Esportes

Inclusão e superação marcam a festa de abertura da Paralimpíada do Rio

Festa de abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 (Foto: Xinhua/Li Ming)

O espetáculo celebrou o respeito à igualdade, à diversidade, à união entre os povos e à superação dos limites do corpo humano.

A cerimônia de abertura da Paralimpíada Rio-2016, realizada na noite de ontem no Maracanã, foi mais simples do que as festas que iniciaram a Olimpíada, no mês passado, mas rica em entusiasmo, com momentos tocantes, repleta de mensagens de inclusão e demonstrações de superação dos limites do corpo humano.

Ao declarar abertos os Jogos Paralímpicos, o presidente Michel Temer (PMDB) foi bastante vaiado.Pouco antes do início da festa, parte do público já havia gritado “Fora Temer”. Nenhum chefe de Estado estrangeiro compareceu no Maracanã.

Na parte final da cerimônia, o público vaiou Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Organizador Rio’2016, após o dirigente agradecer aos governos federal, estadual e municipal. Nuzman precisou interromper seu discurso. Aos poucos, as vaias se transformaram em aplausos e o dirigente, então, retornou o discurso após cerca de um minuto.

Criada pelo trio formado por Vik Muniz (artista plástico), Marcelo Rubens Paiva (escritor) e Fred Gelli (designer), a festa começou com um vídeo. O protagonista foi Sir Philip Craven, medalhista paraolímpico britânico do basquete nos anos 1970 e hoje presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês).

Craven, no vídeo, viajou com sua cadeira de rodas até Belém e em seguida para o Rio, em um breve passeio pela cultura brasileira. Foi um recurso simpático, seguido de um grande momento: a descida em alta velocidade do atleta radical e cadeirante Aaron Wheelz em uma rampa de 17 metros.

Outro ponto alto foi a execução do Hino Nacional pelo maestro e pianista João Carlos Martins, que não usa todos os dedos para tocar por causa de uma sequência de atrofias e paralisias. A bandeira do Brasil foi formada por voluntários com adereços nas cores nacionais.

Embalado por Monarco da Portela, pastoras da escola, Maria Rita, Diogo Nogueira, Hamilton de Holanda, Pretinho da Serrinha e Xande de Pilares, com clássicos como “A voz do morro” (Zé Keti) e “O campeão” (Neguinho da Beija-Flor), o segmento dedicado à roda tratou da importância desta invenção para toda a humanidade, não só para cadeirantes.

A praia foi retratada como espaço democrático, onde se pratica surfe, “altinha”, stand-up paddle e frescobol, dando destaque aos vendedores ambulantes nas praias do rio. Projeções transformaram o palco em um grande mar azul, com a aparição, também projetada, do nadador paralímpico Daniel Dias.

Em ordem alfabética, os cerca de 4.300 atletas de 23 modalidades e 160 delegações formaram in loco uma obra interativa de Vik Muniz, um grande quebra-cabeças com seus rostos estampados nas peças que no fim formaram um grande coração, que pulsou desde e centro do Maracanã até as arquibancadas, levando o público presente explodir em aplausos.

Atleta emociona após cair com a tocha olímpica
Dentre as tantas cenas emocionantes na noite de abertura, a que mais emocionou o público foi a queda da ex-paratleta Márcia Malsar, que sofre com paralisia cerebral. Ela carregava a tocha no Maracanã quando perdeu o equilíbrio e caiu. Com a força de uma campeã dentro e fora das pistas, levantou-se e foi aplaudida de pé pelo publicou que lotou o Maracanã.

Mito Clodoaldo acende a pira olímpica
Por fim, a tocha chegou às mãos do mito Clodoaldo Silva que, em um dos seus últimos atos como atleta, acendeu a pira e deu início aos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. Dono de sete medalhas de ouro em paralimpíadas, Clodoaldo  se despede dos Jogos Paralímpicos e se aposenta no Rio. Ele foi o precursor do paradesporto no Brasil, influenciou gerações, quebrou paradigmas, lutou por um país mais respeitoso e inclusivo. O atleta sai das competições para entrar para a história. Clodoaldo foi o escolhido para acender a pira olímpica por tudo que fez nas piscinas e que faz fora delas, emocionando a todos os presentes na cerimônia de abertura.

Com 206 países assistindo ao redor do planeta, o espetáculo exibido na noite de quarta-feira, no Maracanã, ficará marcado não somente como a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, mas também como a festa do respeito à igualdade, à diversidade, à união entre os povos, à alegria de celebrar a vida e o esporte e à lição de que independentemente da deficiência, todos são iguais e tem capacidade de conquistar os seus sonhos.

Os organizadores esperam que o sucesso e a audiência da abertura alavanque a venda de ingressos para as competições, que vão desta quinta-feira ao próximo dia 18. Ainda resta por vender cerca de 1 milhão de entradas, de um total de 2,4 milhões de ingressos.

Fontes: Agência Estado | Agência Xinhua | Portal UOL.

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