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Dólar dispara e fecha acima de R$ 3 pela primeira vez desde agosto de 2004

Nos últimos quatro dias, o dólar já acumulou alta de 5,44%.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar avançou sobre o real pela quarta sessão consecutiva nesta quinta-feira (5), fechando acima de R$ 3 pela primeira vez desde agosto de 2004, pressionado por incertezas sobre o ajuste fiscal prometido pelo governo e por expectativas de que o Banco Central possa interromper seu programa de intervenções no câmbio.

A moeda norte-americana encerrou o dia com valorização de 1,03%, cotada a R$ 3,0115 na venda, após subir 1,80% na quarta-feira. Na máxima da sessão, a moeda chegou a R$ 3,0231 e, na mínima, a R$ 2,9798.

Trata-se do maior valor de fechamento desde 13 de agosto de 2004, quando chegou a R$ 3,021. Na semana, o dólar já acumula alta de 5,44%. No ano, a valorização é de 13,27%.

Segundo dados da BM&F, o movimento financeiro ficou em torno de US$ 2 bilhões, contra cerca de US$ 2,3 bilhões na véspera.

Investidores têm demonstrado preocupação com a possibilidade de o ajuste das contas públicas brasileiras não ser tão forte quanto o necessário, em meio a crescentes obstáculos políticos à implementação de cortes de gastos e aumentos de impostos.

Segundo analistas, as expectativas de uma política fiscal mais contracionista eram o único fator amortecendo a pressão exercida sobre o dólar pela deterioração dos fundamentos macroeconômicos brasileiros. A inflação deve superar 7% no período mesmo com a provável contração da economia brasileira.

A perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos, que poderia atrair para a maior economia do mundo recursos atualmente aplicados em países como o Brasil, também vem elevando as cotações do dólar globalmente. Investidores buscarão mais sinais sobre quando isso de fato acontecerá no relatório de emprego do governo norte-americano, que será divulgado na sexta-feira.

O movimento do dólar no Brasil também veio em linha com os mercados externos, onde o mercado europeu puxava uma apreciação generalizada da divisa. A moeda europeia reagia à declaração do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, de que o BCE pode estender seu programa de compra de títulos para além de setembro de 2016, “se necessário”, injetando mais euros no mercado global.

A pressão cambial tem levantado dúvidas sobre o futuro das intervenções do Banco Central no mercado, marcada para durar pelo menos até o fim deste mês. “Mesmo se os leilões forem acabar, é melhor isso do que ficar no escuro. Agora, há muita incerteza”, disse à agência Reuters o operador de uma corretora internacional.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 2 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, pelas rações diárias. Foram vendidos 1.700 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 300 para 1º de fevereiro de 2016, com volume correspondente a US$ 98,3 milhões.

O BC também vendeu a oferta total no leilão de rolagem dos swaps que vencem em 1º de abril. Até agora, foram rolados cerca de 14% do lote total, que corresponde a US$ 9,964 bilhões.

(Com informações do jornal Folha de S.Paulo e Agência Reuters)

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