Sociedade

Número de suicídios no Japão cai pelo 5º ano seguido, mas segue alto entre os jovens

Pessoas com idade até 40 anos representam 26% do total de suicídios no Japão em 2014.

Do Mundo-Nipo com Agência Kyodo

O número de suicídios no Japão caiu pelo quinto ano consecutivo em 2014, mas a margem de declínio no número de suicídios cometidos por pessoas com idade até 40 anos foi relativamente pequeno, informou o governo em um relatório divulgado nesta segunda-feira (22), sinalizando que o “problema continua afetando gravemente a geração de jovens no país”.

De acordo com o Livro Branco do Japão sobre medidas de prevenção ao suicídio, o número de pessoas que tiraram suas vidas em 2014 recuou 6,8% em relação ao ano anterior, para 25.427 casos registrados no ano passado, o que representa um declínio de 1.856 ante 2013. Trata-se do terceiro ano consecutivo que o número fica abaixo dos 30 mil.

Do total de suicídios registrados no ano passado, 68% foram cometidos por homens e 32% por mulheres. Problemas com a saúde foram citados como principais causas, representando 12.920 do total, seguido por problemas financeiros e familiares.

Apesar da queda significativa, o governo salientou que a diminuição de suicídios cometidos por pessoas com idade até 40 anos foi pequena, situando-se em 6.581, ou seja, 26% do total. A maioria dos suicídios cometidos por essas de ocorre por volta da meia-noite. Por outro lado, os suicídios entre jovens com idade até 18 anos se concentram em torno do início de abril e começo de setembro, exatamente durante o período escolar.

Observando a tendência, o relatório ressalta que as escolas, as comunidades e os membros da família precisam monitorar cuidadosamente qualquer mudança no comportamento das crianças durante esse período.

Relatório anual da Agência Nacional de Polícia (ANP) do Japão sobre índice de suicídios
Das 47 Prefeituras do Japão, Tóquio, a mais povoada do país, foi de novo a que teve o maior número de mortes deste tipo, registrando 2,636 suicídios em 2014, de acordo com os dados da ANP, divulgados em março deste ano.

Já a província de Fukushima, gravemente afetada pelo terremoto e tsunami de há quatro anos e a crise nuclear resultante, registrou um número menor de mortes em relação a 2013, queda de 0,9%. Apesar da queda, Fukushima voltou a superar os mil, registrando 1.083. Além disso, foi a nona prefeitura por volume de suicídios.

A Agência publicou também dados sobre suicídios cujas causas e motivos considera ligados ao “impacto direto” do tsunami e do acidente nuclear. Em 2014, a polícia japonesa teve registro de 22 falecimentos deste tipo, 42% a menos que no ano anterior e 60% a menos que no ano da catástrofe.

Segundo os últimos dados relacionados com o desastre nuclear, que completou quatro anos em março deste ano, mais de 70 mil pessoas que viviam junto à usina de Fukushima seguem sem poder retornar a suas casas pelos altos índices de radiação.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre suicídios
Segundo a OMS, o Japão, um país com cerca de 126 milhões de habitantes, está entre os 10 com a taxa de suicídio mais elevadas, o que significa que há 20,7 suicídios ao ano por cada 100 mil japoneses. Além disso, a terceira economia do mundo é, depois da vizinha Coreia do Sul, o segundo com maior taxa dos membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

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