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Dólar tem 4ª alta seguida e fecha no maior valor em mais de 1 mês

A moeda dos EUA superou o patamar de R$ 2,70.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar avançou quase 1% sobre o real nesta segunda-feira (30) e fechou no maior patamar em mais de um mês, dando continuidade à sua sequência de valorizações, a quarta consecutiva, após avanço de quase 3% visto na sessão anterior, diante da piora dos fundamentos econômicos domésticos e da preocupação com uma redução das intervenções do Banco Central no câmbio.

A moeda norte-americana encerrou o dia com valorização de 0,96%, cotada a R$ 2,7152 na venda, maior patamar desde 16 de dezembro passado, quando encerrou cotada à R$ 2,7355 na venda. Segundo dados da BM&F, o movimento financeiro ficou em torno de US$ 1,3 bilhão.

Nesta sessão, o dólar chegou a operar em baixa pela manhã, reagindo ao anúncio do Banco Central sobre o início da rolagem do lote de US$ 10,438 bilhões em contratos de swap que vence em março, mas a ausência da venda de dólares por parte dos investidores estrangeiros disparou um movimento de “stop loss” (limite de perda) por parte dos locais.

De acordo com a Agência Valor Online, os investidores buscam se ajustar a um possível cenário de menor intervenção no câmbio por parte do Banco Central, após declarações do ministro da fazenda Joaquim Levy, na semana passada, defendendo que não há intenção do governo em manter o câmbio artificialmente valorizado.

“O que vemos hoje ainda é um pouco do efeito de sexta -feira, em que o mercado reagiu à declaração do ministro da Fazenda”, afirmou ao Valor Jankiel Santos, economista-chefe do BES Investment.

A moeda americana ampliou a alta após o resultado da balança comercial, que mostrou um déficit de US$ 3,174 bilhões em janeiro. Apesar do resultado ficar abaixo do déficit do ano passado, o saldo negativo acumulado em 12 meses é o pior desde 1999. O resultado corrobora a visão de que o câmbio deve se depreciar para dar maior competitividade às exportações brasileiras

Ainda de acordo com O Valor, a preocupação com a redução das intervenções no câmbio por parte do Banco Central vem se somar à piora dos fundamentos domésticos, principalmente após o resultado fiscal de 2014, divulgado na sexta-feira. No ano passado, o setor público consolidado registrou um déficit primário de 0,63% do PIB, pior resultado da série histórica. O déficit nominal disparou para 6,7%, o que levou os déficits “gêmeos” – variável que reúne o déficit fiscal e o em transações correntes – para um valor negativo recorde de 10,9% do PIB.

Na avaliação do economista da 4Cast Pedro Tuesta, se o BC de fato reduzir sua presença no mercado, a tendência é que o dólar suba ainda mais. “Se o BC fizer rolagens de 80% (de cada lote de swaps) ou menos, poderíamos facilmente imaginar o dólar a 2,80 ou 2,85 reais”, afirmou à Agência Reuters.

Intervenções do Banco Central no câmbio
A autoridade monetária anunciou para esta manhã a oferta de até 13 mil swaps para o início da rolagem dos swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, que vencem em 2 de março. E vendeu a oferta total, rolando cerca de 6% do lote total.

Segundo a Reuters, se mantiver esse ritmo, vender sempre a oferta integral e não fizer leilão de rolagem no último pregão do mês, como vem acontecendo nos últimos meses, o BC rolará quase 100% do lote total, que corresponde a US$ 10,438 bilhões de dólares.

Pela manhã, o BC também deu continuidade às intervenções diárias, vendendo a oferta total de até 2 mil swaps com volume equivalente a US$ 98,1 milhões. Foram vendidos 500 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 1.500 para 1º de fevereiro de 2016.

(Com informações das Agências Reuters e Valor Online)

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