Política

Japão e Coreia do Sul concordam em melhorar as relações

O acordo envolve, principalmente, questões históricas envolvendo mulheres sul-coreanas, forçadas a trabalhar como escravas sexuais durante a guerra.

Do Mundo-Nipo com Agência Kyodo

Japão e Coreia do Sul concordaram neste sábado (9) que retomarão o diálogo em vários níveis, como parte dos esforços para melhorar as relações tensas por uma disputa territorial e diferentes percepções da história, principalmente as questões envolvendo o militarismo japonês durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Fumio Kishida e Yun Byung apertam as mãos durante um congresso asiático em Mianmar -09/08/2014 (Foto: Nozomi Matsui/AJW)

Fumio Kishida e Yun Byung se reuniram neste sábado, durante um congresso asiático em Mianmar (Foto: Nozomi Matsui/AJW)

 

O acordo aconteceu na reunião entre o ministro dos Negócios Estrangeiros, Fumio Kishida, e o ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Yun Byung, durante um congresso asiático na capital de Mianmar, Naypyitaw.

Falando a repórteres após a reunião, Kishida disse que o encontro deu esperanças de uma comunicação melhor entre os dois países e espera que o diálogo com sua contraparte leve a um encontro entre o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e a presidente sul-coreana, Park Geun Hye.

“Trocamos ideias de uma forma prospectiva para o avanço das relações Japão-Coreia do Sul”, disse Kishida, enfatizando que o “Japão [Shinzo Abe] anseia levar esta reunião a um alto nível político”.

Desde que assumiu o governo do Japão, em dezembro de 2012, Abe ainda não formalizou um encontro com Park, que tomou posse em fevereiro de 2013.

Na primeira reunião ministerial entre os dois países, em setembro passado, Kishida disse que ele o chanceler sul-coreano discutiram questão das chamadas “mulheres de conforto”, que foram forçadas a servir em bordéis no Japão durante os tempos de guerra, mas se recusou a fornecer detalhes, um sinal de que os dois lados podem ter permanecido em desacordo sobre a questão.

Seul tem enfatizado repetidamente que Tóquio tem de resolver a questão das mulheres de conforto de uma forma que seja agradável para as vítimas sobreviventes, incluindo um pedido de desculpas e indenização. O Japão, por sua vez, sustenta que a questão da compensação foi legalmente resolvida em um acordo assinado entre os dois países, em 1965, quando houve a normalização das relações diplomáticas.

Acredita-se que Kishida tenha conversado coma sua contraparte sobre a polêmica intenção do Japão em revisar a chamada Declaração de Kono, de 1993, na qual o governo japonês formalizou um pedido de desculpas “às mulheres forçadas a trabalhar como escravas sexuais durante a guerra, muitas delas coreanas e chinesas, conforme descreve o texto.

O governo sul-coreano criticou a revisão, afirmando que minou a sinceridade do pedido de desculpas como indicado pelo então chefe de gabinete Yohei Kono.

Na reunião deste sábado, parte da qual foi aberta para a mídia, Kishida expressa vontade de melhorar as relações bilaterais, dizendo: “Ainda existem questões difíceis [entre os dois países], e uma negociação positiva pode beneficiar ambos os lados.”

Yun disse que a visita de Abe em dezembro passado ao santuário Yasukuni, que homenageia os soldados japoneses mortos durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo militares condenados por crime de guerra, “afetou severamente as relações”, e instou o Japão a lidar seriamente com as questões históricas.

Kishida manifestou esperança de desenvolver relações mais amplas e de melhores perspectivas para o futuro, especialmente no próximo ano, que marca o 70º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial e o 50 º aniversário da normalização das relações diplomáticas entre as duas nações asiáticas.

== Kyodo (Tradução: Maria Rosa)

 


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