

Quem se encontra no trono é o jovem Mutsuhito que assumiu aos 14 anos, após a morte do imperador Komei em 1866.

O retomo do governo para o imperador significa uma total reestruturação nacional, que passa a se chamar Restauração Meiji. Para realmente modificar as estruturas do país, Mutsuhito, o imperador Meiji precisou promover as mudanças mais radicais, como a abolição da classe dos samurais. Precisava modernizar o país para atender as necessidades de desenvolvimento capitalista. Em 1890 foi instituído um governo constitucional, tendo como modelo a constituição alemã.

Com o tempo, o governo japonês começa a enfrentar questões internacionais. Quer que a Coréia estabeleça relações comerciais com o Japão. Mas a China, que cobrava tributos da Coréia e a via como parte de seu território, não se simpatiza com os interesses japoneses. O desentendimento com a China irá lançar o Japão na primeira experiência bélica com o uso de armamentos modernos. Surpresos, os países do ocidente assistem a vitória japonesa sobre a China. Aumenta no Japão o sentimento nacionalista, fortalecendo o espírito militar.

Numa outra guerra, desta vez com a Rússia, novamente o sucesso esteve do lado do Japão. A partir de então, o Japão pode se considerar a nação mais influente de toda Ásia.

O mérito do imperador Meiji, que governou o Japão por 45 anos, foi o fortalecimento interno, modernizando em pouco tempo os setores industriais, políticos e sociais. É também o momento de efervescência intelectual com a tradução e leitura dos clássicos ocidentais.

Durante o governo Meiji, a concentração urbana causada pelos êxodos rurais, vai provocar a emigração para outros países. Primeiro os emigrantes foram para o Havaí, depois Peru e, a partir de 1908, vieram para o Brasil.

O fenômeno emigratório japonês é conseqüência de momentos de grandes mudanças estruturais na sociedade japonesa. Se durante o período de reclusão, da era Tokugawa, os japoneses tiveram de isolar-se do resto do mundo, mudanças radicais aconteceriam com o advento da era Meiji. De certa forma, o processo se deu de maneira inversa. A transição do trabalho campesino para o industrial trouxe conseqüências drásticas. Problemas de modernidade que o Japão foi obrigado a resolver através da emigração.

 

PERÍODO / ERA: TAISHÕ

– início 1912

O imperador Meiji morre em 1912, tendo como sucessor o príncipe Yoshihito, o imperador Taisho. É neste governo que o Japão participa da I Guerra, ao lado dos aliados. Não foi um governo centralizador como o de Meiji, caracterizado pelo avanço das idéias democráticas. Os democratas queriam menos poder para o imperador e mais para o povo. O sufrágio universal se torna lei em 1925, mas só beneficiando homens acima de 25 anos. Movimentos de cunho operário ganham notoriedade ao lado das idéias socialistas e as dos sindicatos.

Entretanto, mal a democracia começa a criar raízes, nos moldes ocidentais, ela tem morte prematura. Tal como o cristianismo nos séculos XVI e XVII, a democracia é uma idéia pouco atraente para a aristocracia japonesa. A oligarquia não está disposta a ceder espaço. O primeiro-ministro Hara Takashi assume o cargo em 1918. Três anos foram suficientes para que um atentado colocasse fim ao seu governo. Hara não era ligado nem à aristocracia e nem à oligarquia “Hambatsu”, que apoiava o imperador.

 

Grande terremoto que ocorreu em Kanto em 1923. (Foto: Reprodução)

 

No setor econômico, o Japão obteve sucesso durante o período Taisho. Conseguiu monopolizar o mercado asiático, sem a intromissão dos europeus. Devido a desgaste provocado pelo conflito de 1914 a 1918, a Europa estava debilitada. Os industriais japoneses lançam-se a construir navios diante da escassez mundial deste produto. E conseguem capitalizar na indústria naval. Os produtos industrializados, antes fornecidos pela Alemanha, agora são fabricados pelos japoneses que conquistam o mercado. É o caso dos produtos químicos, medicamentos, tintas e adubos. Dos ingleses, os japoneses tomam o mercado asiático de fiação e tecelagem.

Os grandes bancos japoneses são formados nesta época, devido, principalmente, ao crescimento do parque industrial. São grupos de créditos como o Mitsui, Mitsubishi, Sumitomo, Yasuda e Daiichi.

O crescimento da economia japonesa foi temporário. Durou enquanto a Europa demorou para se recuperar. Com o fim da guerra, os japoneses conheceram o reverso do sucesso capitalista. Os produtos japoneses perdem espaço no mercado. Com isso, a recessão toma conta da vida dos japoneses, mas é justamente nesta situação que prosperam as idéias democráticas.

O fim da era Taisho, de altos e baixos, de democracia e crescimento econômico, vai ser marcado com a ascensão das idéias nacionalistas, com o respaldo dos militares.

 

PERÍODO: SHOWA

início 1912

De Hirohito até Akihito

Imperador Hirohito usando uniforme de gala. (Foto: Acervo Imperial – reprodução)

Ao falar da era Showa, remetemo-nos naturalmente ao imperador Hirohito – nome que usava quando vivo -, que teve o mais longo dos governos no Japão moderno. De 1926 até 1989, portanto, por 64 anos o imperador Shôwa governou um país que passou por uma guerra mundial, a responsabilidade e o peso da derrota, inclusive experimentando os horrores da bomba atômica, seguida de um intenso trabalho para a recuperação do país. Após a guerra. O imperador, até então considerado uma divindade, declara ser um homem de carne e osso. Falando pelo rádio para todo o país para explicar a derrota, e mais tarde, caminhando pelos destroços e pedindo para que o povo tivesse esperança para reconstrução, ele assumiu a condição de um ser humano. E foi a primeira vez que a grande maioria dos japoneses ouviu ou viu seu líder de perto.

Todas as contradições do Japão’ estiveram presentes na era Showa. De nação bélica, o Japão se tornou um país pacífico, cujo espírito provém inclusive da cláusula de sua nova Constituição.

Quando o imperador Showa recebeu o governo de seu antecessor Taisho, a crise estava instaurada. O malogro da democracia tinha criado condições para o fortalecimento de forças paralelas. Para piorar, o “crack” da Bolsa de Nova York em 1929 afetou a já debilitada economia japonesa. O desemprego chega a uma cifra assustadora: dois milhões de trabalhadores estavam fora das fábricas. Na zona rural, o preço dos produtos agrícolas chega ao ponto crítico. Em contrapartida, há o acúmulo de riqueza nas mãos dos capitalistas. Os partidos políticos estão ameaçados pela corrupção. Nesta instabilidade econômica e política nasce o germe do fascismo japonês. Trata­-se de um sistema populista centralizador alicerçado na figura do imperador como o único caminho que poderá conduzir o Japão para o desenvolvimento.

Cada vez mais aumenta a influência dos militares diante do fracasso do sistema democrático. O incidente que vai reforçar a expansão imperialista japonesa, sob o comando dos militares, é o de Manchúria. A força japonesa estacionada naquela província desde 1919 provoca em 1931 uma explosão na Estrada de Ferro Sulmanchuriana, pertencente ao governo japonês. A culpa recai sobre os chineses e com isso surge o argumento necessário para justificar uma agressão militar. Assim se inicia o ataque a cidades chinesas pelo exército japonês.

Com a tomada do território, é declarada a independência da Manchúria, colocando como regente Pu Yi, o último imperador da dinastia Ching, deposto pela república. Este Estado, controlado pelos japoneses, é chamado Manchukuo­ – Nação Manchu.

A situação interna no Japão não é das melhores. Não há liberdade de expressão. Os líderes socialistas, operários e liberais desaparecem de cena. São condenados ao ostracismo ou desaparecem nos porões da repressão.

Devido às campanhas militares na China, a economia japonesa encontra-se dilapidada e o comércio exterior impedido de se expandir por pressão dos aliados. Foi quando os Estados Unidos resolveu dar o golpe fatal. O governo americano suspende em 1939 a venda de matérias-primas e demais insumos industriais para o Japão. O petróleo seria uma delas.

Nenhum acordo com o presidente Franklin Roosevelt foi possível. Do lado japonês, o endurecimento das posições se dá com o ministro da Guerra, o general Tojo Hideki, que ascende ao cargo de primeiro ministro. O general não queria mais acordo com os Estados Unidos, preferindo a opção pela guerra.

Ainda não tinha amanhecido no Havaí, em 07 de dezembro de 1941, quando a aviação japonesa ataca a base norte-americana de Pearl Harbor. Em seguida, declara guerra aos Estados Unidos e Inglaterra. Mas a entrada do Japão na guerra estava fadada ao fracasso. Já em 1942, os japoneses davam sinais de debilidade nas guerras do Pacífico.

Derrotado na guerra, o Japão precisa ser reconstruído e adaptado à modernidade. No entanto, teve que arcar com as dores que fora infligida ao seu povo.

As forças aliadas ocuparam o Japão no ano de 1945, sob o comando do general Douglas Mac Arthur. O período da ocupação americana estabeleceu-se entre 1945 a 1951, que serviu como incentivo para o Japão retomar o caminho do desenvolvimento. Foram eliminadas as idéias bélico-imperialistas e restaurada a democracia. Uma década depois, o Japão mostrava sinais de recuperação, e daí surgiu à famosa expressão “Milagre japonês”.

Algumas décadas foram necessárias para colocar o Japão entre os países adiantados. Se no início os produtos japoneses eram considerados baratos e ruins até pelos próprios japoneses, em pouco tempo o País passou a ameaçar os Estados Unidos como segunda potência econômica. Assimilando bem os ensinamentos dos americanos quanto ao aumento de produtividade e melhoria de qualidade, os japoneses passaram a adotar métodos de trabalho que hoje são utilizados no mundo inteiro, que visam principalmente a eliminar o desperdício no processo industrial. Na área comercial, os japoneses ganharam dos americanos em muitos segmentos. Produtos japoneses invadiram as lojas dos Estados Unidos.

O grande desenvolvimento econômico do Japão provocou, a partir da década de 80, um movimento inverso de imigração, comparado àquele do início do século. Os nikkeis do Brasil, do Peru e dos demais países sul-americanos estão retomando ao Japão como mão-de-obra não especializada. São conhecidos como “Dekassegui”. Sonham retomar ao Brasil após alguns anos de trabalho no Japão. Por isso, trabalham arduamente a fim de poupar o suficiente para montar um negócio próprio ou adquirir bens no Brasil. Isso nem sempre se realiza. Depois de retomarem ao Brasil, passado algum tempo, voltam ao Japão. E o ciclo volta a se repetir enquanto não conseguem garantir uma estabilidade financeira. A comunidade brasileira no Japão é grande e com isso muitas casas de espetáculos procuram programar shows de música brasileira, enquanto muitos supermercados oferecem comidas típicas. É a cultura brasileira chegando naquele país.

Em 1989, os japoneses choram a morte do imperador Hirohito, que acompanhou os momentos mais difíceis do povo japonês. O imperador que assumiu a nova era, a de Heisei, Akihito, foi o primeiro a se casar com uma moça plebéia, a imperatriz Michiko, e também foi o primeiro a criar seus filhos em sua própria casa. Apesar de a aparência sempre discreta da família imperial ter se mantido a mesma, transformações estavam ocorrendo dentro da milenar tradição. O príncipe herdeiro, Naruhito, seguindo o exemplo do pai, também se casou com uma moça sem laços familiares com a nobreza.

 

O Japão atual

Nos anos que se seguiram a Segunda Guerra Mundial, a cooperação entre governo e indústria, em conjunto com um forte trabalho ético, e uma alocação de defesa relativamente pequena (1% do PIB), foram os fatores determinantes para o desenvolvimento tecnológico e econômico do Japão.

Duas características notáveis na economia do pós-guerra foram às estruturas interligadas entre fabricantes, fornecedores e distribuidores (conhecido como keiretsu), e a garantia de emprego vitalício para a porção considerável da força de trabalho urbana. Atualmente, ambos os grupos estão sofrendo graças à pressão da concorrência global e das mudanças demográficas internas. O setor industrial do Japão é fortemente dependente da importação de matérias-primas e combustíveis.

Um pequeno setor agrícola é subsidiado e protegido, tendo uma das melhores safras do mundo. Normalmente, autossuficiente em arroz, o país importa cerca de 60% dos seus alimentos sob uma base calórica.

O Japão possui uma das maiores frotas de pesca do mundo, sendo responsável por quase 15% de toda a pesca global.

Por três décadas, o crescimento real da economia mundial tem sido espetacular – médias de 10%, 5% e 4% nas décadas de 1960, 1970 e 1980, respectivamente.

Entretanto, o crescimento desacelerou acentuadamente na década de noventa, com media de apenas 1,7%, em grande parte por causa dos efeitos e investimentos ineficientes durante a bolha dos preços de ativos na década de oitenta, que exigia um período longo de tempo para empresas reduzirem seus excessos de dívidas, capital e trabalho.

Medido numa base de paridade de poder de compra (PPC), que ajusta as diferenças de preços, o Japão ficou em 2011 com a terceira maior economia do mundo, perdendo seu status de segundo para a China. A queda acentuada de investimento empresarial e da demanda mundial pela exportação japonesa no final de 2008, colocou o Japão em uma grave recessão.

Os gastos de estímulo do governo ajudaram a economia a se recuperar no final de 2009 e início de 2010, no entanto, a economia decaiu novamente em 2011 devido ao Grande Terremoto de magnitude 9,0, ocorrido em 11 de março de 2011, que quase devastou o nordeste do país.

O fornecimento de energia elétrica ficou restrito no país desde que o Governo desativou, por medida de segurança, praticamente todas as suas usinas nucleares após a crise nuclear desencadeada pela usina Fukushima Daiichi, atingida pelo tsunami decorrente do Grande Terremoto de março. As estimativas dos custos diretos dos danos – reconstrução de residências e moradias em geral, fábricas e infraestrutura – variam entre 235 bilhões a 310 bilhões de dólares.

O primeiro-ministro Yoshihiko Noda propôs a abertura dos setores agrícolas e de serviços a uma maior concorrência externa, aumentando as exportações por meio de parceria transpacífica com os EUA,  em negociações comerciais. Além de continuar com os acordos de livre comércio com a UE e com outros países. Mas o debate continua sobre a reestruturação da economia, principalmente em como frear a enorme dívida do governo japonês, que ultrapassa os 200% do PIB.

A deflação persistente, a dependência das exportações para impulsionar o crescimento e a grande parte da população constituída de idosos, são uns dos grandes desafios para a economia japonesa.

Contudo, o Japão é sinônimo de superação. O nível de reorganização desse país é algo incrível, chegando ao extraordinário. É como estar sempre pronto a recomeçar, seja um recomeço de pós-guerra, de tragédias naturais como os “Grandes terremotos” ou tragédias infligidas por bombas nucleares como as de Hiroshima e de Nagasaki.

Uma nação resiliente por natureza, que aprendeu com grandes perdas a necessidade de recomeçar, com certeza não permitirá que esta resseção econômica perdure por longo tempo.

 

Alguns Patrimônios da Humanidade no Japão

Hokkaido: Parque Nacional de Shiretoko.

Tohoku: Bosques e zona de Proteção Ambiental de Shirakami-Sanchi, nas prefeituras de Akita e Aomori; Hiraizumi – Templos, jardins e sítios arqueológicos, representando a “Terra Pura Budista”.

Kanto: Santuários e Templos de Nikko; Ilhas Ogasawara.

Chubu: Vilas Históricas de Shirakawa-go e Gokayama; Locais Sagrados e Rotas de Peregrinação nos Montes Kii, em Kansai e Chubu.

Kansai: Monumentos Budistas na Região de Horyu-ji, província de Nara; Monumentos Históricos da “Antiga Kyoto” (Cidades de Kyoto, Uji e Otsu); Monumentos Históricos da Antiga Nara; Locais Sagrados e Rotas de Peregrinação nos Montes Kii, em Kansai e Chubu.

Chugoku: Memorial da Paz de Hiroshima (Cúpula Genbaku); Santuário Xintoísta de Itsukushima, em Miyajima; Mina de Prata de Iwami Ginzan e Sua Paisagem Cultural, em Oda.

Kyushu: Yakushima; Sítios Gusuku e Propriedades Relacionadas do Reino de Ryukyu, na província de Okinawa.

Maravilhas do Japão: Palácio Imperial Gosho (onde o Imperador do Japão é entronado), Templo Kinkakuji (com o “Pavilhão Dourado”); Os templos de Higashi Honganji e Nishi Honganji – todos em Kyoto; Monte Fuji, atualmente está sendo cogitado para ser patrimônio “natural” mundial pela Unesco.

 

Divisões administrativas

As entidades públicas locais do Japão, chamadas de cidades, municípios e vilas (shichoson), o distrito de Tóquio (tokubetsuku), e as províncias (todofuken) são referidos como governos locais. Em outubro de 2011, o Japão tinha um total de 786 cidades (shi), 752 municípios (Cho), e 184 vilas (son), para um total de 1.722 shichoson. Com o acréscimo dos 23 distritos de Tóquio, esse total chega a 1.743.

O Japão possui 47 províncias (prefeituras): 1 to (Tóquio To), 1 do (Hokkaido), 2 fu, (Osaka Fu e Kyoto Fu), e 43 ken. 

PrefeituraCapitalRegião
01HokkaidoSapporoHokkaido
02AomoriAomoriTohoku
03AkitaAkitaTohoku
04IwateMoriokaTohoku
05MiyagiSendaiTohoku
06YamagataYamagataTohoku
07FukushimaFukushimaTohoku
08GunmaMaebashiKanto
09TochigiUtsunomiyaKanto
10IbarakiMitoKanto
11SaitamaSaitamaKanto
12ChibaChibaKanto
13TóquioTóquioKanto
14KanagawaYokohamaKanto
15NiigataNiigataChubu
16ToyamaToyamaChubu
17IshikawaKanazawaChubu
18FukuiFukuiChubu
19NaganoNaganoChubu
20YamanashiKofuChubu
21GifuGifuChubu
22ShizuokaShizuokaChubu
23AichiNagoyaChubu
24MieTsuKinki
25ShigaOtsuKinki
26KyotoKyotoKinki
27NaraNaraKinki
28OsakaOsakaKinki
29HyogoKobeKinki
30WakayamaWakayamaKinki
31OkayamaOkayamaChugoku 
32HiroshimaHiroshimaChugoku
33TottoriTottoriChugoku
34ShimaneMatsueChugoku
35YamaguchiYamaguchiChugoku
36KagawaTakamatsuShikoku
37TokushimaTokushimaShikoku
38KochiKochiShikoku
39EhimeMatsuyamaShikoku
40FukuokaFukuokaKyushu
41SagaSagaKyushu
42NagasakiNagasakiKyushu
43OitaOitaKyushu
44KumamotoKumamotoKyushu
45KagoshimaKagoshimaKyushu
46MiyazakiMiyazakiKyushu
47OkinawaNahaOkinawa

 

Mapa Oficial do Japão (por regiões)

Japão - Mapa do Japão por regiões (Imagem: Embaixada do Japão no Brasil)

Mapa do Japão por regiões (Imagem: Embaixada do Japão no Brasil)

 

 

Por Maria Rosa: 1ª publicação em 2007 | Ultima atualização: dezembro de 2012.

Fontes:

• Livro: História do Japão “Origem, desenvolvimento e tradição de um país milenar” | Autores: Francisco Noriyuki Sato, Antonio Paulo Goulart, Roberto Kussumoto e Francisco Handa | Editora: Ver Curiosidades. “Parte integrante deste artigo, “Períodos e Eras”, que foi extraído do livro, é de autoria de Francisco Handa, Doutor em História pela Unesp e monge budista da escola Soto Zen. Handa foi editor do Portal Cultura Japonesa, onde é autor de diversos artigos relacionados sobre o assunto.”

• Relatório da CIA 2012 sobre o Japão | Site oficial da CIA – Tradução: Thiago Zuchetto.

• Livro: História da cultura japonesa | Autor: José Yamashiro | Editora: IBRASA.

• Site oficial da Embaixada do Japão no Brasil | Categoria: regiões.

 

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