Sociedade

Princesa Masako deve viajar para a Holanda, será a 1ª viagem ao exterior em 11 anos

A Agência da Casa Imperial está fazendo os preparativos finais para a princesa Masako acompanhar o seu esposo, o príncipe Naruhito, na cerimônia de coroação de Willem-Alexander.

Do Mundo-Nipo

Princesa Masako e Naruhito (Foto: AFLO)

Princesa Masako e Naruhito (Foto: AFLO)

A Agência da Casa Imperial está fazendo os preparativos finais para Naruhito,  príncipe herdeiro do Japão, e sua esposa, a princesa Masako, assistirem a cerimônia de coroação de Willem-Alexander, no final deste mês, informou nesta quarta-feira a imprensa japonesa.

Segundo informações da agência Kyodo News, esta será a primeira viagem oficial da princesa ao exterior em 11 anos, desde 2002, quando o casal viajou para a Nova Zelândia e Austrália.

A princesa, que continua a receber tratamento de uma doença induzida pelo estresse, foi educada nos Estados Unidos, e, aparentemente, não conseguiu se adaptar à rígida tradição de uma das mais antigas monarquias do mundo. A casa imperial admitiu oficialmente em 2004 que Masako sofria de depressão.

A ex-diplomata, de 49 anos, se casou com o Naruhito em 1993, e em 2001 deu à luz uma menina, a princesa Aiko, em meio a fortes pressões para ter um filho homem, e manter a tradição sucessória japonesa.

No entanto, em 2006 a esposa do irmão mais novo de Naruhito, o príncipe Akoshino, teve um filho homem, Hisahito, o primeiro príncipe a nascer na família imperial japonesa em 40 anos.

A agência está em fase de responder formalmente à Holanda que o casal real japonês será capaz de participar da coroação, marcada para 30 de abril.

Quando Willem-Alexander subir ao trono, ele será o primeiro rei da Holanda em 123 anos. Nesse período, o país só teve “rainhas” no comando, diferentemente da tradição sucessória japonesa, reservada somente ao sexo masculino ao “Trono do Crisântemo”.

Apesar do fato de ter havido anteriormente oito mulheres “Imperadoras” (termo usado quando uma mulher que herda o “Trono Imperial”, diferente de Imperatriz, que é a consorte do Imperador), todas o foram por um breve período e sempre em caráter de urgência.

Entretanto, após uma lei promulgada pela Agência da Casa Imperial e pelo Conselho Privado, mulheres têm sido proibidas de imperar desde o final do século XIX.

Pressões internacionais para que o “primogênito” seja declarado herdeiro do trono, independente de seu sexo, têm levado a uma profunda discussão de valores tradicionais na sociedade japonesa.

Nos últimos 40 anos nasceram somente “princesas” na família imperial japonesa, e mesmo depois de a princesa Aiko ter ganhado um primo, que se tornou o segundo na linha de sucessão, com muitos ainda defendendo a possibilidade de Aiko se tornar a primeira “Imperadora de fato”, por ser a primogênita do príncipe herdeiro.

Princesa Aiko com os pais (Foto: Buhisoku)

Princesa Aiko com os pais (Foto: Buhisoku)

Quando Hisahito nasceu, em 6 de setembro de 2006, estranhos sentimentos de alívio e frustração tomaram conta do Japão. O menino aliviava o país da pressão de precisar alterar sua lei de sucessão ao trono, que data de 1947, para permitir que Aiko, a única filha do príncipe herdeiro Naruhito, ascendesse ao trono do Crisântemo. O Parlamento abandonou o projeto de alterar a lei de sucessão em favor de Aiko, e o espírito foi o de manter as coisas como estavam.

Segundo o professor Masato Ninomiya, doutor em direito internacional, antes de Hisahito vir ao mundo, a aprovação do projeto era tida como “certa”.

Ninomiya é defensor da mudança. Para ele, a lei de sucessão imperial em vigor “tem forte dose de inconstitucionalidade”. Ele afirma que a Constituição, posterior à 2ª Guerra Mundial, fala claramente em igualdade entre os sexos.

O artigo 14 afirma que “todas as pessoas são iguais perante a lei” e que não deve haver “discriminação em relações políticas, econômicas ou sociais devido a raça, credo, sexo, status social ou origem familiar”. O artigo 24 também faz referência à questão, afirmando que as leis relacionadas ao casamento devem ser “decretadas a partir do ponto de vista da dignidade individual e da essencial igualdade dos sexos”.

Haveria, portanto, bons argumentos para alterar a lei de sucessão. O professor da USP diz que, em 1984, a lei de nacionalidade foi alterada sob um argumento similar, estabelecendo que apenas filhos de homens japoneses “seriam japoneses”, mas de mulheres japonesas, não.

 

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