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Cigarro eletrônico vira febre no Japão

Foto: Reuters

As lojas no Japão não conseguem manter suas prateleiras com o produto por mais de um dia.

Os cigarros eletrônicos, comumente usados para ajudar fumantes a abandonar os cigarros convencionais, se tornaram febre no Japão, tão popular que a demanda está superando a oferta no país.

Chamados de e-cigs (e-cigarros), o produto chegou ao Japão em abril do ano passado, lançado pela companhia Philip Morris Japan KK com o nome iQOS. As vendes em Tóquio, no entanto, teve início meses depois, em setembro.

O iQOS é um “cigarro” feito de tabaco, mas não é queimado, e gera vapor em vez de fumaça através de um dispositivo cilíndrico pequeno em que o fumo é aquecido a 250⁰C.

Apesar de o kit do iQOS ter um preço muito elevado no país, a partir de 9.980 ienes, aproximadamente 316 reais, as lojas de conveniência e lojas de tabaco não conseguem manter suas prateleiras com o produto por mais de um dia, uma vez que a procura tem se mostrado muito maior que a oferta.

“Nós distribuímos bilhetes numerados para os clientes no dia em que chegam os iQOS”, disse o gerente de uma loja de tabaco em Tóquio, acrescentando que a demanda aumenta a cada carregamento do produto. A percentagem de iQOS no mercado em Tóquio já ultrapassou de 5%.

De olho nesse mercado promissor, a companhia Japan Tobacco Inc. começou a vender seus próprios cigarros eletrônicos, o Ploom Tech, ao preço de 4.000 ienes o kit. O Ploom Tec foi lançado em maço deste ano em Fukuoka, no sul do país, ao mesmo tempo em que aceitava pedidos pela internet.

A grande demanda, no entanto, forçou a empresa a suspender as vendas temporariamente, alegando que precisava de tempo para ampliar a produção e reformular estratégia de vendas. Em junho, o fornecimento do Ploom Tech foi retomado, mas de forma limitada – a Japan Tobacco vetou pedidos para novos clientes online e está distribuindo o produto apenas para os clientes iniciais.

O que é o cigarro eletrônico
O cigarro eletrônico é um dispositivo que converte em vapor a nicotina diluída em líquidos específicos, como o propilenoglicol, por exemplo. A nicotina é a substância responsável pelo vício causado pelo cigarro, por isso mesmo o cigarro eletrônico vem sendo largamente vendido como uma forma de deixar essa dependência para trás, apesar de especialistas discordarem dessa afirmação e não considerarem o cigarro eletrônico como uma técnica para parar de fumar.

Criação
Ele foi inventado em 2003 por um farmacêutico chinês chamado Hon Lik, sob alegação de ser uma forma menos nociva de consumir a nicotina, sem que o tabaco fosse queimado, evitando assim e eliminação das outras mais de 4.700 substâncias produzidas nessa queima. Porém, especialistas hoje afirmam não haver certeza sobre a exposição em longo prazo à nicotina sozinha.

O aparelho funciona com o uso de refis, e eles nem sempre precisam conter nicotina em sua solução. Alguns desses refis têm sabores como chocolate, menta e morango, o que os ajuda a se tornarem mais palatáveis.

Como funciona
A ideia principal do cigarro eletrônico é simular a sensação de um cigarro normal, mas usando apenas a nicotina, que é o elemento viciante do tabaco. Assim, o cigarro eletrônico se diz livre das outras mais de 4.700 substâncias que são fruto da queima do tabaco, sendo que várias são nocivas à saúde, causando câncer de pulmão, entre outras doenças.

Para tanto, a nicotina é diluída em uma substância, normalmente o composto propilenoglicol. Essa mistura é comparada em refis, que são armazenados em um reservatório dentro do dispositivo. Esse reservatório é ligado a um vaporizador, que transforma o líquido em fumaça. Na ponta que corresponderia ao filtro, o usuário pode tragar esse vapor, como se estivesse fumando um cigarro comum.

Polêmica
O cigarro eletrônico não é considerado pelos especialistas como uma técnica para parar de fumar, o que muitas vezes é confundido pelo grande público. Sua venda é proibida no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde 2009, justamente por não haver provas consistentes de seu uso ser seguro. Mesmo assim, muitos brasileiros o utilizam, pois ele pode ser facilmente obtido em outros países em que sua venda é autorizada, como os Estados Unidos, Reino Unido e Japão.

Não há comprovação científica de que o cigarro eletrônico seja menos danoso que o cigarro comum. A alegação de ele só conter nicotina não é satisfatória, pois alguns dos refis contêm outras substâncias tóxicas do tabaco, mesmo que em muito menor quantidade.

Estudo
Recentemente, um grupo de médicos de referência recomendou o uso de cigarros eletrônicos para ajudar fumantes a abandonar os cigarros convencionais.

Segundo os membros do Royall College of Physicians, do Reino Unido, há evidências claras de que os chamados e-cigs são muito mais seguros e ajudar a largar o vício em nicotina.

Num relatório de 200 páginas divulgado em abril passado, a entidade explica que os cigarros eletrônicos podem ajudar milhões de pessoas, se usados corretamente.

Como se sabe, é possível regular as taxas de nicotina do fluido desses dispositivos. O usuário pode reduzir esses níveis até chegar a zero. Há, também, fluidos sem nenhum resquício de nicotina, substância que causa o vício em cigarros convencionais, explica o grupo.

De acordo com os médicos britânicos, o receio de que os e-cigs sejam uma porta de entrada para os cigarros convencionais é infundado. Além disso, muitos fluidos não possuem as substâncias tóxicas que existem no tabaco.

Riscos à saúde
Contudo, ainda não há um estudo mais profundo atestando que o cigarro eletrônico é seguro e não prejudicial à saúde, enquanto alguns especialistas afirmam que os e-cigs provocam dependência ao usuário.

Fontes: Agência Kyodo | The Yomiuri Shimbun| Jornal O Globo.

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