Sociedade Tecnologia

Japão sobe 6 posições em ranking global de acesso à tecnologia da informação

Japão aparece pela primeira vez no top 10 do ranking 2015, enquanto o Brasil despencou 15 posições.

Do Mundo-Nipo

O Japão segue em ascensão no uso da tecnologia da informação e comunicação (TIC), subindo seis posições no estudo que mede a capacidade de uma nação em aproveitar totalmente a TIC para estimular a competitividade e o bem-estar. Elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, o Global Information Technology Report 2015 (Relatório Global sobre Tecnologia da Informação 2015) envolve dados de 143 países em relação a uma série de fatores ligados ao uso da tecnologia da informação por governos, empresas, pessoas, ambiente de negócios, inovação, cenário político e impactos econômicos e sociais.

Divulgado este mês, o ranking 2015 mostra Singapura passando a Finlândia, que caiu para o segundo lugar após anos ocupando o topo, enquanto a Suécia se manteve na terceira posição.

Embora os primeiros lugares continuem parecidos com a edição anterior, há estreantes entre os 10 mais, com destaque para países europeus e asiáticos.

Japão é o país que mais cresceu entre os desenvolvidos, figurando pela primeira vez no top 10 do ranking ao saltar 6 posições em um ano. Além disso, o país da tecnologia e terceira economia do mundo já havia subido 5 posições no ranking anterior, o que representa um salto de 11 posições em apenas dois anos. Neste ano, Japão também deixou para trás a Coreia do Sul (12º), país com a internet mais veloz do mundo.

Enquanto isso, o Brasil despencou 15 posições, caindo de 69º para o 84º lugar. Entre os BRICS, só a Índia está pior, no 89º lugar. A China ficou em 62º e a Rússia em 42º. Na América Latina, Brasil ficou atrás de Chile (38º) e Uruguai (46º), mas na frente de Peru (90º) e Argentina (91º).

Compilado desde 2001, o estudo do Fórum Econômico é baseado em 10 pilares, que são divididos entre ambiente (regulatório/político e de negócios/inovação), prontidão tecnológica (infraestrutura, preços e competências), uso (por governos, indivíduos e empresas) e impactos (econômicos e sociais).

Veja a seguir o top 10, com alguns destaques e pontos de atenção em cada um dos países (incluindo os dados do Brasil):

1. Singapura
Singapura passou a Finlândia e lidera o ranking em 2015. O país tem o melhor ambiente do mundo para negócios e inovação e mais da metade da população está em empregos intensivos em conhecimento (atrás apenas de Luxemburgo).

O país lidera em penetração de assinaturas de banda larga móvel per capita, mas curiosamente, “apenas” 75% da população faz uso regular da internet, abaixo dos líderes Islândia, Noruega e Suíça.

2. Finlândia
Após dois anos no topo, a Finlândia perdeu a liderança no ranking do Fórum graças principalmente a uma piora na entrega de serviços online pelo governo.

A notícia vem no mesmo dia em que sua empresa mais valiosa, a Nokia, anunciou a compra da rival americana Alcatel-Lucent por US$ 16 bilhões.

A Finlândia é primeiro lugar mundial em habilidades dos seus trabalhadores e passou o Japão como o país com maior número de patentes per capita.

3. Suécia
“O ambiente político e de negócios da Suécia continua um dos melhores do mundo, apesar de um pequeno declínio”, diz o relatório do Fórum.

95% dos suecos usam a internet regularmente e quase metade da população do país está em empregos intensivos em conhecimento. Uma excelente infraestrutura tecnológica e um acesso relativamente barato também contam a favor.

4. Holanda
A Holanda manteve a 4ª posição graças a fatores como um bom ambiente regulatório e alto uso de internet no contato entre negócios e entre negócios e consumidores.

Um ponto fraco do país é o preço de acesso: nesse quesito, o país amarga a 72ª posição mundial, o que leva a um número relativamente baixo de assinaturas de banda larga mobile.

5. Noruega
A Noruega tem a melhor infraestrutura digital do planeta e a coloca para bom uso. O país é 6º lugar mundial em uso efetivo destes recursos para acesso a serviços básicos e 3º lugar no uso do digital na educação.

O país só perde para a Islândia em acesso a internet (95%, empatado com a Suécia) e metade dos seus empregos são intensivos em conhecimento.

6. Suíça
A Suíça é “uma das usinas de inovação mais prolíficas do mundo”, de acordo com o relatório, o que pode ser visto no destaque mundial de empresas do país em setores muito diferentes. Alguns exemplos: Nestlé (alimentício), Novartis (farmacêutico) e Credit Suisse (financeiro).

Líder mundial em assinaturas de banda larga fixa per capita, a Suíça só fica para trás no quesito “serviços digitais do governo”, onde tem a pior nota de todas as economias desenvolvidas.

7. Estados Unidos
O berço de Microsoft, Google e Facebook tem uma das melhores infraestruturas digitais do mundo (4º lugar mundial) e o uso das tecnologias de informação é generalizado entre governo, população e empresas.

Apesar de alguns problemas, como custo de acesso, os Estados Unidos são os melhores exemplos de como “uma economia grande e avançada pode investir para alavancar a promessa da tecnologia da informação”, diz o relatório.

8. Reino Unido
O Reino Unido subiu um degrau em 2015 e tomou o lugar de Hong Kong, que caiu 6 posições. Contam a favor dos britânicos uma excelente infraestrutura, um custo razoável de acesso e o alto uso pela população.

O relatório destaca que as empresas do país estão “mostrando o caminho” com a liderança mundial na interação digital entre negócios e consumidores.

9. Luxemburgo
A pequena nação de apenas meio milhão de habitantes é mais conhecida como paraíso fiscal, mas tem se esforçado para se destacar também como pólo tecnológico.

Não é por acaso que o país subiu 12 posições no ranking em 3 anos – um feito nada desprezível tão perto do topo.

Nenhum país tem uma proporção tão grande de empregos intensivos em conhecimento (60%) como Luxemburgo, mas o custo de acesso ainda é alto demais e há espaço para melhorar coisas como os serviços online do governo.

10. Japão
O Japão subiu 6 posições em apenas um ano e aparece pela primeira vez no top 10 do ranking.

A vantagem do país é que a população gosta de tecnologia: “9 em 10 usam a internet regularmente, quase todo celular é smartphone e o número de assinaturas de banda larga móvel per capita é terceiro lugar mundial”, diz o relatório.

Por outro lado, isso não tem causado o impacto esperado na economia. A chave para entender este fenômeno pode estar na cultura, relativamente mais hierárquica, patriarcal e avessa ao risco.

84. Brasil
O Brasil teve uma das maiores quedas da edição 2015 do relatório, caindo 15 posições, de 69º para o 84º lugar, logo atrás de Tunísia, Jamaica e Ruanda.

Contra o país consta itens como o número de dias e procedimentos necessários para garantir um contrato ou começar um negócio, além de impostos altos e a baixa qualidade do sistema educacional.

“O governo falhou em fazer das tecnologias de informação uma força central na sua estratégia de desenvolvimento (106º lugar nesse quesito). Consequentemente, os benefícios econômicos e sociais das tecnologias de informação continuam muito limitados (76º neste ranking)”, diz o relatório.

Como pontos positivos, é possível destacar a melhora de 14 posições no ambiente de negócios e de inovação (agora no 121º lugar mundial) e o número relativamente alto de assinaturas de celular e de pessoas usando a internet e redes sociais.

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