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Dólar renova máxima em mais de dez anos e fecha perto de R$ 2,90

Desde o início do ano, o dólar já acumula valorização de 8,51%.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar renovou sua máxima em mais de dez anos ante o real nesta quinta-feira (26), após indicadores econômicos dos Estados Unidos elevarem as apostas de que o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) poderá elevar a taxa de juros ainda este ano.

A moeda norte-americana encerrou o dia com valorização de 0,60%, cotada a R$ 2,8852 na venda, após subir de 1,22% na véspera. Na mínima da sessão, a moeda chegou a R$ 2,8414 e, na máxima, a R$ 2,8945. Trata-se do maior nível de fechamento desde 15 de setembro de 2004, quando foi a R$ 2,903 reais. Desde o início de janeiro, o dólar já acumula valorização de 8,51%.

Segundo dados da BM&F, o movimento financeiro ficou em torno de US$ 1,7 bilhão, contra cerca de US$ 1,4 bilhão na quarta-feira.

Após operar em queda nas primeiras horas de negociações nesta quinta, a moeda mudou de rumo no meio da manhã, acompanhando a virada da moeda para terreno positivo no exterior, depois da divulgação de indicadores mistos sobre a economia dos Estados Unidos sugerirem que o Fed pode começar a elevar a taxa de juros em meados deste ano, apesar de declarações cautelosas da chair do banco central norte-americano, Janet Yellen.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) norte-americano caiu 0,7% em janeiro ante dezembro, mais do que a queda prevista de 0,6%. No entanto, o núcleo do CPI, que exclui os preços de energia e alimentos, subiu 0,2%, superando a expectativa de ganho de 0,1%. Já as encomendas de bens duráveis dos EUA subiram 2,8% em janeiro ante o mês anterior, bem mais que a previsão de alta de 0,6%.

O resultado sustenta a visão de Yellen, de que a inflação norte-americana tem sido pressionada pelo efeito transitório do declínio do petróleo e, eventualmente, voltará a convergir para a meta anual, de 2,0%. Esta visão e outras declarações feitas pela presidente do Fed, na terça-feira, sugeriram que um aumento nas taxas de juros do país, que se encontra nas mínimas desde 2008, não viria tão cedo.

Economistas consultados pela Agência Reuters, no entanto, vêm que o Fed agirá em junho. Juros mais altos nos EUA podem atrair para a maior economia do mundo recursos investidores atualmente em países como o Brasil.

No cenário doméstico, a agenda de indicadores foi movimentada. Entre os destaques estavam o resultado primário do governo, dados de emprego e de inflação.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego ficou em 5,3% em janeiro de 2015, ante taxa de 4,3% em dezembro. O resultado ficou acima da mediana das estimativas de 5,00%.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) desacelerou de 0,76% em janeiro para 0,27% em fevereiro, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado ficou dentro das estimativas colhidas pelo AE Projeções, entre 0,18% e 0,40%, e ligeiramente abaixo da mediana, de 0,28%.

À tarde foi anunciado o resultado fiscal do governo. Segundo o Tesouro Nacional, o Governo Central registrou um superávit primário de R$ 10,405 bilhões em janeiro, com um queda de 20,2% em relação ao mesmo mês do ano passado – marcando o pior resultado para o mês desde 2009.

Os resultados dos indicadores contribuem para ampliar o pessimismo sobre a economia brasileira. Na sessão passada, os ânimos dos investidores deterioram após a notícia do rebaixamento da Petrobras pela Moody’s ao grau especulativo, o que levou a moeda norte-americana a subir 1,22% ante o real.

A estatal, envolvida em um escândalo bilionário de corrupção, pode ter de quitar antecipadamente sua dívida devido ao atraso na divulgação de seu balanço financeiro, o que geraria intensa pressão de liquidez sobre a companhia.

Alguns operadores acreditavam que o dólar pode chegar a níveis relativamente equilibrados no curto prazo, enquanto investidores aguardam sinais que indiquem se o aperto fiscal promovido pelo governo está dando resultados.

“Nesses últimos dias, o dólar tem feito esses movimentos: busca níveis mais altos, depois volta. O mercado está dando um tempo antes de voltar a ficar tomador”, disse à Reuters o operador da corretora Walpires, José Carlos Amado, ressaltando, contudo, que a moeda norte-americana ainda tem “potencial” para se apreciar.

Atuações do Banco Central no câmbio
O Banco Central manteve seu programa de intervenções no mercado de câmbio. Nesta manhã, foram vendidos 2.000 contratos de swap cambial tradicional (equivalentes à venda futura de dólares). Sendo 500 com vencimento em 1º de dezembro deste ano e os outros 1.500 para 1º de fevereiro do ano que vem.

O BC também rolou praticamente todo o lote de contratos que vence em 2 de março, repetindo o padrão que vem seguindo nos últimos cinco meses ao vender a oferta total de até 13 mil contratos.

Foram vendidos 11.400 contratos para 1º de abril de 2016 e 1.600 com vencimento em 1º de junho do ano que vem.

A operação movimentou o equivalente a US$ 631,4 milhões. Se mantiver o comportamento dos últimos meses e não fizer leilão para rolagem na última sessão do mês, a autoridade monetária terá rolado o equivalente a US$ 10,085 bilhões, ou cerca de 97% do lote total, correspondente a US$ 10,438 bilhões.

O próximo lote de swaps vence em 1º de abril e equivale a US$ 9,964 bilhões.

(Com informações das Agências Estado e Reuters)

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