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Com mercado em pânico, dólar dispara e fecha e alta de 8,15%

(Foto: Aflo Images)

Dólar teve a maior alta percentual em 14 anos e fechou no maior valor desde dezembro de 2016.

O dólar comercial disparou nesta quinta-feira (18) e fechou em alta superior a 8%, em um dia de pânico no mercado brasileiro com as notícias bombásticas sobre a delação de um dos sócios da JBS envolver diretamente o presidente Michel Temer.

A moeda norte-americana subiu 8,15% e encerrou as negociações cotada a R$ 3,389 na venda. Este é o maior valor de fechamento desde dezembro de 2016, quando, no dia 16, o dólar terminou vendido a R$ 3,3906.

Além disso, a alta percentual desta quinta-feira foi a maior desde 5 de março de 2003, quando a moeda subiu 10,4% sobre o real, logo no início do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a agência de notícias ‘Reuters’.

O nervosismo nos mercados financeiros do Brasil levou algumas casas de câmbio interromperam a venda de moedas logo pela manhã, enquanto outras colocaram os preços nas alturas, por causa da falta de parâmetros para as cotações em dia de turbulência do mercado.

O mercado reagiu após o jornal “O Globo” publicar, na véspera, delação de Joesley Batista, um dos sócios da JBS, que envolve diretamente o presidente Michel Temer. Para especialistas, o governo foi fortemente abalado, assim como assim como a continuidade das reformas, consideradas essenciais para a economia. Em pronunciamento nesta tarde, Temer disse que não irá renunciar. Veja pronunciamento em matéria publicada pela UOL.

Mercado em suspenso
Diante das acusações, o mercado de dólar, que normalmente abre às 9h, só registrou operações às 10h40, com investidores esperando para negociar a moeda.

Poucos minutos após a abertura, às 10h21, a Bolsa teve de interromper as negociações quando o Ibovespa caía 10,47%, a 60.470 pontos. Os negócios ficaram parados por 30 minutos e, quando voltaram, registravam queda de mais de 10%.

A suspensão dos negócios é um mecanismo chamado “circuit breaker”. O mecanismo também é usado em outros mercados no mundo e serve para garantir proteção quando há grande instabilidade em momentos atípicos do mercado.

Atuação do Banco Central no câmbio
Na tentativa de conter o avanço do dólar, o Banco Central do Brasil intensificou a intervenção no mercado e fez quatro leilões de swap cambial (operação equivalente à venda futura de dólares) nesta sessão. Normalmente, o BC faz um leilão por dia.

No primeiro leilão, o BC ofertou 40 mil contratos de swap. Em seguida, ofertou 15.325 swaps que “sobraram” da primeira operação. O terceiro leilão de swap disponibilizou mais 40 mil contratos. Logo depois, o BC anunciou um quarto leilão, com oferta de 10.750 contratos.

Já o Tesouro suspendeu o leilão de venda de títulos públicos LTN (Letra do Tesouro Nacional) e LFT (Letra Financeira do Tesouro) programado para esta sessão.

Trajetória do dólar na semana
Na véspera, o dólar havia subido 1,23%, dando fim a seis quedas consecutivas. Na terça e segunda-feira, a moeda norte-americana caiu 0,34% e 0,58%, respectivamente.

Fontes: UOL Economia | Agência Reuters.

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