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Após 2 quedas seguidas, dólar fecha em alta ante o real com expectativa de juros

Após passar a manhã em queda, o dólar mudou de rumo e fechou em alta de 0,44%.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar quebrou uma sequência de duas quedas e fechou em alta ante o real nesta quarta-feira (10), influenciado por operações de saída de divisas do país, com o mercado na expectativa de juros nos Estados Unidos e no Brasil. Os investidores no mercado interno esperam a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na quinta-feira, que deve trazer mais pistas sobre possíveis novas altas na Selic.

A moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 0,44%, cotada a R$ 3,1147 na venda, após acumular queda de 1,57% nas duas sessões anteriores. Segundo dados da BM&F, o movimento financeiro ficou em torno de US$ 1 bilhão. O valor foi um pouco melhor que os US$ 780 milhões observados na véspera.

Nesta sessão, o dólar operou em baixa durante toda a manhã, chegando a cair mais de 1%, sendo negociado a R$ 3,0615 na mínima do dia, mas inverteu a tendência e passou a operar em alta no começo da tarde.

“O recuo dos últimos dias foi muito intenso e abriu uma oportunidade para compras de dólares”, resumiu à Reuters o operador de câmbio da corretora Intercam Glauber Romano.

Pela manhã, o economista da empresa de análise financeira 4Cast Pedro Tuesta já havia advertido sobre possíveis exageros no recuo do dólar em relação a moedas emergentes nesta sessão.

“Meu medo é que haja uma reversão muito grande da próxima vez em que virmos dados positivos nos EUA”, afirmou à Reuters, ressaltando que os atuais níveis do câmbio não são consistentes com uma alta de juros nos EUA em setembro.

Sinais de recuperação da economia dos EUA podem impulsionar a taxa de juros do país, o que tornaria os investimentos mais atrativos e estimularia uma alta do dólar. O mercado reage a expectativas de que os juros norte-americanos podem subir em setembro, após números mais fortes que o esperado sobre o mercado de trabalho no país.

No cenário interno, investidores monitoravam a perspectiva de mais altas de juros pelo Banco Central brasileiro, que podem atrair recursos externos para a economia brasileira. Essa aposta ganhou mais força nesta manhã, após o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subir em maio mais do que estimativas.

A inflação oficial do país, calculada pelo IPCA, ficou em 0,74% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu subir os juros básicos da economia de 13,25% para 13,75% ao ano, um novo aumento de 0,50 ponto percentual.

A curva de juros futuros apontava chances majoritárias de mais duas elevações na taxa básica Selic, de 0,50 e de 0,25 ponto percentual, mas alguns investidores já apostavam em dois aumentos de 0,50 ponto percentual, segundo a Reuters. “Nenhum outro país da classe de risco do Brasil paga tantos rendimentos. É muito atraente para estrangeiros investir aqui”, disse à agência o operador de um banco nacional.

Atuação do Banco Central do Brasil
Nesta manhã, o Banco Central vendeu a oferta total de até 7.000 swaps cambiais (contratos equivalentes à venda futura de dólares) em leilão para rolar parte dos contratos que vencem em julho.

O BC já rolou o equivalente a US$ 2,393 bilhões, ou cerca de 27% do lote total, que corresponde a US$ 8,742 bilhões.

Os leilões de rolagem servem para adiar os vencimentos de contratos que foram vendidos no passado.

(Com Agência Reuters)

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