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BC do Japão decide manter a agressiva flexibilização monetária

Sede do Banco do Japão | Getty

Banco central Japonês deixou inalterada a taxa de juros em território negativo de 0,1%.

10/03-2018 – 08h07  | Atualizado em 13/03/2018 – 10h45


O Banco do Japão (BoJ, o banco central japonês) decidiu manter a flexibilização monetária agressiva e não ofereceu novas pistas sobre quando e como poderia se juntar a outros grandes bancos centrais para normalizar a política monetária enquanto Haruhiko Kuroda se dirige para um segundo mandato de cinco anos como presidente da instituição.

Na sexta-feira (9), o banco central japonês votou 8 a 1 para manter em torno de zero sua meta de rendimento dos títulos da dívida do governo japonês com vencimento de dez anos, além de manter a taxa de juros para depósito de curto prazo em território negativo de 0,1%, medida que já vigora há um ano e meio.

O banco também manteve sua promessa de comprar títulos do governo a um ritmo anual de 80 trilhões de ienes (US$ 750 bilhões), uma decisão vista pelos investidores como um indicador simbólico de seu compromisso de flexibilização agressiva. O ritmo real das compras caiu abaixo de 55 trilhões de ienes nos últimos 12 meses.

A decisão de manter a política em espera ocorre em meio ao debate recente entre economistas e investidores sobre quando o banco central reduzirá suas medidas de afrouxamento.

Kuroda, que assume o segundo mandato a partir de abril, afirmou recentemente, pela primeira vez, que o banco central consideraria deixar a política atual a partir de abril de 2019 (início do ano fiscal 2019), quando a inflação deverá alcançar seu objetivo de 2% ao ano nas previsões do BoJ.

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A especulação sobre um possível aumento da taxa de juros no Japão contribuiu para o fortalecimento do iene desde o início do ano em meio a um movimento global de medidas de estímulo extraordinárias lideradas pelo Federal Reserve dos Estados Unidos, uma melhora na economia do Japão e um aumento gradual da inflação.

Os comentários de Kuroda na semana passada levaram o iene e os rendimentos dos títulos de dez anos a valorizarem consideravelmente, um sinal da sensibilidade dos mercados a qualquer menção à saída da atual política monetária. Poucos dias depois, o chefe do BoJ atenuou suas declarações, dizendo que sua observação não significava necessariamente que o banco começasse a se afastar de sua política atual a partir de 2019.

Na reunião de sexta-feira, o BC japonês também manteve sua avaliação da economia, dizendo que estava “expandindo-se moderadamente”, um dia depois que o Japão confirmou seu maior crescimento desde o fim da década de 1980. Os dados revisados do governo divulgados na quinta-feira mostraram que a economia do Japão cresceu 1,6% ao ano no último trimestre de 2017, mais rápido do que o inicialmente estimado, já que os consumidores gastaram mais e as empresas aumentaram o investimento de capital.

Ainda assim, a tendência de crescimento prolongado ainda não se traduziu em inflação de 2% ao ano. Um dos membros do conselho do BoJ continuou a argumentar que o banco central não estava fazendo o suficiente para alcançar seu objetivo de inflação.

Goushi Kataoka voltou a votar contra a decisão de manter a política em espera, reiterando sua opinião de que o banco não atingirá a meta de inflação até março de 2020 sem tomar mais medidas. Ele recomendou que o banco baixasse a meta de rendimento dos títulos de dez anos e outras taxas de longo prazo.

Com Valor Online

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