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Nagasaki lembra 72 anos de bombardeio e pede fim das armas nucleares

Cerimônia no Memorial da Paz em Nagasaki marca 72º aniversário do bombardeio atômico (Foto: Asahi)

“Nagasaki deve continuar sendo o último lugar do mundo a sofrer um ataque de bomba atômica”, diz prefeito local.

Nagasaki relembrou nesta quarta-feira (9) o 72º aniversário do bombardeio atômico que sofreu dos Estados Unidos em 9 de agosto de 1945, tornando-se assim a segunda cidade no planeta a sofrer um ataque nuclear. Em uma cerimônia realizada hoje, o prefeito local fez um apelo aos líderes mundiais para que apoiem o tratado de proibição de armas nucleares aprovado em julho.

A cidade portuária japonesa assinalou a tragédia com uma cerimônia celebrada no seu Parque da Paz, que teve o seu momento central num minuto de silêncio cumprido às 11h02 locais, hora em que os EUA lançou a bomba atômica com núcleo de plutônio, batizada de “Fat man”, sobre Nagasaki.

Após a cerimônia em memória das vítimas, o prefeito de Nagasaki, Tomihisa Taue, proferiu um discurso, no qual afirmou que a ausência do Japão nas negociações diplomáticas para o Tratado de Proibição de Armas Nucleares das Nações Unidas, adotado em julho deste ano, “é incompreensível para todos nós que vivemos nas cidades que já sofreram ataques de bombas atômicas”.

O Japão criticou este tratado ao considerar que aumentava a distância entre os países que dispõem de armamento nuclear e aqueles que não o possuem.

Nenhum dos nove países que contam com um arsenal nuclear – Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, China, França, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel – participou nas negociações do acordo.

Tomihisa Taue, que falava diante da presença do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e representantes de 58 países, criticou a recusa de Tóquio em aderir ao primeiro acordo que proíbe este tipo de bombas, instando o Japão a juntar-se sem demora.

“Nagasaki deve continuar sendo o último lugar a sofrer um ataque de uma bomba atômica”, afirmou ele, exortando a comunidade internacional a começar a adotar políticas específicas para conquistar um mundo livre de armas nucleares.

Trata-se de um apelo idêntico ao efetuado pelo presidente da câmara de Hiroshima, Kazumi Matsui, na semana passada.

O prefeito de Nagasaki também convidou todos a visitar a cidade para que vejam por si próprio o que aconteceu e ganhem uma maior consciência sobre os efeitos deste tipo de arma.

“Cada canto da cidade era um cenário infernal”, declarou, elogiando o trabalho dos sobreviventes, os chamados “hibakusha”, que “mostram as suas cicatrizes” e “dão o seu melhor para espalhar a mensagem” antinuclear.

Por seu lado, Shinzo Abe destacou a responsabilidade do Japão como único país do mundo a ter sofrido um ataque nuclear.

“O Japão está decidido a desempenhar um papel de primeira linha trabalhando com as potências nucleares e não nucleares, para conseguir um mundo sem armas atômicas”, declarou Abe, que não fez referência explícita ao acordo nuclear de julho.

Bombas atômicas lançadas pelos EUA sobre o Japão
Os Estados Unidos lançaram a primeira bomba nuclear da história sobre a cidade de Hiroshima em 6 de agosto de 1945 e, apenas três dias depois, uma segunda foi jogada em Nagasaki, o que viria a resultar na rendição do Japão e no fim da Segunda Guerra Mundial.

A explosão da bomba atômica em Nagasaki, batizada pelos americanos como “Fat Man”, matou 74 mil pessoas, três dias depois da bomba “Little Boy”, de urânio, ter provocado 140 mil mortes em Hiroshima.

Segundo dados de março, o número total de “hibakusha” ascendia a 164.621, pouco mais da metade dos 372.264 contabilizados em 1980.

A idade média dos sobreviventes dos bombardeios nucleares de Hiroshima e Nagasaki é superior a 81 anos.

“Hiroshima e Nagasaki se unificam em um símbolo que o mundo deve recordar sempre”, consideram os japoneses.

Com informações da Agência Lusa e da Agência Kyodo.

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