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Dólar quebra série de 5 altas e fecha em forte queda após bater R$ 4,24 no dia

O dólar despencou 3,73%, maior queda diária desde novembro de 2008, e voltou a ser cotada abaixo de 4 reais.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar interrompeu uma sequência de cinco altas e fechou em queda de quase 4% nesta quinta-feira (24), abaixo do patamar de R$ 4, após passar a marca histórica de R$ 4,24 na máxima do dia. A moeda americana perdeu força e passou a despencar depois de declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, sinalizar que o BC poderá realizar leilões de dólares no mercado à vista.

A divisa norte-americana despencou 3,73%, cotada a R$ 3,9914 na venda, após subir 2,28% na máxima da sessão, a R$ 4,2491, e cair 3,98% na mínima, a R$ 3,9810.

A queda nesta sessão é a mais elevada desde o dia 24 de novembro de 2008, quando caiu 5,24%. Além disso, o forte recuo vem após cinco altas consecutivas do dólar, que atingiu na véspera sua máxima histórica frente ao real, cotado a R$ 4,1461. Nas últimas cinco sessões, a divisa dos EUA havia acumulado valorização de 8,14% no período.

Mesmo com a forte queda, o dólar acumula alta de 0,84% na semana. No mês e no ano, a valorização é de 10,04% e de 50,13%, respectivamente.

O dólar operou em forte alta pela manhã, mas perdeu força e passou a cair depois de declarações do presidente do Banco Central. Alexandre Tombini, em uma aparição surpresa na apresentação do Relatório Trimestral de Inflação, afirmou que “certamente todos os instrumentos estão à disposição do BC”, em resposta a questionamento sobre o uso das reservas cambiais diretamente no mercado de câmbio, conforme noticiou a agência de notícias Reuters.

Tombini também reafirmou a estratégia de manter a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% por um “período suficientemente prolongado”, num momento em que o mercado apostava na alta dos juros no futuro.

A declaração, que trouxe expectativa de que o BC possa fazer leilões de dólares no mercado à vista, arrancou o dólar das máximas do dia e novos níveis recordes, quando deu continuidade ao avanço das cinco sessões anteriores diante de preocupações com a situação política e econômica no Brasil.

No fim da sessão, o bom humor ganhou mais um impulso com o anúncio de um programa de leilões diários de venda e compra de títulos pelo Tesouro Nacional, em meio a forte volatilidade nos juros futuros.

Segundo operadores ouvidos pela Reuters, a fala de Tombini e a ação do Tesouro deixam evidente que o governo avalia que a intensa pressão sentida nos mercados financeiros nas últimas semanas levou o mercado a agir de maneira irracional.

“O mercado ficou preso em um círculo vicioso de baixa confiança. Hoje, o BC parece ter conseguido interromper esse movimento no grito, mas se isso voltar, pode ser que tenha que agir de forma concreta”, disse um deles.

Operadores relutavam em estimar até que ponto o dólar deve subir, mas é unânime a percepção de que deve continuar pressionada. O dólar subiu nos cinco dias anteriores, acumulando alta de 8,14%.

“Estamos em uma sinuca de bico. Recessão com inflação é uma espiral perigosa e, se não sairmos rapidamente disso, pode ser desastroso. E as chances de isso acontecer são cada vez menores, principalmente com a política como está”, disse à Reuters o operador de uma corretora nacional.

A moeda norte-americana tem sido pressionada pela deterioração das contas públicas do Brasil e pelas turbulências políticas. Investidores temem que o país perca seu selo de bom pagador por outras agências de classificação de risco além da Standard & Poor’s.

Programa do Tesouro de leilões diários
O Tesouro Nacional anunciou um programa de leilões diários de compra e venda de Notas do Tesouro Nacional-Série F (NTN-F) entre 25 de setembro e 2 de outubro, com objetivo de diminuir a instabilidade no mercado.

Além disso, fará um leilão extraordinário de venda de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) no dia 29 de setembro.  Já os leilões tradicionais de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e NTN-F previstos para 1º de outubro foram cancelados.

Segundo comunicado do Tesouro, o objetivo é “fornecer liquidez ao mercado de títulos públicos e garantir o bom funcionamento desse e de outros mercados correlatos”.

Atuação do Banco Central intensificada
O Banco Central  intensificou sua atuação no mercado de câmbio na véspera, com dois leilões de venda de dólares com compromisso de recompra e um leilão de novos swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares).

Também durante a sessão passada, anunciou para esta quinta-feira outro leilão de novos swaps, na qual vendeu a oferta total de até 20 mil contratos.

Além disso, o BC vendeu a oferta total de até 9.450 swaps cambiais para rolagem dos contratos que vencem em outubro. Ao todo, já rolou o equivalente a US$ 7,621 bilhões, ou cerca de 80% do lote total, que corresponde a US$ 9,458 bilhões.

Os leilões de rolagem servem para adiar os vencimentos de contratos que foram vendidos no passado.

(Com informações da Agência Reuters)

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