Política

Shinzo Abe, o retorno do “falcão”

Filho de uma das dinastias políticas mais famosas do Japão, o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe voltou à cena eleitoral.

Da agência EFE

Maribel Izcue.

Shinzo Abe (Foto: Wikimedia Commons)

Tóquio, 13 dez (EFE).- Filho de uma das dinastias políticas mais famosas do Japão, o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, que ocupou o cargo por um breve período entre 2006 e 2007, voltou à cena eleitoral cinco anos depois com seu velho discurso de construir um país forte.

As pesquisas indicam que as eleições de 16 de dezembro devolverão o poder a este político conservador de gestos refinados e aparente amabilidade, que esconde no entanto uma calculada determinação que lhe valeu o apelido de “falcão” na imprensa de seu país.

Abe, de 58 anos, se tornou o primeiro-ministro mais jovem desde a Segunda Guerra Mundial no Japão ao assumir o poder em setembro de 2006, quando acabava de completar 52, sucedendo o carismático Junichiro Koizumi.

Muitos pensavam então que este herdeiro de uma das grandes linhagens políticas japonesas seguiria um padrão à imagem e semelhança de Koizumi, cuja popularidade o manteve cinco anos no poder. No entanto, o governo de Abe apenas se manteve um ano de pé.

Sua popularidade se afundou em um rastro de escândalos de corrupção entre seus ministros e erros de gestão, embora talvez o episódio mais vergonhoso tenha sido a perda, por parte da administração pública, dos registros trabalhistas de 50 milhões de funcionários, que ficaram assim sem documentos para justificar suas pensões.

Em setembro de 2007, cabisbaixo e com sua liderança enfraquecida, anunciou sua renúncia dois meses após uma contundente derrota nas eleições para o Senado.

Shinzo Abe se manteve em um segundo plano até que, em setembro, voltou à tona ao ser eleito novo líder de seu partido, o liberal-democrata (PLD), que esteve no poder por mais de meio século até a arrasadora derrota eleitoral sofrida em 2009.

O político, que disse que o PLD aprendeu com aquele fracasso nas urnas, aposta em dar um ar mais contundente à diplomacia japonesa, aumentar a capacidade das Forças de Autodefesa (Exército) e avaliar o futuro da energia nuclear em um prazo de três anos.

No plano econômico, sua ideia é aplicar uma flexibilização monetária mais agressiva para sair da deflação.

Casado e sem filhos, Shinzo Abe é o continuador de uma saga que começou com seu avô, o ex-primeiro-ministro Nobusuke Kishi, detido como criminoso de guerra, embora depois perdoado.

Seu pai, Shintaro Abe, foi ministro das Relações Exteriores nos governos do carismático Yasuhiro Nakasone nos anos 80.

Formado em Ciências Políticas em 1977 pela Universidade Seikei, em Tóquio, completou seus estudos na Universidade do Sul da Califórnia (USC) antes de se integrar no mundo laboral em 1979 na siderúrgica Kobe Steel.

Três anos mais tarde, começou a se envolver em assuntos políticos como assessor de seu pai, que pouco depois se tornaria chanceler.

Em 1993, obteve uma cadeira de deputado do PLD pela província de Yamaguchi, e em 2000 começou a trabalhar no governo como porta-voz, cargo que manteve quando Koizumi subiu ao poder, em 2001.

Em 2003, chegou ao ponto mais alto de seu partido ao ser nomeado secretário-geral graças à proteção de uma das facções mais rígidas e poderosas da legenda.

Dois anos mais tarde, renovou sua cadeira na câmara baixa japonesa pela quinta vez consecutiva e viu correspondido seu apoio incondicional às reformas de Koizumi com sua continuidade como porta-voz do gabinete, até sucedê-lo em 2006 à frente do governo.

Agora a lembrança de seu breve e tortuoso mandato ficou para trás, e neste pleito seu discurso tradicionalista e patriótico pode lhe bastar para se impor com comodidade à atual legenda governista, o Partido Democrático (PD), que está mal nas pesquisas.

Sua retórica nacionalista acendeu a polêmica sobre o passado, ao duvidar, por exemplo, que o exército imperial japonês utilizasse escravas sexuais na China e na Coreia do Sul, algo pelo qual depois se desculpou no Parlamento.

Durante sua campanha, Abe anunciou que não descarta uma reforma educativa orientada a “amar a pátria”, que segundo seus críticos poderia incluir uma revisão dos livros escolares e “maquiar” os crimes do exército imperial até meados do século XX, o que ameaçaria enfurecer influentes vizinhos como chineses e sul-coreanos. EFE

 

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