Meio ambiente e Energia Política

Japão vai ajudar Ucrânia a melhorar eficiência de suas usinas termoelétricas

O ministro japonês Toshimitsu Motegi esteve na Ucrânia, em meio ao crescente conflito no país.

Do Mundo-Nipo com Agências

O ministro da Indústria do Japão, Toshimitsu Motegi, anunciou um plano de medidas para ajudar a Ucrânia aumentar a eficiência de suas já desgastadas usinas termoelétricas. O anúncio aconteceu na capital ucraniana, Kiev, durante a visita do ministro ao conturbado país europeu, onde Montegi se encontrou com o ministro do Desenvolvimento Econômico e do Comércio ucraniano, Pavlo Sheremeta.

 

Toshimitsu Motegi (Foto: Kyodo)

Montegi chegou a Ucrânia no dia em que as forças de defesa do país apertaram o cerco a Donetsk, principal reduto dos separatistas pró-Rússia do leste do país (Foto: Kyodo)

 

O ministro ucraniano agradeceu a Motegi pela visita, principalmente “neste momento em que o país passa por extremas dificuldades”. Em resposta, o ministro japonês expressou o desejo de fortalecer as relações com a Ucrânia, considerando o país um “amigo que precisa de ajuda”.

Na terça-feira (5), em uma declaração conjunta assinada por Motegi e Yurii Prodan, ministro da Indústria da Energia e do Carvão ucraniano, as duas nações concordaram em esboçar um plano básico de energia para a Ucrânia, no qual o Japão promete dar assistência técnica para aumentar a eficiência das usinas termoelétricas do país, que são muito antigas.

Cerca de 30% da energia doméstica da Ucrânia é dependente de gás natural russo. Reduzir essa dependência por meio do uso eficiente de seus recursos domésticos de carvão é um dos principais desafios que o país enfrenta.

Na segunda-feira (4), dia da chegada de Montegi a Ucrânia, as forças de defesa do país apertaram o cerco a Donetsk, principal reduto dos separatistas pró-Rússia do leste do país, pedindo à população civil para abandonar a região.

O porta-voz militar ucraniano, Andrii Lysenko, disse que “a região está ocupada pelos terroristas”, que “estão saqueando a população local, realizando sequestros e se apoderando de imóveis e veículos particulares”.

O Estado-Maior ucraniano pediu aos separatistas em Donetsk que observem um cessar-fogo em certas artérias para permitir a saída de civis da cidade.

O Exército ucraniano, que afirma ter recuperado 645 localidades em cerca de quatro meses de ofensiva, afirma que está às portas de Donetsk após a queda de Iasynuvata, 20 km ao norte.

No mesmo dia, ocorreram intensos combates em Mariinka, na periferia sudoeste de Donetsk. “Donetsk e Lugansk são cidades-chave ocupadas atualmente pelos terroristas, nas quais se encontram a maior parte dos terroristas e das armas. Sabemos que não será fácil libertá-las, mas tenho 100% de certeza de que a vitória está muito próxima”, declarou o ministro ucraniano da Defesa, Valeri Gueletei.

“Mas o mundo deve saber que a Rússia adota represálias. Nada os impede, somos alvos de tiros oito vezes ao dia a partir do território russo”, denunciou Gueletei.

Várias explosões eram ouvidas de maneira regular a partir de Marinka, na periferia sudoeste da cidade, de onde se elevavam colunas de fumaça. Os tiros de morteiro lançados durante toda a noite danificaram uma estação elétrica em um bairro de Donetsk próximo a Marinka, deixando sem eletricidade 50 prédios residenciais, afirma autoridades locais.

Civis em fuga
Donetsk está praticamente em estado de sítio, conforme informou a prefeitura na terça-feira. Tiros de artilharia foram ouvidos, o que provocou um movimento de fuga de civis.

O Estado-Maior pediu aos separatistas que respeitassem um cessar-fogo entre 10h e 14h para permitir a saída de civis. Kiev afirma que sua estratégia é isolar os insurgentes em Donetsk e Lugansk, não atacar a cidade, ante o risco de combates particularmente mortíferos.

Em Lugansk, a prefeitura, que advertiu no fim de semana sobre uma possível catástrofe humanitária, afirmou ser incapaz de oferecer um novo balanço, pois a energia elétrica e a rede de telefonia foram cortadas.

A ONU calcula em mais de 1.100 o número de pessoas mortas desde o início da ofensiva ucraniana.

Moscou anunciou que pelo menos 400 soldados ucranianos em missão no leste do país se renderam e foram admitidos em território russo. Mas um porta-voz ucraniano afirmou que os militares foram obrigados a seguir para um posto de fronteira russo em consequência dos combates.

Voo MH17 e sanções
Nesta semana, apesar dos confrontos, vários especialistas holandeses, australianos e, pela primeira vez, malaios, trabalhavam no local da queda do voo MH17 e procuravam por corpos e objetos pessoais.

A tragédia, que deixou 298 mortos em 17 de julho, provocou novas tensões internacionais e mais sanções ocidentais.

As forças ucranianas se comprometeram a não iniciar combates na área de destroços do avião da Malaysia Airlines, que está sob controle rebelde. Mas no restante do território separatista prossegue a ofensiva.

As sanções do Japão, dos EUA e da Europa contra a economia russa motivadas pela queda da aeronave atingiram, entre outros, a Dobrolet, a filial de baixo custo da Aeroflot, que voava para a península ucraniana da Crimeia (que a Rússia anexou em março). No domingo à noite a empresa anunciou os dois novos Boeing 737 permaneceriam no solo.

(Com informações da NHK News e das agências AFP e Kyodo) 

 


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