Política

Park Geun-hye, a primeira mulher presidente da Coreia do Sul

A conservadora Park Geun-hye viu recompensado nesta quarta-feira seu empenho para se transformar na primeira mulher que presidirá a Coreia do Sul.

Da agência EFE

Atahualpa Amerise.

Park Geun-hye (Foto: reprodução Yonhap)

Seul, 19 dez (EFE).- A conservadora Park Geun-hye viu recompensado nesta quarta-feira seu empenho para se transformar na primeira mulher que presidirá a Coreia do Sul, após vencer no pleito seu rival do Partido Democrático Unido (PDU), o progressista Moon Jae-in.

Park, filha do falecido ditador Park Chung-hee, será a nova chefe de Estado de um país no qual os homens ocupam oito de cada dez cadeiras no Parlamento e também a imensa maioria de cargos diretores de instituições e empresas.

Esta mulher miúda, de 60 anos, solteira e sem filhos, se recupera assim de sua derrota em 2007 nas primárias contra o atual presidente, Lee Myung-bak, um companheiro de partido do qual nos últimos anos se distanciou ao alinhar-se com deputados dissidentes e opor-se a várias iniciativas estatais.

A promessa de Park de uma melhor distribuição da riqueza e de uma maior aproximação a Coreia do Norte, assim como a lembrança de seu pai, artífice de uma ditadura que iluminou o milagre econômico sul-coreano entre 1963 e 1979, parecem ter convencido a maioria dos sul-coreanos nestas eleições.

O que não impediu que uma parte do eleitorado, em boa parte jovens afetados pela grande instabilidade e desejosos de um giro à esquerda, sigam vendo em Park Geun-hye, tradicionalmente apoiada pelos cidadãos de idade mais avançada, um reflexo do autoritarismo do regime de seu pai.

Isso apesar de a futura presidente ter chegado ao ponto de pedir perdão pelas violações de direitos humanos perpetradas durante a ditadura de seu progenitor e de ter prometido uma distribuição mais equitativa da riqueza, frente ao modelo de oligopólio dos grandes conglomerados herdado das políticas do falecido ditador.

Quanto à Coreia do Norte, Park procura abandonar a linha dura de Lee em favor do entendimento com o problemático vizinho comunista através de medidas como a criação de centros de cooperação em Seul e Pyongyang que facilitem uma comunicação direta entre os Governos.

No entanto, ainda resta ver a disposição neste sentido do regime stalinista norte-coreano, dado o péssimo histórico de relações bilaterais cada vez que a direita se impôs na Coreia do Sul.

A primeira governante sul-coreana, fã declarada da rainha Elizabeth I da Inglaterra, já tem experiência com seus vizinhos do Norte, após ter conseguido reunir-se em 2002 em Pyongyang como líder de um comitê parlamentar com o falecido ditador Kim Jong-il.

Park conseguiu vencer nas urnas apesar da sua fama de má oradora (alguns jornais a batizaram como “princesa do caderninho” porque raramente pronuncia um discurso sem lê-lo) e de uma rigidez de caráter considerada excessiva por seus críticos e atribuída por muitos aos duros episódios que viveu em sua juventude.

O primeiro foi o assassinato de sua mãe em Seul em 1974 (Park tinha 22 anos e acabava de se formar em engenharia elétrica) pelas mãos de um norte-coreano de origem japonesa.

Este fato a obrigou a assumir o papel de primeira-dama do regime durante cinco anos até 1979, ano em que seu pai foi assassinado pelo seu próprio chefe de Inteligência.

A hoje líder do partido Saenuri ficou afastada da vida pública até ocupar uma cadeira no Parlamento em 1998, e a partir de então começou sua escalada nas fileiras conservadoras.

Suas quatro legislaturas a transformaram em uma veterana política que hoje finalmente viu culminada sua ascensão, em eleições históricas que a transformaram na primeira mulher que ocupará a presidência da quarta maior economia da Ásia. EFE

 

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