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Japão diz que está acompanhando a alta do iene e promete agir se for preciso

Economistas afirmam que a forte alta do iene ante o dólar ameaça os planos de Abe para o crescimento da economia japonesa.

O presidente do Banco do Japão (BoJ, o banco central japonês), Haruhiko Kuroda, afirmou que está monitorando atentamente o movimento do iene, que nesta semana teve forte valorização ante o dólar em meio a preocupações com a economia norte-americana. A apreensão do mercado global com a valorização da moeda japonesa levou o ministro de Finanças do Japão, Taro Aso, mandar um alerta aos investidores, dizendo que o governo vai “agir de forma apropriada” no mercado de câmbio, se preciso.

Ontem, a moeda norte-americana chegou a cair a 110,99 ienes, seu menor valor desde 31 de outubro de 2014, dia em que o Banco do Japão decidiu expandir seu programa de compra de ativos.

Kuroda, afirmou que o BC japonês vai acompanhar o iene de perto, após se reunir com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, para discutir o assunto. Kuroda, no entanto, não quis revelar o teor da conversa.

O presidente também se recuou a falar sobre eventuais mudanças na política monetária, reiterando que o BoJ irá “monitorar os riscos ao crescimento econômico e preços e que está preparado para voltar a agir, sem hesitação, caso seja necessário”.

Embora tenha ampliado ganhos nesta semana, o iene vem mostrando tendência de alta desde o fim de janeiro, quando o BoJ decidiu cortar sua taxa de depósitos de 0,1% para -0,1%. A introdução de uma taxa negativa é inédita na história do BoJ.

Parcialmente influenciada pelo iene, a bolsa japonesa vem acumulando forte perdas. Apenas nesta semana, o índice acionário japonês Nikkei teve desvalorização de 11,1%, a maior desde outubro de 2008.

Iene ameaça plano de crescimento do Japão
A apreciação do iene pode ameaçar os planos do Japão de uma retomada do crescimento com sua nova política monetária, o que dirigentes de bancos centrais esperam que encoraje o gasto dos consumidores. Mas uma moeda mais forte pesa sobre os lucros das empresas japonesas, ao tornar as exportações mais caras, e resultados corporativos mais fracos podem significar um freio nos salários e nos gastos.

Economistas também disseram que os juros negativos adotados pelo Banco do Japão ocorrem em meio a uma série de ventos contrários, como o crescimento baixo, os preços fracos das commodities, a incerteza sobre a economia chinesa e a alta dos juros nos Estados Unidos. Essas forças devem continuar a agir, o que retira parte do benefício das taxas negativas.

A economia japonesa provavelmente encolheu levemente no quarto trimestre, segundo estimativas, o que representaria a segunda contração em três trimestres. Os dados serão divulgados no dia 15 deste mês. A fraqueza no mercado de ações pode levar companhias a não elevar salários durante as negociações que ocorrem na primavera local, mesmo diante dos pedidos de Abe para que os executivos deem esse passo.

Ex-funcionário do BoJ e agora no Fujitsu Research Institute, Hideo Hayakawa, afirmou que o relaxamento monetário ainda não gerou um ciclo positivo de gastos e investimentos. Os salários reais recuaram em 2015 pelo quarto ano segundo, informou o governo na segunda-feira (8).

Economistas disseram que a adoção de taxa de juros negativa teve como objetivo enfraquecer o iene e impulsionar os preços das ações, porém ocorreu o oposto disso.

Desde seu lançamento, há mais de três anos, as diretrizes políticas de Abe receberam boa parte de seu combustível do iene fraco, que torna as exportações japonesas mais competitivas e aumenta o valor em ienes dos produtos vendidos fora.

Agora, porém, as preocupações com o exterior levam investidores a comprar o iene, visto como um ativo seguro. Alguns economistas avaliam que o BoJ pode levar a taxa de juro para território ainda mais negativo. Porém, o analista Yuji Kameoka, da Daiwa Securities, afirmou que o banco central não deve ter muito espaço para dar esse passo, diante do potencial revés que isso representará para os resultados dos bancos.

Fontes: Dow Jones Newswires | Nikkei.com | Agência Estado.

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