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Dólar cai após série de 3 altas, mas se mantém no patamar de R$3,60

Apesar da queda, o dólar acumula alta de 3% na semana e valorização superior a 60% em 12 meses.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar interrompeu uma sequência de três sessões consecutivas de alta e fechou em queda nesta quarta-feira (26), após chegar a bater R$ 3,65 pela manhã. A mudança de rumo refletiu a notícia sobre a aprovação, ainda que em caráter temporário, da medida provisória que eleva a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre instituições financeiras, o que gera mais vendas de moeda estrangeira.

A moeda norte-americana desvalorizou 1,19%, cotada a R$ 3,6014 na venda, após chegar a subir 1,33% na máxima do dia, quando foi negociada a R$ 3,6563, maior patamar intradia desde 14 de fevereiro de 2003, quando bateu R$ 3,6700.

Há exatamente um ano, em 26 de agosto de 2014, a moeda norte-americana tinha fechado a R$ 2,264. Isso representa um salto de 60,33% em 12 meses sobre o real.

Apesar da queda nesta quarta, o dólar ainda acumula alta de 3% na semana. No mês e no ano, a valorização é de 5,16% e 35,46%, respectivamente.

O dólar anulou de vez a alta vista mais cedo após a divulgação de que a comissão mista no Congresso aprovou a elevação da alíquota da CSLL para instituições financeiras para 20% até 1º de janeiro de 2019, quando volta a vigorar o percentual de 15%.

A expectativa de aumento da CSLL gerou mais vendas de moeda estrangeira no mercado futuro nas últimas duas semanas, reflexo de um reforço no “hedge” cambial das instituições financeiras para compensar o custo maior com o tributo.

As expectativas para o real, contudo, seguem frágeis. Mesmo os fluxos oriundos de uma CSLL maior podem ter seu efeito dissolvido pelo quadro maior de aversão a risco no exterior e pelas incertezas locais.

O especialista em câmbio consultado pela agência “Valor Online” disse que a análise técnica também é desfavorável à moeda brasileira. O real é a quarta moeda que mais cai ante o dólar nesta semana, atrás apenas do dólar neozelandês, do peso chileno e do peso colombiano.

Ainda de acordo com o especialista, as vendas de dólares no mercado futuro “seguraram” o real nas últimas semanas, enquanto outras divisas emergentes sofreram quedas expressivas. Passado esse período, contudo, o efeito dessas vendas “se dissolveu”, justamente em um momento em que a China provocou uma fuga generalizada de ativos de risco. “Como o mercado estava menos comprado, mais leve, o dólar teve todo espaço para voltar a subir”, diz o profissional.

A disparada da moeda norte-americana também tem sido impulsionada pela visão de que o Banco Central está em um “corner”. Segundo esse profissional, o mercado enxerga o BC como aparentemente indisposto a reforçar a intervenção no câmbio via mais vendas de swaps cambiais (equivalente a venda futura de dólares). Isso porque mais swaps agora equivaleria a uma colocação líquida desses papéis, o que aumentaria o estoque de swaps, indo de encontro à estratégia do BC de reduzir o montante.

Por outro lado, usar reservas internacionais também não parece no radar, tanto porque aparentemente não há problemas de liquidez no mercado cambial quanto pelo fato de o “colchão” brasileiro ter sido citado por agências de classificação de risco como um dos pontos fortes do país hoje.

Uma terceira opção seria abrandar a depreciação cambial por meio de aumento de taxa de juros. “Mas segurar o real via política monetária só seria possível agora com choque de juros, o que parece completamente fora de possibilidade uma vez que a economia está no chão”, conclui o profissional consultado pelo “Valor”.

Atuação do Banco Centra no Câmbio
Nesta manhã, o Banco Central vendeu a oferta total de até 11 mil contratos de swap cambial tradicional, que equivalem a venda futura de dólares, para a rolagem do lote que vence no próximo mês.

Ao todo, o BC já rolou US$ 8,621 bilhões, ou cerca de 86%, do total de US$ 10,027 bilhões. Se continuar neste ritmo, a autoridade monetária vai recolocar todo o lote.

Perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos
Os investidores também ficam de olho nas notícias dos EUA, à espera de sinais sobre o que o banco central norte-americano vai fazer com os juros.

Alguns acreditam que o Federal Reserve possa elevar os juros nos EUA já em setembro. Porém, essa decisão depende da situação do emprego e da inflação no país.

Assim, quando são divulgados números fortes sobre a economia norte-americana, mais investidores passam a apostar na alta dos juros no mês que vem. Por outro lado, dados ruins fazem os analistas crerem que o BC dos EUA vai colocar o pé no freio e adiar a decisão.

Se os juros subirem nos EUA, a tendência é que migrem para lá recursos atualmente investidos em outros mercados, entre ele o Brasil. Com menos dólar por aqui, a moeda tende a ficar mais cara.

 

(Com informações das Agências Reuters e Valor Online)

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