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Sobe para 21 o número de mortos nos dois grandes terremotos no sul do Japão

O poderoso tremor de sábado desencadeou um enorme deslizamento de terra que varreu casas e bloqueou estradas.

Pelo menos onze pessoas morreram e mais de 700 ficaram feridas na província de Kumamoto, no sul do Japão, após um terremoto de magnitude 7,3 atingir a província na madrugada de sábado (data local). O potente tremor, que provocou deslizamentos que soterraram vários prédios, ocorreu dois dias após um forte abalo sísmico atingir a mesma região e provocar a morte de nove pessoas, deixando mais de uma centena de feridos, entre desaparecidos e soterrados, e milhares de lares sem eletricidade. Com isso, o número de mortes subiu para 21 na área atingida pelos dois fortes tremores, segundo últimos dados divulgados pelas autoridades locais e noticiados pela imprensa japonesa.

O poderoso tremor desencadeou um enorme deslizamento de terra que varreu casas e bloqueou estradas em uma área de Kumamoto próxima ao epicentro. Diferente do terremoto de quinta-feira, que derrubou casas antigas, o sismo de hoje provocou o desmoronamento de prédios, segundo a agência de notícias AFP.

A emissora pública ‘NHK’ informou que onze pessoas foram confirmadas mortas e pelo menos 760 ficaram feridas no mais recente tremor, enquanto um porta-voz do governo local disse que dezenas de pessoas estão “soterradas vivas”.

Uma autoridade do governo de Kumamoto disse que onze pessoas ficaram presas em um prédio que ruiu em Minamiaso, perto de onde ocorreu o grande deslizamento de terra. “Nós não sabemos as condições que se encontram essas pessoas”, disse ele, conforme noticiou a ‘AFP’.

Enquanto isso, uma pessoa morreu em um grande incêndio que eclodiu em um condomínio de apartamentos no município de Yatsushiro, enquanto algumas pessoas ficaram presas numa casa de repouso em Mashiki.

Segundo a ‘NHK’, moradores de uma área próxima a uma represa foram orientados a deixar o local por temor de que a estrutura pudesse ruir.

O sistema de transportes da região sofreu danos consideráveis. Um túnel cedeu, uma ponte ficou danificada, estradas foram bloqueadas por deslizamentos de terra e os serviços de trem foram interrompidos, enquanto o aeroporto de Kumamoto está inoperante. Contudo, as três centrais nucleares na região não relataram irregularidades.

O tremor deste sábado (data local) desencadeou um alerta de tsunami, mas foi levantado pouco tempo depois, o que aliviou um pouco a tensão da população de Kumamoto, que ainda estava atordoada com o forte tremor de quinta-feira.  A maioria correu para as ruas durante o terremoto de hoje, em vista de que muitos morreram ou se feriram em desmoronamentos no terremoto de quinta-feira.

O ministro chefe de gabinete, Yoshihide Suga, disse que recebeu informações de que “cerca de 80 pessoas estão soterradas em escombros”.

Mediante a isso, mais soldados das Forças de Autodefesa do país seriam enviados para ajudar nos resgates. Cerca de 15 mil chegaram à Kumamoto no sábado, bem como mais policiais, bombeiros e médicos. “Estamos fazendo todos os esforços para responder à situação”, disse Suga.

As tropas se espalharam para procurar sobreviventes entre os escombros de casas e prédios em ruínas logo ao amanhecer, enquanto quase 200.000 domicílios ficaram sem energia e milhares de pessoas se encontram em abrigos temporários ou locais públicos.

O primeiro-ministro Shinzo Abe disse a jornalistas que o governo está fazendo todos os esforços para determinar a extensão dos danos, bem como realizar resgate e fornecer informações precisas para os cidadãos.

Inicialmente, a Agência Meteorológica do Japão (JMA, na sigla em inglês) reportou que o terremoto de sábado atingiu magnitude de 7,1, mas depois revisou para magnitude 7,3.

Imagens transmitidas por emissoras japonesas mostraram muitas pessoas assustadas envolvidas em cobertores e sentadas do lado de fora de suas casas, enquanto outras montaram acampamento em campos de arroz em busca de proteção. Grande parte da área ao redor de Kumamoto e algumas cidades de tamanho considerável são rurais.

Desde o primeiro terremoto, na quinta-feira, a JMA registrou mais de 150 tremores secundários na região, com alguns, inclusive, de elevada intensidade, variando entre magnitude 3 e 6.

Várias companhias, incluindo Toyota, Honda e Sony, interromperam a produção após o tremor de quinta-feira, mas nenhum grande dano foi relatado.

Infelizmente, o milenar Castelo de Kumamoto, ícone da província e um dos três mais antigos, famosos e mais conservados castelos do Japão, sofreu avarias. “Um relatório sobre a extensão dos danos está sendo compilado”, disse a operadora do precioso castelo, sem dar mais detalhes. Contudo, imagens mostraram avarias na grande base do castelo, que é constituída por grandes pedras, de acordo com a agência ‘Kyodo’.

Especialistas acreditam na ocorrência de um ou mais terremotos de grande intensidade em breve, uma vez que Mashiki, local dos epicentros em Kumamoto, está localizada sobre as falhas geológicas denominadas “Futagawa e Hinagu”.

A falha Futagawa se estende por mais de 64 km sob Minamiaso até a ponta da Península Uto, via Mashiki, enquanto a falha Hinagu percorre por cerca de 81 km entre o sul de Mashiki até o Mar Yatsushiro.

Ainda de acordo com a ‘Kyodo’, a Agência Meteorológica do Japão disse que não está claro se os tremores estão ligados às falhas. Mas Keiichi Tadokoro, professor do Departamento de Terremotos da Universidade de Nagoya e do Centro de Pesquisa de Vulcões, suspeita fortemente de que haja uma ligação entre as falhas e os recentes terremotos em Kumamoto, principalmente porque “as maiores intensidades dos terremotos foram todas registradas em Mashiki”, afirmou

“O dano está concentrado em uma área estreita, que carece de reforço sísmico, o que lembra o ocorrido em 1995 na cidade de Kobe, quando um potente terremoto atingiu a área e matou cerca de 6.500 pessoas”, disse Yoshiteru Murosaki, chefe do Centro de Educação para a Redução de Desastres, da Universidade de Hyogo, em Kobe, conforme noticiou a ‘Kyodo’.

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