Meio ambiente e Energia

Validade do Protocolo de Kyoto é prorrogada até 2020 em Doha

Os 194 países reunidos na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática aprovaram neste sábado a prorrogação do período de validade do Protocolo de Kyoto, mas sem contar com Japão, Rússia, Canadá e Nova Zelândia.

Da agência EFE

Doha, 8 dez (EFE).- Os 194 países reunidos na 18ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-18), que ocorre em Doha, no Catar, aprovaram neste sábado a prorrogação do período de validade do Protocolo de Kyoto até 2020, embora alguns países tenham se desvinculado do acordo.

 

A decisão de prorrogação da validade do Protocolo de Kyoto só veio após uma reunião informal entre o presidente da COP, Abdullah bin Hamad Al Attiyah, e as demais autoridades presentes. (Foto: PhotoXpress / Edição de arte Mundo-Nipo)

 

Com um dia de atraso e após uma intensa noite de negociações, as autoridades presentes confirmaram a validade do Protocolo de Kyoto, que expirava agora em 2012, por mais oito anos, mas sem contar com Japão, Rússia, Canadá e Nova Zelândia.

O problema é que os países que se comprometeram a reduzir suas emissões durante o segundo período de Kyoto, como os da União Europeia, além de Austrália e Noruega à frente, representam somente um pouco mais de 15% do total das emissões poluentes mundiais.

Os Estados Unidos nunca chegou a ratificar a primeira parte do protocolo e, como o esperado, também não fará parte deste segundo período.

O texto aprovado neste sábado também faz referência ao superávit de emissões do primeiro período de compromisso do protocolo, de modo que Austrália não poderá comprar os direitos de emissão acumulados no período inicial.

Em relação à União Europeia (UE), o novo texto menciona que o uso destes excedentes em seu pacote energia-clima não será permitido neste período de 2013 a 2020, assim como Japão, Liechtenstein, Mônaco, Noruega e Suíça.

Além do dia de atraso, a decisão de prorrogação da validade do Protocolo de Kyoto só veio após uma reunião informal entre o presidente da COP, Abdullah bin Hamad Al Attiyah, e as demais autoridades presentes.

“O último dia chegou e me encantaria ficar com os senhores por mais tempo aqui, mas peço que ajudem o presidente e aceitem o que podemos oferecer”, declarou Al Attiyah na ocasião.

O presidente assegurou que estaria disposto a “abrir a caixa de Pandora e voltar ao ponto de partida”, mas, neste caso, os presentes teriam que ficar em Doha “por mais de três semanas”.

Após seu discurso, Al Attiyah abriu o turno às partes, que ficaram em silêncio. Após uns segundos, o presidente anunciou a convocação do plenário da Reunião das Partes do Protocolo de Kyoto (CMP) para dar início à prorrogação de seu período de validade.

Depois do acordo, as partes discursaram para dar sua opinião sobre o mesmo. Na ocasião, o representante da delegação russa criticou a gestão da Presidência por submeter todos os afastados a votação em bloco, um fato que considerou “sem precedentes”.

O porta-voz dos Estados Unidos, por sua parte, afirmou que durante estas duas semanas foi feito um “bom trabalho”, enquanto a UE insistiu na necessidade de se avançar sobre a questão do financiamento.

A representante da UE exaltou os acordos alcançados, os quais asseguraram a empliação da validade do protocolo em menos de três semanas.

A cúpula de Doha deveria ser concluída ontem, mas, na última hora, ainda havia várias frentes abertas nos diferentes grupos de negociação, entre eles, a norma de controle para garantir a transparência no cumprimento dos diferentes mecanismos do Protocolo de Kyoto. EFE

 

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