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Morre japonesa que se tornou 1ª mulher a atingir o pico do Everest

Junko Tabe no pico dos montes Apo (2005) e Everest (1975) / Foto: Kyodo

Junko Tabe foi também a primeira mulher a conquistar a montanha mais alta de cada um dos sete continentes.

A alpinista japonesa Junko Tabe, primeira mulher a atingir o pico mais alto do mundo, o Monte Everest, morreu esta semana aos 77 anos em um hospital no Japão, após longa batalha contra um câncer peritoneal, segundo os meios de comunicação locais.

Tabei morreu no dia 20 de outubro, o que foi confirmado hoje (23) pelos familiares, segundo informou o jornal  ‘The Asahi Shimbun’ neste domingo.

O marido da célebre alpinista, Masanobu, de 74 anos, contou ao jornal que Junko foi confirmada com câncer peritoneal em 2012. Na época, os médicos lhe deram apenas três meses de vida.

Ela então passou por uma cirurgia e recebeu tratamentos com medicações quimioterápicas. Mesmo doente, Tabe seguiu com suas atividades de alpinismo. Sua última escalada ocorreu em junho deste ano.

Primeira mulher a atingir o pico do Monte Everest
Formada em literatura inglesa pela Universidade Feminina de Showa, onde tornou-se membro da equipe de montanhismo da universidade, Tabei criou, em 1969, o Clube Feminino de Montanhismo do Japão. Com o marido, escalou o Monte Fuji. Também escalou o Monte Matterhorn, nos Alpes suíços. Por volta de 1972, ela já era uma alpinista respeitada.

Em 1974, o jornal Yomiuri Shimbun e a rede de televisão Nihon fizeram uma seleção para montar uma equipe feminina de montanhismo que enfrentasse o desafio de alcançar o cume do Monte Everest, até então conquistado apenas por homens. Entre centenas de inscrita, quinze alpinistas foram selecionadas, incluindo Junko Tabei.

Após um longo período de treinamento, elas iniciaram a expedição no início de 1975, viajando para Katmandu, capital do Nepal, onde contrataram nove sherpas para guiá-las na subida da montanha, usando a mesma rota da pioneira conquista de Edmund Hillary e Tenzing Norgay, em 1953.

No começo de maio, o grupo estava acampado a 6.300 metros de altitude quando uma inesperada avalanche atingiu o acampamento em que o grupo se encontrava. As mulheres e os guias foram cobertos pela tempestade de neve e Junko perdeu a consciência por aproximadamente seis minutos, até ser resgatada por um guia sherpa.

Sem desistir da aventura, doze dias depois, lá estava Tabe liderando o grupo de japonesas para se tornar a primeira mulher a alcançar o cume do Monte Everest.

Em 1992, ela atingiu o pico mais alto da Europa, o Monte Elbrus ( 5.642 metros). O feito fez de Tabe a primeira mulher no mundo a conquistar a montanha mais alta de cada um dos sete continentes.

Incansável
Logo após a cirurgia em 2012, Tabe começou um doloroso tratamento com quimioterapia. Durante esse tempo, ela continuou a escalar montanhas no Japão e no exterior. Na época, ela disse a repórteres: “É ruim não se mover. Mesmo sofrendo com a doença [câncer], eu não quero ser uma inválida”.

A partir de 2012, Tabei passou a subir os 3.776 metros do Monte Fuji, o pico mais alto do Japão, a cada verão, juntamente com estudantes do ensino médio da região de Tohoku (nordeste), que foi devastada pelo terremoto e tsunami em março de 2011.

Tabei fazia essa escalada para incutir autoconfiança e coragem aos jovens da região. Dando-lhes forças para ajudar a trabalhar na reconstrução das áreas afetadas.

Nos seus últimos anos de vida, ela diminuiu as atividades como montanhista, mas continuou a trabalhar envolvida com ecologia e meio ambiente. Ela atuava como diretora do Himalayan Adventure Trust, no Japão, uma organização não-governamental que trabalha a nível global pela preservação das montanhas.

Sua última subida foi em julho deste ano. Ela tentou chegar ao cume do Monte Fuji, juntamente com os alunos da região de Tohoku. Porém, desistiu no meio do caminho após sentir-se mal.

Antes de ser levada para um hospital, ela disse aos estudantes: “Mesmo que seja difícil [subir a montanha], é possível alcançar o pico mais alto do Japão, basta subir passo a passo”, disse ela com um belo sorriso no rosto, conforme noticiou o ‘The Asahi Shimbun’.

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