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Premiê japonês designa uma mulher para o cargo de ministra da Defesa

Tomomi Inada (Foto: AJW Images)

Considerada linha dura, Tomomi Inada é a segunda mulher a comandar o Ministério da Defesa no Japão.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, anunciou nesta quarta-feira (3) uma reforma parcial de seu gabinete e surpreendeu com a designação de uma mulher nacionalista para o ministério da Defesa, um fato excepcional.

Abe manteve a permanência de seus “homens-chave”, ou seja, o ministro das Finanças e vice-premier Taro Aso, Fumio Kishida, ministro das Relações Exteriores, e Yoshihide Suga, porta-voz do governo e chefe do Gabinete Japonês. Esses ministros representam o trio mais importante do governo de Abe há três anos.

Abe também manteve em sua equipe o ministro da Revitalização Econômica, Nobuteru Ishihara, o titular de Assuntos Internos, Sanae Takaichi, e o ministro da Saúde, Yasuhisa Shiozaki.

No Ministério da Economia, Comércio e Indústria (Mertu), o premiêr colocou Hiroshige Sejo. A mudança mais notável, no entanto, é a nomeação para a Defesa, onde sai Gen Nakatani e entra a muito conservadora Tomomi Inada, que foi ministra da Reforma Administrativa no governo anterior de Abe.

Antes de Tomomi, apenas uma mulher havia sido a titular do Ministério da Defesa no Japão. Yuriko Koike chefiou a pasta por apenas algumas semanas em 2007. Agora, ela é a governadora de Tóquio, eleita no último domingo.

Advogada formada pela Universidade de Waseda, Tomomi deve acompanhar a aplicação concreta da nova interpretação de uma parte da Constituição, possibilitada por recentes leis de defesa e segurança desejadas por Abe e que reforçam as prerrogativas das Forças Armadas japonesas no exterior.

Ela assume o ministério poucas horas depois do lançamento de um míssil norte-coreano, que caiu no Mar do Japão. Além disso, Tóquio reiterou oficialmente na terça-feira a inquietação com as iniciativas de China, que realiza uma política de fatos consumados ao decretar de forma unilateral sua soberania em grandes zonas marítimas da Ásia.

Eleita deputada pela primeira vez em 2005, Inada, de 57 anos, não é bem vista pela China porque visita regularmente o santuário Yasukuni de Tóquio, para irritação de chineses e coreanos, que consideram o santuário xintoísta um símbolo do polêmico passado militarista do Japão na Segunda Guerra Mundial.

O santuário honra as almas de 2,5 milhões de mortos, incluindo 14 criminosos de guerra condenados pelos Aliados depois da Segunda Guerra Mundial.

A nova ministra da Defesa tem por meta “defender as tradições e a criatividade japonesas para fazer do Japão um grande país da moral”.

Com a reforma, Abe pretende concentrar o governo na recuperação econômica do país – o Executivo confirmou na terça-feira um plano de 273 bilhões de dólares -, que segue afetado pela deflação há duas décadas.

Fontes: Agência AFP | Agência Kyodo.

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