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Mesmo com intervenções do BC, dólar salta 2,28% e fecha perto de R$ 4,15

O Banco Central realizou ao todo quatro intervenções no câmbio, mas não conseguiu afastar o dólar das máximas da sessão.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar avançou frente ao real pela quinta sessão seguida e renovou sua máxima histórica alcançada na véspera, para fechar nesta quarta-feira (23) acima de R$ 4,14, ignorando as massivas intervenções que o Banco Central efetuou hoje no câmbio.

A divisa norte-americana saltou 2,28%, maior alta diária desde o dia 4 de setembro (2,68%), e fechou cotada a R$ 4,1461 na venda, novo recorde de fechamento após subir 1,83% na véspera e fechar a R$ 4,05. Até então, a cotação máxima de fechamento havia sido registrada em 10 de outubro de 2002 (R$ 3,9900), às vésperas da eleição presidencial que levou Luiz Inácio Lula da Silva ao poder pela primeira vez.

É a quinta alta seguida do dólar, que acumulou valorização de 8,14% no período. Somente neste ano, o dólar já avançou 55,94%. Em 12 meses, já valorizou 72,25%.

O quadro político e econômico preocupante no Brasil tem levado a fortes turbulências nos mercados financeiros. Logo cedo, o dólar chegou a recuar quase 1% após a decisão do Congresso Nacional nesta madrugada de manter os vetos da presidente Dilma Rousseff e evitar maior pressão nas contas públicas. Mesmo assim, o mercado seguiu cauteloso.

“O veto mais importante é o do aumento (de salários dos servidores do) Judiciário e não sabemos quando ele vai ser analisado”, disse o operador de uma corretora nacional à Reuters, referindo-se ao veto que, se derrubado, vai gerar gastos de R$ 36 bilhões até 2019, segundo cálculos do governo.

Citando riscos aos planos fiscais do governo no curto prazo e a grande probabilidade de novos rebaixamentos da nota de crédito do Brasil, o Credit Suisse passou a projetar que o dólar deve atingir R$ 4,25 em três meses e R$ 4,50 em doze meses, contra R$ 3,65 e R$ 4,10, respectivamente.

Intervenções do Banco Central no câmbio
Nesta quarta-feira, o Banco Central realizou ao todo quatro intervenções no mercado de câmbio, mas não conseguiu afastar a moeda norte-americana das máximas da sessão.

No início da tarde, o BC vendeu 4.400 swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares) da oferta de até 20 mil. Realizou também dois leilões de venda de dólares com compromisso de recompra, com oferta de até US$ 4 bilhões no total. Na quinta-feira, fará outra oferta de até 20 mil swaps cambiais. Os leilões, segundo assessoria de imprensa do BC, não são para rolar contratos já existentes.

Desde abril, o BC não fazia leilão de swap sem ser para rolagem. Mesmo com a maior intervenção, a alta do dólar não cedeu. “O mercado está perdido e corre para o dólar”, resumiu o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho, à agência de notícias Reuters.

Além disso, o BC deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em outubro, vendendo a oferta total de até 9.450 contratos. Ao todo, já rolou o equivalente a US$ 7,179 bilhões, ou cerca de 76% do lote total, que corresponde a US$ 9,458 bilhões.

Cenário externo
No mercado externo, também havia pessimismo. O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou que os riscos ao cenário de inflação e economia na Europa aumentaram devido à desaceleração dos mercados emergentes.

“(Draghi demonstrou) preocupação com a perspectiva de crescimento global e a apreensão com o Brasil continua”, disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta à Reuters.

(Com informações da Agência Reuters e Valor Econômico)

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