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Japão promete US$ 4 milhões em ajuda a Mianmar e Bangladesh

Pessoas de uma minoria islâmica de Mianmar chegam diariamente a Bangladesh (Foto: Reprodução/banglanews24)

Para escapar da violência, mais de 300 mil muçulmanos rohingya já fugiram de Mianmar.

O ministro das Relações Exteriores do Japão, Taro Kono, anunciou que seu país fornecerá até US$ 4 milhões para ajudar os governos de Mianmar e de Bangladesh a enfrentar a violenta crise envolvendo os rohingya, uma minoria islâmica de Mianmar.

Falando a repórteres na quarta-feira (20) em Nova York, onde está participando da reunião de cúpula na Assembleia Geral da ONU, Kono anunciou a ajuda financeira humanitária e falou sobre a violenta crise em Mianmar.

Kono disse que condena o ataque dos insurgentes rohingya às forças de segurança de Mianmar, o que desencadeou a violência em curso.

Por outro lado, o ministro japonês expressou forte preocupação com os supostos assassinatos de civis Rohingya, minoria islâmica que vive há muito tempo em Mianmar, mas de onde tem fugido para o país vizinho Bangladesh na tentativa de escapar da violência e discriminação que enfrentam no país birmanês.

Kono afirmou que o governo japonês está preocupado tanto com a violência dos insurgentes como com o êxodo que já ultrapassa dos 400 mil rohingya deslocados para Bangladesh.

O diplomata japonês adiantou que enviará a vice-ministra de sua pasta, Iwao Horii, a Mianmar nesta quinta-feira (21). Horii terá como principal missão se inteirar da situação atual no país, onde se encontrará com autoridades do governo local e assim ajudar a encontrar meios de solucionar a crise, bem como explicar como se dará a ajuda financeira do Japão.

Segundo Kono, o governo de Mianmar prometeu que implementará recomendações por uma comissão consultiva liderada pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

Entenda a crise

De acordo com o Conselho de Segurança da ONU, o atual êxodo de muçulmanos rohingya que fogem da violência no noroeste de Mianmar tem potencial para virar um desastre humanitário.

Dados recentes da ONU mostraram que cerca de 400 mil refugiados já atravessaram a fronteira para Bangladesh desde 25 de agosto, quando militantes rebeldes rohingya atacaram forças de segurança birmanesas, provocando uma brutal contraofensiva dos militares contra aldeias dessa minoria islâmica no país asiático.

Esses muçulmanos sunitas falam um dialeto de origem bengali utilizado no sudeste de Bangladesh, de onde são originários. Muitos vivem no estado de Rakhine, no noroeste de Mianmar, mas são apátridas, porque o país lhes nega a cidadania.

Existência apátrida
Os rohingyas viveram por décadas no estado de Rakhine, sob políticas de discriminação racial parecidas com o Apartheid – regime de segregação que vigorou na África do Sul por mais de 40 anos.

Desde 2011, após a dissolução da junta militar que imperou por quase meio século no Mianmar, as tensões entre as comunidades aumentaram. Um poderoso movimento de monges nacionalistas não se absteve de provocar o ódio, considerando que os muçulmanos representam uma ameaça para Mianmar, um país com mais de 90% de sua população budista.

Nos últimos anos, milhares deles fugiram de Mianmar para a Malásia ou para a Indonésia. Outros decidiram seguir para Bangladesh, país para onde dezenas de milhares já fugiram desde o início da violência entre o Exército birmanês e os rebeldes no final de agosto.

Considerados estrangeiros em Mianmar, os rohingyas são vítimas de múltiplas discriminações: trabalho forçado, extorsão, restrições à liberdade de circulação, regras de casamento injustas e confisco de terras.

Gerações
Em Mianmar, os rohingyas são frequentemente chamados de “bengalis”, um termo depreciativo para identificar o fato de que são imigrantes ilegais de Bangladesh, embora famílias rohingya tenham vivido na região por gerações.

Os rohingyas são a maioria étnica em Maungdaw, distrito do estado de Rakhine, região de onde provém a maioria dos últimos refugiados que deixaram Mianmar.

Violência recente
Nas últimas semanas, os ataques realizados pelo Exército de Salvação Arakan Rohingya (ARSA) foram aumentando de intensidade. Em outubro passado, quando o grupo liderado por Ata Ullah apareceu pela primeira vez, atacou três postos da polícia de fronteira com cerca de 400 combatentes.

A resposta militar começou imediatamente, com uma brutalidade que levou mais jovens rohingya a se juntarem à milícia rebelde, que hoje contaria com cerca de 6,5 mil homens.

Em um ataque noturno, os militantes rohingya atacaram 30 postos policiais e uma base militar de uma só vez. Cerca de 400 rebeldes e 13 membros das forças de segurança morreram, de acordo com o governo de Mianmar.

Os ataques ocorrem principalmente em Maungdaw, em Buthidaung e na região de Rathedaung.

Os ataques provocaram uma ofensiva do exército que matou pelo menos 400 pessoas até agora. Foi denunciado o ataque contra dezenas de aldeias, que teriam sido queimadas, e numerosos civis teriam sido estuprados. O governo local negou as acusações.

Por causa da violência, os refugiados voltam a atravessar a fronteira do rio Naf, perto de aldeias rohingya. Os campos de refugiados já existentes em Bangladesh estão próximos da capacidade total, enquanto os números continuam aumentando. Novos assentamentos espontâneos começam a se formar ao longo da fronteira.

Cruzando a fronteira
Os que podem pagar as taxas cobradas por traficantes de seres humanos tentam atravessar o rio e chegar a Bangladesh de barco. Aqueles que não podem pagar tentam flutuar pelo rio Naf segurando recipientes de plástico ou barris vazios.

Os guardas de fronteira de Bangladesh muitas vezes esperam do outro lado, patrulhando o rio para tentar coibir os cruzamentos ilegais. Mas a maioria dos rohingya consegue passar ao outro lado.

O aumento de refugiados em Bangladesh, muitos doentes ou feridos, levou a um aumento dos recursos das agências humanitárias e das ONGs, que já ajudaram mais de 400 mil pessoas em fuga da violência em Mianmar. Muitos dos rohingya não têm abrigo, e os agentes humanitários estão tentando fornecer água, alimentos e assistência sanitária.

Fontes: Agência AFP | Portal G1 | NHK World News.

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