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Preocupação fiscal leva dólar a saltar quase 2% e fechar acima de R$ 2,75

No ano, o dólar já acumula alta de 41,41% sobre o real. No acumulado em 12 meses, a valorização chega a 67,8%.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar saltou quase 2% sobre o real nesta quarta-feira (1) e fechou no patamar de R$ 3,75 pela primeira vez desde dezembro de 2002, refletindo preocupações sobre as contas públicas do Brasil, que corre risco de perder o selo internacional de bom pagador, e especulações sobre uma possível saída de Joaquim Levy do cargo de ministro da Fazenda, o que elevou o clima de aversão ao risco entre os investidores.

A moeda norte-americana subiu 1,95%, cotada a R% 3,7598 na venda. Na máxima da sessão, o dólar atingiu R$ 3,7738, maior patamar intradia desde 13 de dezembro de 2002, a R$ 3,7750.

Trata-se da quarta alta seguida e do maior valor de fechamento em quase 13 anos, desde 12 de dezembro de 2002, quando fechou a R$ 3,785. Na véspera, o dólar subiu 1,68%, cotad0 a R% 3,688 na venda.

No acumulado do ano até agora, a divisa dos EUA já valorizou 41,41% sobre o real. A valorização é ainda maior no acumulado em 12 meses, a alta chega a 67,8%.

Os investidores estavam preocupados com as contas públicas brasileiras e com o risco de o país perder seu selo internacional de bom pagador. Na segunda-feira, o governo enviou ao Congresso proposta de Orçamento de 2016 prevendo gastos maiores do que receitas. Operadores entenderam que a decisão aumenta a chance de o Brasil perder seu grau de investimento nos próximos meses, o que pode provocar fuga de capitais do país.

Essa perspectiva vem levando investidores a venderem ativos denominados em reais, pressionando o câmbio. Esse movimento resistiu mesmo à queda do dólar em relação a outras moedas emergentes nesta sessão, um respiro após fortes altas recentes provocadas por preocupações com a economia chinesa.

A volta de rumores sobre uma possível saída do ministro da Fazendo Joaquim Levy também abalaram o mercado. A presidente Dilma Rousseff defendeu Levy nesta quarta-feira, afirmando que ele não está “isolado ou desgastado” dentro do governo.

Dilma também admitiu ser ruim o déficit primário previsto para o próximo ano, mas garantiu que o governo não vai “fugir da sua responsabilidade” e tomará as medidas necessárias para reduzir o rombo nas contas públicas do país.

A atuação do Banco Central também tem sido um foco importante para o mercado, que questiona se pode aumentar sua intervenção no câmbio para desacelerar o avanço da moeda norte-americana. Cotações mais altas tendem a pressionar a inflação ao encarecer importados.

“A questão é que o BC não vai usar armas poderosas demais, como leilões (de dólares) no mercado à vista, porque aí a sinalização vai fazer o mercado testar a disposição dele (de intervir cada vez mais)”, afirmou à agência Reuters o operador de um importante banco nacional.

“Mas, por outro lado, os leilões de linha não têm grande impacto no mercado e ele já está rolando totalmente o lote de swaps”, acrescentou.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 9,45 mil contratos de swap cambial tradicional, que equivalem a venda futura de dólares, para a rolagem do lote que vence no próximo mês. Ao todo, o BC já rolou US$ 915 milhões, ou cerca de 10$ do total de US$ 9,458 bilhões. Se continuar neste ritmo, vai recolocar todo o lote.

Na segunda-feira, o BC fez leilão de venda de até US$ 2,4 bilhões com compromisso de recompra, mas não anunciou outros até agora.

(Com informações da Agência Reuters e do jornal Folha de S.Paulo)

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