História do Japão

Saiba por que o crisântemo é a flor nacional do Japão

Crisântemos, obra do artista Miyashita Yuzuaoi (Foto: garouooo.jp)

O crisântemo carrega vasto simbolismo na cultura japonesa, figurando no Brasão Imperial e até mesmo na bandeira do Japão.

Atualizado em 02/03/2017


Muitos estão familiarizados com a bandeira japonesa, um sol vermelho sobre um fundo branco, que alguns supõem que tal emblema seja originalmente vinculado a Amaterasu, Deusa do Sol na mitologia japonesa e da qual é creditado a descendência da família imperial. Entretanto, esta suposição é ledo engano, pois trata-se de uma variação do estandarte do sol que, posteriormente, adquiriu raios simbolizando o “Crisântemo de dezesseis pétalas”, flor que representa o Império do Japão.

Em tempos antigos, signos astrológicos com diferentes simbolismos figuravam nos estandartes chineses, que descreviam o sol, lua, lebre, acácia, pássaro, tartaruga, dragão, tigre, entre outros. Tais estandartes foram adotados pelo Japão no século VII, com os que representavam o sol e a lua. O sol representava o irmão mais velho do Imperador e, a lua, sua irmã. Porém, com o passar do tempo, os japoneses abandonaram muitos desses signos astrológicos tão caros aos chineses.

Bandeira japonesa
Foi somente em 1859 que surgiu a necessidade de se criar uma bandeira oficial para o Japão, época em que o país adotou apenas o estandarte do sol. No entanto, um simples círculo sem raios não era o suficiente e executou-se então um desenho mais elaborado com o “crisântemo de dezesseis pétalas”, um simbolismo apropriado ao padrão Imperial.

Bandeira do Sol Nascente (Foto: Creative Commons)

Surgiu então a “Bandeira do Sol Nascente”, que muitos acreditam tratar-se apenas dos rais solares. Contudo, os dezesseis raios do sol são projetados em referência ao crisântemo de dezesseis pétalas.

Nominada em japonês como Kyokujitsu-ki, a Bandeira do Sol Nascente foi adotada pela primeira vez como bandeira naval em 7 de outubro de 1889 e usada pelo exército imperial japonês até o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Linda e, ao mesmo tempo polêmica, essa bandeira foi banida após o Tratado de São Francisco, que proibia o Japão de ter as suas próprias forças armadas, o que foi adotado na Constituição pacifista do país após a adoção do artigo 9.

Posteriormente, em 1952, a Bandeira do Sol Nascente começou a ser utilizada para representar as Forças de Autodefesa do japão – adotada oficialmente em 30 de junho de 1954. Atualmente, ela é usada como bandeira naval da Força Marítima de Autodefesa do Japão (JMSDF).

Crisântemo, a flor nacional do Japão
O crisântemo então tornou-se a flor nacional do Japão por refletir um simbolismo fértil de significados culturais do país desde os tempos antigos.

Crisântemo na arte japonesa
Famosas pinturas mitológicas de barcos, castelos, pontes e vários outros objetos foram desenhados a partir dessa flor, com admirável habilidade de artistas japoneses desde os tempos antigos até os atuais.

Trono do Crisântemo
Outrora o crisântemo figurou como uma insígnia na “Guerra dos Crisântemos”, um longo conflito civil que dividiu a nação em duas facções hostis. Nos tempos atuais, no entanto, a flor representa a união do Império japonês, com seu trono apropriadamente nomeado de o “Trono do Crisântemo”.

Selo Imperial do Japão
O Crisântemo de dezesseis pétalas figura no “Selo Imperial de Japão” (Kikka Monsyo ou Kiku no Gomon), que também é chamado de Seal Crisântemo ou Crisântemo Flor Seal. O emblema ou crista é usado por todos os membros da Família Imperial do Japão.

Selo Imperial do Japão (Imagem: Edição de arte Mundo-Nipo)

Sob a Constituição Meiji, ninguém estava permitido a usar o selo imperial, com a exceção do Imperador do Japão. Posteriormente, cada membro da família imperial passou a usar uma versão ligeiramente modificada do selo. Alguns santuários xintoístas usaram relevantes versões modificadas do Selo Imperial, enquanto outros santuários incorporaram elementos da insígnia em seus próprios emblemas.

O símbolo é um crisântemo amarelo ou laranja com linhas pretas ou vermelhas. A esfera central é cercada por um jogo dianteiro de dezesseis pétalas. O jogo traseiro de pétalas é coberto parcialmente pelo jogo dianteiro, sendo visível nas bordas da flor.

Tradicionalmente, o Selo Imperial é tratado como se fosse o Selo Nacional do Japão. Ele se encontra, por exemplo, nas capas dos passaportes japoneses.

Passaporte japonês (Foto: Shutterstock)

Passaporte japonês (Foto: Shutterstock)

Por Maria Rosa (artigo criado originalmente em 2008)
Fontes principais de pesquisa
• Livro: Legends of Japan | Author: F. Hadland Davis
• Livro: Japan – Dictionary Culture and Civilization | Autores: Frederic Louis David and Alvaro Iwang
• Livro: História da cultura japonesa – Autor:  José Yamashiro | Edição e publicação: Editora Ibrasa.

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