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Dólar fecha em leve alta ante real, mas encerra semana em queda de quase 2%

No mês, o dólar já acumula desvalorização de 3,75% ante o real.

Do Mundo-Nipo com Agências

Depois de operar em alta durante grande parte da sessão nesta sexta-feira (10), o dólar fechou praticamente estável ante o real, encerrando a segunda semana consecutiva com queda acumulada, refletido uma maior confiança do mercado na aprovação das medidas de ajuste fiscal, por conta de um cenário político local mais tranquilo.

A moeda norte-americana teve leve alta de 0,02% e encerrou cotada R$ 3,0711 na venda, após subir 0,47% na sessão anterior. Segundo dados da BM&FBovespa, o movimento financeiro foi melhor do que na véspera, em torno de US$ 1,2 bilhão. Na quinta-feira, o giro financeiro somou pouco mais de US$ 850 milhões.

No acumulado da semana, a divisa americana teve queda de 1,86% ante o real. Na semana passada, mais curta pelo feriado de Páscoa, o recuou foi 3,43%. No mês, a perda é de 3,75%.

O movimento no mercado local acompanhou o mercado externo. O dólar subia frente às principais divisas com os investidores vendo a possibilidade de o Federal Reserve iniciar o processo de normalização da política monetária no meio do ano.

Hoje o presidente do Fed de Riachmond, Jeffrey Lacker, reiterou que vê forte argumento para que a autoridade monetária inicie em junho o ciclo de elevação da taxa básica de juros. “A menos que os dados econômicos venham a divergir substancialmente das projeções, eu espero que permanecerá forte o argumento pela elevação de juros em junho”, disse Lacker, que tem direito a voto no comitê do Fed, em discurso preparado para apresentação em Sarasota.

A moeda americana avançava 0,23% frente ao dólar australiano, 0,43% diante da lira turca, 0,75% em relação ao peso mexicano.

No mercado local, investidores recompõem a posição na moeda americana, após o dólar ter atingido o piso de R$ 3,0558 na semana. “O dólar caiu mais que as taxas dos juros futuros e tinha mais espaço para correção, por isso o movimento no mercado de câmbio hoje é mais forte”, afirmou Juliano Ferreira, estrategista da Icap Corretora, conforme noticiou a Agência Valor Online.

Segundo a Agência Reuters, a recente queda do dólar ante o real tem refletido uma maior confiança do mercado na aprovação das medidas de ajuste fiscal. A indicação do vice-presidente da República, Michel Temer, para a coordenação política do governo reforçou essa percepção. A expectativa é que se o cenário político interno continuar benigno, o dólar pode cair um pouco mais nas próximas sessões, apesar de já estar próximo de R$ 3.

Apesar do alívio nesta semana, o J.P. Morgan segue vendo o dólar a R$ 3,20 ao fim deste ano, levando em conta uma série de variáveis como termos de troca, déficit em conta corrente e dívida do governo central, entre outras.

Para o J.P. Morgan, o principal determinante do comportamento do real nos próximos meses é a divulgação do balanço auditado da Petrobras. Até lá, diz o banco, um maior risco de crédito deve persistir, uma vez que os mercados temem também os impactos da crise na estatal sobre as contas fiscais e bancos públicos.

Ontem, a estatal comunicou que ainda não há data definida para a divulgação do balanço auditado de 2014. Pela regra americana o balanço deveria sair até o fim deste mês.

Caso a estatal não reporte seus resultados auditados, em meio a mais tensão política e preocupação fiscal, a moeda americana pode terminar este trimestre em R$ 3,30, aponta o banco.

Atuações do Banco Central
O Banco Central realizou mais um leilão para rolar contratos antigos de swap cambial tradicional (equivalentes à venda futura de dólares) que vencem em 4 de maio. Foram vendidos 10,6 mil contratos: 4.900 para 1º de março de 2016 e os outros 5.700 com vencimento em 3 de outubro do ano que vem.

A operação movimentou o equivalente a US$ 513,2 milhões. Até o momento, o BC rolou US$ 3,594 bilhões, ou o equivalente a cerca de 35% do lote total com vencimento em maio, correspondente a US$ 10,115 bilhões.

Os leilões de rolagem servem para adiar os vencimentos de contratos que foram vendidos no passado.

Em março, o BC encerrou seu programa de atuações no mercado de câmbio, em que vendia, todo dia, novos contratos de swap com o objetivo de evitar um forte avanço da moeda norte-americana. Não há mais negociação de novos contratos desde março.

(Com informações do Jornal Folha de S.Paulo e da agência Reuters)

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