Meteorologia

Passagem de tufão pelo sul do Japão deixa dois mortos e vários feridos

A ação das autoridades locais em deslocar quase um milhão de pessoas evitou uma possível catástrofe.

Do Mundo-Nipo com agências

A passagem do poderoso tufão Neoguri pela ilha de Okinawa, no extremo sul do Japão, provocou a morte de um homem e deixou várias pessoas feridas. Nesta terça-feira (8), chuvas torrenciais e ventos fortes castigaram várias localidades na província, centenas de voos foram cancelados e algumas edificações foram danificadas.

 

Tufão Neoguri atinge Okinawa (Foto: Kyodo)

No início desta manhã, pessoas na capital Naha corriam pelas ruas em busca de abrigo (Foto: Kyodo)

 

Embora o Neoguri tenha enfraquecido de seu estado original apontado pela Agência Meteorológica do Japão (JMA, na sigla em inglês) como “muito forte”, ele se manteve intenso, com rajadas de mais de 250 quilômetros por hora.

Desde o último domingo, avisos de alerta estavam em vigor em Okinawa, onde se esperava que a tempestade pudesse ser a mais poderosa de todos os tempos. Com isso, foram deslocadas quase um milhão de pessoas, o que certamente evitou uma possível catástrofe.

A JMA também estava advertindo sobre tempestades e inundações em Kyushu, ilha no sul do Japão, bem como fortes chuvas para o resto do país na medida em que o fenômeno se encaminha para o leste, que é a região onde se encontra as cidades mais populosas do arquipélago, Tóquio e Osaka.

“As pessoas devem ter o máximo de cautela”, disse Keiji Furuya, ministro de Estado encarregado da gestão para desastres, em entrevista coletiva.

A guarda costeira informou que um homem de 62 anos foi encontrado morto depois de ter caído de seu barco em águas agitadas, enquanto várias pessoas sofreram ferimentos leves em decorrência de quedas. A emissora pública NHK informou que um pescador de 81 anos morreu na cidade de Kumamoto.

Imagens da NHK mostraram postes balançando, árvores caídas e galhos sendo arrastados por ventos violentos e chuvas torrenciais pelas ruas desertas da cidade de Naha, capital de Okinawa.

 

Tufão Neoguri atinge Okinawa (Foto: Kyodo)

Um homem tenta atravessar a rua enquanto é atingido por galhos de árvores arrastados pelos fortes ventos (Foto: Kyodo)

 

Outras emissoras de Okinawa mostraram palmeiras sendo violentamente envergadas pelos ventos. O mar agitado mostrava sua força com ondas poderosas, atacando os quebra-mares.

Não há usinas nucleares em Okinawa, mas existem duas em Kyushu, onde é esperado a chegada do fenômeno.

“Esta é uma situação extraordinária, onde um grave perigo está se aproximando”, disse um funcionário da Agência de Meteorologia na manhã desta terça-feira.

Às 07h45 de terça-feira (19h45 de segunda pelo horário de Brasília), o Neoguri estava localizado a cerca de 80 km ao sudeste da Ilha Miyako, mas movendo-se para o noroeste a 20 quilômetros por hora, com ventos de 180k/h.

A Base Aérea de Kadena, uma das maiores instalações militares dos Estados Unidos em Okinawa e que acolhe cerca de 75% das forças americanas no Japão, estava em seu mais alto nível de alerta. Militares e civis que residem na base foram orientados a permanecerem em suas dependências.

A Nansei Sekiyu KK, uma refinaria japonesa integralmente detida pela estatal brasileira Petrobras, informou que suspendeu as operações em sua refinaria de Nishihara, em Okinawa, desde segunda-feira à noite.

Normalmente, cerca de dois a quatro tufões atingem o Japão a cada ano, mas eles são incomuns em julho.

A agência disse que a tempestade iria gradualmente rumar para o leste após atingir Kyushu em seu caminho até Honshu (a maior das cinco ilhas principais do arquipélago japonês), e deve atingir a capital japonesa na sexta-feira (11).

“A tempestade estará mais fraca quando chegar à Tóquio, mas, ainda assim, levará muita chuva e algumas rajadas de vento a capital”, afirmou um porta-voz da agência na noite de segunda-feira.

O “alerta especial” da Agência Meteorológica do Japão é um tipo de aviso emitido apenas quando há “real” possibilidade de acontecer um desastre natural, detalha a Agência Kyodo. Este tipo de alerta entrou em uso em agosto de 2013, e emitidos apenas quando fenômenos naturais são considerados de alto risco, em níveis que ocorrem apenas “uma vez a cada 10 anos”.

(Com informações da NHK News e Agência Kyodo)

 


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