Mitos e Lendas

Simbologia e lendas sobre as borboletas no Japão

No Japão, as lendas sobre borboletas são muito mais do que simples contos, sendo ricas em simbolismos, estes insetos carregam uma vasta representação na cultura do país.

Atualizado em 13/07/2016 – 10h55


A borboleta tem o seu folclore originário da China, onde figura, desde tempos idos, tornando-se um dos temas preferidos entre os artistas japoneses após sua introdução na cultura japonesa.

Diz-se que as lendas a seu respeito surgiram quando um erudito chinês, de nome Rosan, recebeu a visita de dois espíritos femininos que o regalaram com histórias fantásticas sobre esses lindos insetos alados.

Borboletas e peônias, por Ito Jakuchu (Foto: Distribuição/Museu da Casa Imperial do Japão)

“Borboletas e Peônias”, pintura em tinta sobre ceda. A obra é detalhe de um pergaminho suspenso que faz parte de um conjunto de trinta obras sobre o tema “Reino Colorido dos Seres Vivos”, pintados pelo artista Ito Jakuchu, entre os anos de 1757-1766. Esta obra faz parte da coleção do Museu do Palácio Imperial do Japão. (Foto: Distribuição/Agência da Casa Imperial)

No Japão, as lendas sobre borboletas são muito mais do que simples contos, sendo ricas em simbolismos. Estes lindos e magníficos insetos alados carregam uma vasta representação na cultura japonesa.

As borboletas figuraram com grande destaque na própria história japonesa, onde, em tempos idos, representou papel importante na tomada de decisões Imperiais, além de misteriosa participação em uma rebelião contra o governo de Kyoto no período Heian.

Borboletas do amor
Contam que o Imperador Xuanzong, governante chinês do período Tang, conhecido no Japão como Imperador Genso, fazia com que as borboletas escolhessem seus amores.

Concubina do Imperador (Imagem: Criação do artista Mr. Bro – Todos os direitos reservados à Sofas Hiroihana)

Concubina do Imperador (Imagem: Criação do artista Mr. Bro – Todos os direitos reservados à Sofas Hiroihana)

As concubinas do Imperador eram escolhidas durante uma festa de vinhos, ao ar livre, onde lindas jovens eram convidadas para abrir as gaiolas que prendiam uma variedade de borboletas, e as jovens, em que estas borboletas pousassem, imediatamente ganhavam os direitos de concubina real.

Borboletas de bom e de mau agouro
No Japão, em tempos antigos, acreditava-se que a borboleta representava a alma das pessoas.

Se acaso uma borboleta entrasse em um quarto e se instalasse atrás de um biombo de bambu, era sinal de que a pessoa que ela representava chegaria em breve. A presença da borboleta na casa era sinal de bom agouro, embora dependesse do tipo de pessoa que estava para chegar.

Entretanto, nem sempre a borboleta era arauto de boa sorte, principalmente quando elas figuraram na história sobre Taira no Masakado. Um samurai que foi considerado herói no período Heian por ter desafiado o Governo da época, embora tenha cometido atrocidades, além de uma vida rodeada por estranhos acontecimentos.

Quando Masakado estava secretamente preparando a revolta em Kyoto, ocorreu um estranho enxame de borboletas que apavorou toda a cidade. Sugeriu-se que as borboletas seriam os espíritos daqueles que iriam morrer.

As borboletas, dizem os crédulos, são as almas dos mortos que aparecem sob essa forma para indicar o exato momento em que a alma deixa o corpo.

A borboleta branca
Existe uma lenda japonesa, muito bonita e tocante, a respeito de borboleta branca, que muitos consideram como fato ocorrido em tempos antigos no Japão.

Conta à lenda que um ancião chamado Takahama vivia em uma casinha atrás do cemitério de Sozanji.  Ele era uma pessoa extremamente gentil e de modo geral, gostava de seus vizinhos, embora muitos deles o considerassem um tanto maluco.

Sua maluquice, ao que parece, provinha do fato de nunca ter casado e tão pouco demostrado desejo de relacionamento íntimo com uma mulher. No mais, o ancião era solícito com todos, “um ser de extrema bondade”, que levava uma vida simples e honesta.

Certo dia de verão, o ancião adoeceu gravemente e pediu para chamar a cunhada e o sobrinho, que tudo fizeram para ajudá-lo em seus últimos momentos.

Enquanto sua pequena família o assistia, Takahama adormeceu. Nem bem isso ocorreu, uma borboleta branca entrou no quarto e pousou em seu travesseiro. O jovem sobrinho tentou espantá-la com um leque, mas por três vezes ela voltou como se não quisesse deixar o enfermo ancião.

Por fim, o sobrinho de Takahama expulsou-a para o jardim, e do jardim para o cemitério onde posou sobre o túmulo de uma mulher por algum tempo, desaparecendo depois misteriosamente.

Ao se aproximar do túmulo, o jovem viu o nome “Akiko”, e uma inscrição constando que ela morrera aos dezoito anos de idade. Embora a sepultura estivesse coberta de musgo e sido construída há uns cinquenta anos, ele observou que ela estava rodeada de flores e que um pequeno vaso fora recentemente enchido de água.

Ao regressar, encontrou Takahama morto. Então resolveu contar a mãe o que vira no cemitério.

“Akiko”? Perguntou a mãe. “Escute, meu filho, quando seu tio era jovem, ele estava prometido para Akiko, que morreu de tuberculose pouco antes de se casarem. E quando ela deixou este mundo, seu tio decidiu morar perto de sua sepultura, fazendo votos de nunca mais se casar. Durante todos esses anos ele se manteve fiel a esse voto e guardou no coração a doce lembrança de seu único amor. Diariamente ele ia ao cemitério, rezava por ela, limpava a sepultura e depositava flores. Quando Takahama não pôde mais cumprir essa tarefa, Akiko veio busca-lo sob a forma daquela borboleta branca.”

Pouco antes de partir para a Terra da Primavera Amarela. Takahama murmurou:

“Onde as flores dormem,
Graças a Deus eu dormirei esta noite.
Borboleta, venha me buscar!

 

No Japão, as borboletas são vistas como as almas dos vivos e dos mortos. Elas são consideradas símbolos de alegria e longevidade (Imagem: Misaki Reika )

No Japão, as borboletas são vistas como as almas dos vivos e dos mortos. Elas são consideradas símbolos de alegria e longevidade (Imagem: Misaki Reika – cedida gentilmente pela artista ao Mundo-Nipo)

Por Maria Rosa (Artigo criado originalmente em 2010)
Principais fontes de pesquisa
Livro: Legends of Japan | Author: F. Hadland Davis
Livro: Contes et légendes du Japon / Coleção Aux Origines Du Monde | Autor: Maurice Coyaud

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