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Dólar cai mais de 2%, mas fecha o mês com valorização acima de 9%

É o terceiro mês seguido de avanço do dólar. No ano, a moeda já subiu 49,15% frente ao real.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar recuou mais de 2% e fechou em queda pelo segundo dia seguido nesta quarta-feira (30), abaixo de R$ 4, em meio às incertezas relativas a intervenções do Banco Central, o que manteve o mercado instável. Mas às ações tomadas pelo governo brasileiro para apaziguar as tensões com a base aliada no Congresso, aliada ao ambiente de menor aversão a risco no exterior, contribuíram para reduzir a pressão de alta do dólar no mercado local.

Ao término da última sessão de setembro, a moeda-norte-americana caiu 2,30%, cotada a R$ 3,9655 na venda. Apesar do forte recuo no dia, o dólar fecha o mês com valorização de 9,33%. É o terceiro mês seguido de avanço da moeda. No ano, o dólar já subiu 49,15%.

De acordo com a agência de notícias “Valor”, o movimento foi provocado pelo noticiário doméstico, o que inclui o andamento da reforma ministerial, reajuste dos preços dos combustíveis, e expectativa em relação à avaliação dos vetos às pautas-bomba.

Investidores aproveitaram o ambiente de menor aversão a risco para corrigirem parte dos exageros no câmbio. “O câmbio acima de R$ 4 não faz sentido tecnicamente, claramente houve um ‘overshooting’ do dólar”, afirmou o diretor de gestão de recursos da ‘Ativa Corretora’ Arnaldo Curvello à agência “Valor”.

Arnaldo destaca, no entanto, que o mercado reduziu as posições diante do aumento recente da volatilidade, o que faz com os movimentos no câmbio sejam mais intensos.

Melhora no cenário político local
Investidores receberam bem as ações tomadas pelo governo para apaziguar as tensões com a base aliada no Congresso.

“A melhora no cenário político passa pela visão de que os vetos da presidente (Dilma Rousseff) podem ser aprovados pelo Congresso, e cresce a chance de a CPMF emplacar”, disse o estrategista da corretora Coinvalores Paulo Celso Nepomuceno à agência de notícias Reuters, referindo-se a medidas importantes do reequilíbrio das contas públicas brasileiras.

No entanto, operadores ressaltavam que o alívio desta sessão pode muito bem ser pontual, e a instabilidade do dólar deve continuar. Além disso, dúvidas sobre a possibilidade de o BC vender dólares no mercado à vista, após reforçar sua atuação com leilões de linha e de novos swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares), também adicionavam incerteza às operações.

Formação Ptax
A briga pela formação da Ptax, taxa calculada pelo BC que serve como referência para diversos contratos cambiais, também Contribuiu ainda para a queda do dólar. Operadores costumam disputar no último pregão do mês para deslocar as cotações de forma a garantir uma taxa mais favorável a seus negócios.

A formação da Ptax, que será utilizada para a contabilizar as dívidas das empresas no balanço de terceiro trimestre e liquidar os contratos de derivativos que vencem amanhã, levou o dólar a ser negociado a R$ 3,9240 na mínima intradia.

A taxa Ptax encerrou o mês em alta de 8,95% e acumula valorização de 28,05% no trimestre. É a maior alta no trimestre desde setembro de 2002, quando a variação no trimestre foi 36,93%.

Atuações do Banco Central no câmbio
O Banco Cemtral concluiu nesta sessão a rolagem dos swaps cambiais que vencem em outubro, repondo 95% do lote total. O próximo lote de swaps vence em 3 de novembro e equivale a US$ 10,278 bilhões.

Os leilões de rolagem servem para adiar os vencimentos de contratos que foram vendidos no passado.

“O BC parece ter escolhido uma estratégia de intervenção cambial caracterizada por ‘imprevisibilidade’, com o momento, o tamanho e o produto específico a serem adotados variando diariamente”, escreveu o estrategista global de câmbio do banco Nomura, Mario Roble. Ele ressaltou que “efetivamente, não há motivo urgente para usar as reservas, pelo menos de um ponto de vista de fundamentos”.

Dívida pública
O setor público brasileiro (que inclui o governo central, governos estaduais e municipais e empresas estatais) não conseguiu economizar para pagar os juros da dívida pública em agosto. Esse resultado é chamado de primário.

O deficit primário mensal foi de R$ 7,31 bilhões; analistas consultados pela agência de notícias Reuters esperavam resultado negativo de R$ 14,45 bilhões.

Pelos cálculos do Banco Central, que têm pequenas diferenças metodológicas em relação aos do Tesouro, o governo central teve resultado negativo de R$ 6,9 bilhões.

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