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Dólar segue alta no exterior e fecha perto de R$ 3,13

Preocupações com a possibilidade de calote da Grécia reduziu o apetite por ativos de risco e sustentou a do dólar no fim do dia.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar encerrou em alta pela segunda sessão consecutiva nesta segunda-feira (15), um dia marcado por intensa volatilidade em meio a preocupações sobre a negociação da Grécia com seus credores internacionais aumentando a possibilidade de um calote grego, o que reduziu o apetite por ativos de maior risco e sustentou a valorização da divisa no final das negociações.

A moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 0,30%, cotada a R$ 3,1273 na venda, após atingir R$ 3,1396 na máxima e R$ 3,0922 na mínima do dia. Segundo dados da BM&F, o movimento financeiro ficou em torno de US$ 800 milhões.

O dólar iniciou as operações em alta, mudou de direção durante a manhã, mas voltou a subir nesta tarde e fechou em alta. O movimento no mercado local acompanhou a valorização do dólar no exterior, sustentada pelas incertezas em relação à negociação da Grécia com seus credores, onde o dólar operava no terreno positivo em relação às principais moedas emergentes.

Os receios relacionados à possibilidade de um calote do governo grego se intensificaram após o fracasso da reunião do no último fim de semana, com a saída do Fundo Monetário internacional (FMI) das negociações sobre mais uma rodada de socorro financeiro à Grécia. A União Europeia já discute a possibilidade de um default do governo grego, o que poderia levar o país a deixar a zona do euro.

“O cenário externo é negativo com Grécia e quarta-feira temos a reunião do Fed [banco central dos EUA]. Por mais que não mude o juro, é um momento político e econômico difícil”, afirmou à agência Reuters o especialista em câmbio da corretora Icap, Italo Abucater.

Nesse contexto, investidores adotaram cautela e evitaram ativos de maior risco, como aqueles denominados em real, buscando segurança nos Treasuries, o que sustenta a alta do dólar frente às principais divisas. A moeda americana subia 0,23% em relação ao rand sul-africano, 0,81% diante da lira turca e 0,23% frente ao peso mexicano.

Os problemas externos, no entanto, foram parcialmente compensados por expectativas de entradas de recursos devido à alta da Selic e pelo fluxo de ingresso de capitais na parte da manhã.

Nos mercados de juros futuros, investidores apostam que a taxa básica de juros subirá pelo menos mais 0,75 ponto percentual, a 14,50 por cento ao ano, diante da retórica austera do Banco Central no combate à inflação. O aumento da taxa aumenta a atratividade de papéis brasileiros para investidores estrangeiros.

Além disso, um fluxo relevante de entrada de recursos ajudou a manter o dólar em queda entre a manhã e o início da tarde, segundo diversos operadores citados pela Reuters. Uma operadora de um importante banco nacional lembrou que empresas como Petrobras, Embraer e Oi emitiram dívidas no exterior recentemente.

Atuação do Banco Central no câmbio
Investidores também seguem atentos às atuações do Banco Central no mercado de câmbio. O BC sinalizou na semana passada que pretende rolar um volume menor dos swaps cambiais que vence em julho. Analistas avaliam que a decisão aponta tolerância da autoridade monetária a um câmbio mais desvalorizado para ajudar no ajuste da conta corrente.
Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de 6.300 contratos de swap cambial tradicional (equivalentes à venda futura de dólares) em leilão de rolagem.

O BC já rolou o equivalente a US$ 3,006 bilhões, ou cerca de 38% do lote total, que corresponde a US$ 8,742 bilhões. Se mantiver o mesmo ritmo, rolará apenas 74,87% desse lote, que expira mês que vem.

Os leilões de rolagem servem para adiar os vencimentos de contratos que foram vendidos no passado.

(Com informações da agências Reuters e Valor Online)

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