Sociedade

Indiano condenado à morte por estupro culpa vítima por crime

Um dos condenados à morte pelo estupro coletivo e assassinato de uma estudante na índia, em 2012, não demonstrou remorso durante uma entrevista “assustadora”.

Do Mundo-Nipo

O indiano Mukesh Singh, um dos condenados à morte pelo estupro coletivo e assassinato de uma estudante no final de 2012, em Nova Délhi, não demonstrou remorso algum durante uma entrevista “assustadora”, acordada à cineasta britânica Leslee Udwin. A diretora do documentário explicou nesta terça-feira que o condenado “culpou a vítima”, afirmando que “ela não deveria estar fora de casa naquela hora da noite”

O crime, que chocou a Índia e o resto do mundo, ocorreu em 16 de dezembro de 2012. A estudante de fisioterapia morreu em decorrência dos ferimentos sofridos 13 dias após ter sido selvagemente atacada em um ônibus quando retornava do cinema com seu namorado.

Mukesh Singh é um dos cinco homens condenados por este crime bárbaro. “O que eu compreendi ao entrevistá-lo e o que achei mais assustador, foi a ideia e a maneira como ele vê as mulheres, que é extremamente chocante”, declarou Udwin a jornalistas.

“Ele não manifestou nenhum tipo de remorso, nem por um segundo durante as 16 horas (de entrevista). Muito pelo contrário. A atitude de Mukesh é dizer “Por que estão fazendo tanto caso pelo que aconteceu? Todo mundo faz isso”, acrescentou ao apresentar seu documentário na capital indiana.

Singh declarou ainda que a vítima não deveria “passear às nove da noite” e que uma “garota é muito mais responsável pelo estupro do que um garoto”.

O crime provocou forte comoção mundial e manifestações em massa na Índia contra a inação das autoridades e a impunidade dos agressores sexuais.

A agressão pôs em evidência o elevado nível de violência contra as mulheres na Índia e deu início a um endurecimento da lei contra a violência sexual.

O filme documentário “Indian’s Daughter” (Filha indiana, em tradução livre) deve ser exibido no domingo em Grã-Bretanha, Índia e outros cinco países.

Fontes: Agência France Presse (AFP) / Jornal The Telegraph.

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