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Trump e Kim firmam acordo de desnuclearização da península Coreana

Reprodução / YouTube@AFP / Edição MN

No acordo, as sanções contra a Coreia do Norte permanecem até a total desnuclearização da região.

Depois do mundo vislumbrar o guardado aperto de mãos entre o presidente americano Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-um, na terça-feira (segunda-feira em Brasília), pouco antes da reunião histórica realizada em Singapura, no Hotel Capella, na ilha de Sentosa, os dois chefes de Estado anunciaram uma declaração que prevê a desnuclearização da Península Coreana.

Na declaração, que ficou fora de um acordo assinado entre os dois países, Trump e Kim comprometeram empenho para com a “paz e prosperidade” na região.

Em troca do compromisso de desnuclearização, os EUA se comprometeram a interromper os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul na península, que desagradaram o norte-coreano durante as negociações para a cúpula desta terça e quase ruíram o encontro. As tropas americanas, porém, vão continuar em solo sul-coreano.

O documento marca uma aproximação histórica, mas repete o compromisso de dar fim às armas nucleares feito pelo norte-coreano no final de abril, em uma reunião com a Coreia do Sul, e não estabelece, por ora, passos concretos rumo à desnuclearização.

Um dos principais itens do combinado entre Kim e Trump, a destruição de um local de testes de mísseis nucleares, foi obtido após a assinatura final e que ficou de fora do documento divulgado pelos dois países.

As sanções econômicas contra a Coreia do Norte permanecem inalteradas, até que sejam tomados passos concretos rumo à desnuclearização, de acordo com o americano. E o esperado término oficial da Guerra da Coreia (1950-53), que divide a península Coreana há quase 70 anos, não foi anunciado desta vez.

Antes de assinar e divulgar o documento, os dois líderes almoçaram juntos e tiveram um encontro privado de quase 40 minutos. Para Trump, a reunião foi “melhor do que todos poderiam esperar”. Já o líder norte-coreano, que horas antes se referira ao encontro como algo que parecia “um filme de ficção científica”, afirmou que “o mundo verá uma grande mudança”.

É a primeira vez que um mandatário dos EUA se reúne com um lider da Coreia do Norte. Em 2009, Bill Clinton, então já fora da Casa Branca, encontrou-se com Kim Jong-il (pai de Jong-un), à época n°1 do regime. Quinze anos antes, em 1994, Jimmy Carter, também já longe da Presidência americana, reunira-se com Kim Il-sung, avô do atual líder.

Trump afirmou que o momento era “histórico” e que inaugura “um novo capítulo na história nas nações”, mas reconheceu que é o início de um processo e disse que “não há como garantir tudo”.

O líder americano deu ainda declarações críticas aos exercícios militares realizados por EUA e Coreia do Sul na península Coreana.

“Em primeiro lugar, é tremendamente caro. E segundo, é uma situação muito provocadora”, afirmou o presidente americano. “Diante das circunstâncias de que estamos negociando um acordo bastante abrangente, [abandonar os exercícios militares] é algo que eles [Coreia do Norte] apreciaram bastante?

Kim, por outro lado, afirmou que irá repatriar os restos mortais de soldados desaparecidos ou feitos prisioneiros durante a Guerra da Coreia.

O icônico aperto de mão de Trump e Kim foi firmado em frente às bandeiras enfileiradas dos dois países. Os dois posaram para fotos, e demonstraram cordialidade —algo até poucos meses impensável, diante das ofensas que trocaram no passado (que foram de “fogo e fúria” a “o meu botão é mais poderoso que o seu”).

Nesta terça, o americano afirmou que Kim tem uma “grande personalidade” e é “muito inteligente”, segundo declarou à CNN. “Eu não estou dizendo que ele seja bom.”

Questionado se colocava o ditador numa posição de igual, Trump disse que não via o encontro dessa forma. “Eu farei o que for preciso para tornar o mundo um lugar melhor, afirmou. “Se eu posso salvar milhões de vidas vindo até aqui e estabelecendo um relacionamento com alguém, que é um homem muito poderoso, é minha honra fazê-lo”.

Ainda não se sabe quanto tempo levará a desnuclearização prometida por Kim.

Uma próxima reunião entre autoridades dos dois países será agendada na semana que vem. O encontro servirá para firmar os compromissos estabelecidos no histórico encontro entre Trump e Kim.

*Texto extraído da matéria redigida pela repórter Estelita Hass Carazzai / Folha de S.Paulo.

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