Sociedade

Japão custeará despesas de sobreviventes da bomba que vivem no exterior

Apesar de já fornecer auxílio mensal, o Estado japonês foi sentenciado pela Justiça do país a cobrir gastos médicos de 4.200 sobreviventes que atualmente vivem em 33 países.

Do Mundo-Nipo com Agências

O Estado japonês foi sentenciado pelo Supremo Tribunal do país a cobrir os gastos médicos dos sobreviventes dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki que vivem no exterior, informou nesta quarta-feira a imprensa local.

Apesar de Japão já fornecer aos sobreviventes emigrados uma ajuda financeira mensal, dentro um programa de auxílio específico, o Supremo japonês emitiu uma decisão favorável aos sobreviventes e aos familiares das vítimas, que reivindicavam que seus direitos fossem equiparados aos dos ‘hibakusha’ que vivem no Japão – hibakusha é o termo usado no Japão para denominar os sobreviventes dos ataques nucleares ao país durante a Segunda Guerra Mundial.

Até o momento, o Estado japonês tinha se recusado a pagar pela assistência médica dos mais de 4 mil ‘hibakusha’ que vivem no exterior, devido às diferenças entre seu sistema nacional de saúde e o de outros países.

No entanto, a partir de agora, deverá cobrir todas as despesas médicas dessas pessoas como se as mesmas residissem no Japão, é o que determina a sentença emitida ontem pelo Supremo Tribunal e divulgada hoje pelo jornal “Nikkei”.

Essa decisão acontece depois do recurso apresentado em 2011 por um ‘hibakusha’ e pelos familiares de duas vítimas dos ataques atômicos, que reivindicavam que o Estado japonês arcasse com suas despesas de saúde na Coreia do Sul, país onde residem atualmente, conforme noticiou a agência EFE.

Por causa de disputas anteriores na Justiça, um tribunal de Osaka estabeleceu em 2002 que o Estado teria que pagar um auxílio mensal aos ‘hibakusha’ emigrados para custear suas despesas médicas, mas fixava um teto de US$ 2.500 anuais, um valor que era facilmente superado devido às necessidades dos sobreviventes de idade avançada.

A sentença de hoje afetará todas as decisões anteriores de tribunais japoneses que rejeitaram a cobertura total dos gastos de saúde, o que beneficiará aproximadamente 4.200 sobreviventes dos ataques atômicos que atualmente vivem em 33 países.

Bombardeios atômicos à Nagasaki e Hiroshima
No dia 15 de agosto deste ano, o mundo celebrou os 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. A data marcou a rendição incondicional do Japão em 1945, decisão tomada após aviões americanos lançar bombas atômicas nos dias 6 e 9 de agosto, do mesmo ano, sobre Hiroshima e Nagasaki, o que resultou na morte de 240 mil pessoas nas duas cidades.

De acordo com um levantamento feito em março do ano passado, o número total de sobreviventes dos bombardeios atômicos no Japão e em outros países era de 183.519, praticamente metade dos 372.264 que estavam vivos em 1980, e sua média de idade é, pela primeira vez, superior aos 80 anos.

Fontes: Agências EFE | Jornal Nikkei.

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