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Construção do muro de gelo na usina de Fukushima está em fase final

Trabalhadores em Fukushima Daiichi inspecionam uma das sessões do muro de gelo (Foto: Pool/Kyodo)

O muro de 1,5 km de extensão tem como objetivo reduzir o acúmulo de água radioativa na danificada usina.

A Companhia de Energia Elétrica de Tóquio (Tokyo Electric Power Company – Tepco), operadora da danificada usina nuclear em Fukushima, deu início ontem (22) à fase final da construção de uma parede de gelo subterrânea no complexo atômico, informou nesta quarta-feira (23) a emissora pública japonesa ‘NHK’.

Os trabalhos de construção na central Fukushima Daiichi foram iniciados há 17 meses, com o objetivo de evitar que a água subterrânea penetre nos edifícios do reator e se contamine com substâncias radioativas.

A barreira de gelo de 1,5 km de extensão e 30 metros de profundidade é considerada a medida chave para diminuir o acúmulo da água contaminada no danificado complexo atômico, que também é chamado de Fukushima 1, já que a província abriga mais uma central nuclear, ou seja, “Fukushima Daiini”, também chamada de Fukushima 2.

O solo é congelado através do envio de líquido, a 30 graus Celsius negativos, em tubos embutidos em volta dos edifícios. Contudo, a instalação deixou uma seção de 7 metros descongelada, por temor de redução repentina nos níveis de água subterrânea em volta dos edifícios.

Planta do projeto “muro de gelo” na usina nuclear Fukushima Daiichi (Foto: Pool/Tepco)

A princípio, existiam preocupações de que a diferença nos níveis de água dentro e fora dos edifícios do reator pudessem causar vazamento da água interna.

Contudo, na terça-feira da semana passada, a Autoridade Reguladora Nuclear disse que medidas de segurança estão prontas e deu sua aprovação para o congelamento da seção final.

Representantes da Tepco disseram que funcionários específicos vão monitorar cuidadosamente o processo de congelamento da seção restante.

Esses funcionários disseram à ‘NHK’ que esperam que a parede, quando terminada, venha a reduzir a penetração de água subterrânea nos edifícios, de 140 toneladas por dia para menos de 100 toneladas.

Quando foi atingida por um gigantesco tsunami gerado pelo potente terremoto em 11 de março de 2011, a central nuclear Fukushima Daiichi provocou a maior crise nuclear desde o acidente na usina atômica de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

O acidente provocou a retirada de centenas de milhares de pessoas das cidades num raio de 20 quilômetros ao redor da usina. Até hoje, milhares de pessoas vivem em abrigos temporários.

Embora muitos governos locais tenham levantado a ordem de evacuação de suas respectivas cidades após descontaminação das mesmas ao longo dos anos, muitos evacuados não querem retornar aos seus lares por acreditar que ainda exista radiação ou que aconteça uma nova tragédia semelhante.

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