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Japão caça 30 baleias na primeira pesca desde proibição do ICJ

Uma frota baleeira matou 30 baleias da espécie “minke” durante a temporada de caça de abril a junho no Pacífico Norte.

Do Mundo-Nipo

Japão capturou e matou 30 baleias em sua costa norte, no que representa sua primeira pesca de baleia desde que um tribunal internacional ordenou a suspensão de tal atividade na Antártida, informou a Agência de Pesca em comunicado na última sexta-feira.

 

Japão mata 30 baleias na primeira pesca desde proibição do ICJ (Foto: Cortesia da Australian Customs/Border Protection Service)

A foto mostra uma baleia minke bebê e outra adulta sendo arrastadas a bordo do baleeiro japonês Nisshin Maru (Foto: Cortesia da Australian Customs/Border Protection Service)

 

A agência disse que uma frota baleeira matou 30 baleias da espécie “minke” durante a temporada de abril a junho, como parte da atividade que o governo japonês alega tratar-se de “pesca com fins científicos” no Pacífico Norte. Outro grupo de baleeiros ainda está trabalhando em uma área mais distante do Pacífico.

A pesca de baleias nesta região é um dos dois programas de “pesquisa” que o Japão tem realizado desde 1986 após uma proibição internacional para caça comercial.

O Japão cancelou sua campanha de pesca na Antártida após o Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) anunciar sua decisão no último mês de março, e decidiu reduzir sua cota no Pacífico Norte para 210 capturas durante o ano em exercício, 170 a menos que na temporada anterior. Durante a temporada de 2013-14, Japão caçou 251 baleias minke na Antártida, ou apenas um quarto de seu alvo.

Os números mostram que a decisão do tribunal de Haia, no entanto, não afeta seu “programa científico” no Pacífico Norte e nem as pescas comerciais que o Japão realiza em suas costas.

O tribunal disse que o “programa de pesquisa” da Antártida do Japão produziu pouco em termos de pesquisa real e não conseguiu explicar por que precisava matar tantas baleias para estudo. A decisão deixou o Japão a opção de reequipar seu programa no Ártico, mas qualquer novo plano deverá enfrentar intenso escrutínio.

Na última segunda-feira, o primeiro ministro do Japão, Shizo Abe, reiterou sua posição de defender a pesca de baleias, alegando tratar-se de questões culturais, afirmando também que o ato é necessário para “realização de uma pesquisa científica indispensável”.

“Com este objetivo, aumentarei os esforços para conseguir o entendimento da comunidade internacional”, disse o primeiro-ministro do Japão, que também lamentou o fato de outros países “não entender uma parte da cultura japonesa”.

Abe insistiu sobre o “respeito” e o “apreço” que essas localidades japonesas que praticam esta pesca tradicional têm pelas baleias e, desta forma, rejeitou a “percepção exterior” que qualifica a caça destes mamíferos como um ato “sem piedade”.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo jornal ‘The Asahi Shimbun’, 60% dos japoneses acreditam que o país deveria manter seu “programa científico” de pesca de baleias apesar da sentença do CIJ, sendo que 48% admitiu ter comido a carne deste mamífero pelo menos alguma vez.

(Com informações das agências EFE, AP e Kyodo)

 


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