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Dólar volta a subir e fecha acima de R$ 3,12

A moeda dos EUA chegou a bater R$ 3,1410 na máxima da sessão.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar voltou a avançar sobre o real nesta quarta-feira (11), fechando acima de R$ 3,12 após tocar R$ 3,14 na máxima do dia, em uma sessão marcada pela volatilidade ainda refletindo as preocupações políticas e econômicas no quadro interno, que incluem dúvidas sobre o ajuste fiscal e a atuação do Banco Central no mercado de câmbio.

A moeda norte-americana encerrou o dia com valorização de 0,77%, cotada a R$ 3,1278 na venda, após bater, pela manhã, a cotação R$ 3,1410 na máxima da sessão. Segundo dados da BM&F, o movimento financeiro manteve a média, ficando em torno de US$ 1,5 bilhão.

No exterior, o dólar subia frente às principais moedas diante da perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) deve iniciar o aumento da taxa básica de juros no meio do ano, ampliando o diferencial de juros para a zona do euro, com o BCE ampliando o programa de estímulos monetários.

O Dollar Index, que acompanha o desempenho da moeda americana, subia 1,08%. “O que está ocorrendo é uma mudança estrutural do valor do dólar no mundo, e isso não tem como evitar”, explica um profissional. A proximidade da reunião do Federal Reserve, marcada para a semana que vem, reforça esse movimento.

No mercado interno, o dólar chegou a R$ 3,0832 na mínima no intradia, no início da tarde, em reação a operações de realização de lucro e a rumores de que o Banco Central poderia estender seu programa de intervenção no câmbio além de março, de acordo com a Agência Reuters.

Entretanto, analistas consultados pela agência “Valor Online” relataram ter verificado uma venda de dólares significativa por três grandes bancos, que ajudou a derrubar a moeda americana logo após o almoço, mas o movimento não se sustentou e o dólar voltou a ganhar força frente ao real.

O aumento do risco do cenário político e dúvidas em relação à capacidade do governo em promover o ajuste fiscal têm sustentado a alta do dólar no mercado interno, com o real liderando as perdas frente à moeda americana entre as principais divisas.

Segundo o jornal “Folha de S. Paulo”, a presidente Dilma Rousseff teria dito a pelo menos dois interlocutores que pretendia retirar o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, de missões na área de articulação política, o que foi desmentido pelo presidente agora à tarde.

Na noite de ontem, o governo acertou com líderes do Congresso Nacional a correção escalonada do Imposto de Renda da Pessoa Física proposta por seus aliados no Congresso Nacional, abrindo mão de mais de 6 bilhões de reais em receitas. A proposta do governo era de uma correção de 4,5% na tabela do IR, enquanto o Congresso defendia um reajuste de 6,5%, que foi aceita pelo governo com a condição de incidir somente a partir de abril deste ano.

Apesar de atenuar as preocupações em relação ao cenário político, a notícia traz dúvidas sobre a pressão da oposição, que poderá implicar em novas concessões por parte do governo e ter impacto no ajuste fiscal.

Há ainda dúvidas sobre a atuação do Banco Central no mercado de câmbio. A sinalização da possibilidade de rolagem parcial do lote de US$ 9,964 bilhões que vence em abril reforçou a leitura de que a autoridade monetária está caminhando para reduzir as atuações no câmbio e poderá encerrar o programa da “ração diária”, que foi estendido para o fim de março.

Atuação do Banco Central no mercado de câmbio
Nesta quarta-feira, O BC manteve seu programa de intervenções no mercado de câmbio, vendendo a oferta total de swaps cambiais pelo leilão diário desta manhã, colocando o equivalente a US$ 97,9 milhões no mercado. Foram vendidos 1.300 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 700 para 1º de março de 2016.

O BC também realizou mais um leilão para rolar os contratos que vencem em 1º de abril. Foram vendidos 7.400 contratos: 5.500 com vencimento em 1º de junho de 2016, e os outros 1.900 para 3 de outubro do ano que vem.

A operação movimentou o equivalente a US$ 355,5 milhões. Ao todo, o BC já rolou o equivalente a US$ 2,859 bilhões, ou cerca de 29% do lote total, correspondente a US$ 9,964 bilhões.

(Com informações das agências Valor Online e Reuters)

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