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Japão declara guerra aos microplásticos nos oceanos

Foto: Creative Commons

Partículas de plásticos vêm se tornando o principal poluente dos oceanos e grande ameaça à vida marinha.

Atualizado em 17/06/2018


O Parlamento japonês aprovou uma lei que visa lutar contra a poluição do mar pelos microplásticos, partícula de plástico, conforme o próprio nome diz, que vem se tornando o principal poluente dos oceanos e que tem ameaçado a vida marinha. A nova legislação japonesa, no entanto, não inclui sanções aos infratores.

O projeto de lei, aprovado na última quinta-feira (15) de modo unânime na Câmara Alta, estimula as empresas a acabar com o uso de minúsculas bolas de plástico em esfoliantes e cremes dentais.

A associação da indústria cosmética japonesa aconselha os seus membros a não utilizar microplásticos e os principais fabricantes deixaram de recorrer a este produto, segundo o governo.

As bolinhas, assim como as partículas procedentes de bolsas ou utensílios de plástico, invadem os oceanos.

Microalgas e organismos se fixam nestes pequenos pedaços de plástico e o odor atrai os peixes, o que faz com que os produtos químicos entrem na cadeia alimentar.

Microplásticos e seus males
Segundo matéria do site ambientalista ‘A Rocha’, os microplásticos representam aproximadamente 92,4% da contagem global de partículas de lixo plástico. Estes pequenos itens de plástico (até 5mm em tamanho) estão entrando no ambiente marinho e adicionando pressão a um sistema já vulnerável.

Existem dois tipos de fontes de microplásticos: primárias e secundárias. Fontes primárias são aquelas em que os microplásticos são fabricados no seu tamanho “micro”. Estes incluem perdas no transporte de pequenas esferas de plástico – ou “pellets” – que servem como matéria-prima na indústria de produção de plásticos; fibras sintéticas de roupas lavadas pela máquina de lavar; e as micro esferas encontradas em muitos produtos cosméticos (esfoliantes faciais etc.); produtos de limpeza doméstica e até creme dental. Nem todos são removidos pelos processos de tratamento de esgoto e acabam sendo liberados em canais e oceanos.

A presença de partículas de microplástico no ambiente marinho pode ter várias implicações. Uma delas inclui transportar microorganismos que colonizam suas superfícies para novos locais onde eles podem ser nocivos até mudar as propriedades dos sedimentos marinhos.

De acordo com ‘A Rocha’, o mundo está apenas começando a entender quão nocivas são esses microorganismos para o ambiente marinho.

Contudo, pesquisa sobre a facilidade desse material noscimo ser ingerido por organismos marinhos está melhor investigada.

Peixes e aves marinhas podem confundir microplásticos com presas, enquanto filtradores como mexilhões e baleias os filtram da água juntamente com partículas de alimento. Assim, os microplásticos podem também entrar na dieta de pássaros e pessoas, que comem os animais que comeram os microplásticos.

Os plásticos frequentemente contêm produtos químicos para lhes dar propriedades específicas, que em muitos casos são tóxicos. Estes podem ser libertados dentro do animal, causando problemas adicionais além dos riscos físicos de bloqueio do tubo digestivo e outros danos internos.

Francês parte do Japão à nado rumo aos EUA
O nadador francês Benoît Lecomte, de 51 anos, iniciou recentemente uma incrível travessia à nado partindo de uma praia no Japão com destino aos Estados Unidos.

A aventura tem como meta chamar a atenção do mundo para a poluição dos oceanos. No caminho, Lecomte irá cruzar a “Grande Mancha de Lixo do Pacífico”, uma área com três vezes o tamanho da França continental.

Serão cerca de 9 mil quilômetros, enfrentando tempestades, tubarões, águas-vivas e plástico, muito plástico. Segundo estudo recente divulgado pela pela ONG The Ocean Cleanup Foundation, a “Grande Mancha de Lixo do Pacífico” possui cerca de 1,8 trilhão de detritos, que vão desde restos de grandes redes de pesca até toneladas de microplástico, partículas com menos de 5 milímetros de diâmetro.

Do Mundo-Nipo
Fontes: Agência AFP | A Rocha.

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