Meio ambiente e Energia

Fazendeiros de Fukushima querem vender suas terras ao governo japonês

O governo pretende construir instalações nessas áreas para armazenar a terra extraída durante os trabalhos de descontaminação.

Do Mundo-Nipo

Os donos de terras em áreas próximas à acidentada usina nuclear de Fukushima têm interesse em vender suas propriedades ao governo japonês. A intenção do governo é usar essas áreas para armazenar material radioativo emitido pela usina após a tragédia em março de 2011.

Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente do Japão e divulgados nesta quinta-feira (20) pelo jornal “Asahi”, um em cada quatro fazendeiros na região tenciona vender suas propriedades.

O relatório do ministério aponta que, no final de julho, 570 dos 850 proprietários que o governo japonês havia contatado, aceitaram a realização de estudos topográficos para avaliar seus terrenos, “um primeiro passo para a aquisição das terras”.

De acordo com a agência EFE, as cidades de Okuma (onde está localizada a usina de Fukushima) e Futaba, são as eleitas pelo governo para construir em uma área 16 quilômetros quadrados de instalações temporárias para armazenar a terra extraída durante os trabalhos de descontaminação. O Executivo espera guardar nelas 22 milhões de metros cúbicos de solo contaminado e resíduos radioativos até 2045.

No total, 2.365 pessoas possuem terrenos na região. Muitas se negam a vender porque não acreditam que será um depósito temporário, como assegurou o governo.

Segundo o jornal japonês, o Ministério do Meio Ambiente estaria preparado para começar os trabalhos de construção nos terrenos já adquiridos, em vez de esperar até ter comprado todas as propriedades necessárias.

Os proprietários que aceitaram o acordo de venda o fizeram por terem dúvidas de que poderão retornar a seus lares devido aos elevados níveis de radiação.

Por enquanto, foi finalizada a inspeção nas propriedades de 300 pessoas, mas só foram fechados cinco contratos de venda, detalhou o “Asahi”.

O tsunami e terremoto que devastaram o nordeste do Japão em 11 de março de 2011 provocaram o acidente nuclear na central de Fukushima Daiichi, o mais grave desde o de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

As emissões e vazamentos radioativos mantêm mais de 68 mil pessoas que viviam perto da fábrica deslocadas, e afetaram gravemente a pesca, a agricultura e a pecuária local.

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