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Airbnb é obrigada a suspender anúncios no Japão

Aplicativo Airbnb | Foto: Reprodução / Thomas Trutschel

Governo japonês criou rigorosas leis que regem o setor de compartilhamento de residências no país.

A Airbnb, plataforma de serviço de hospedagem de nível global, se viu obrigada a suspender grande maioria de seus anúncios no Japão por ordem dos órgãos reguladores locais, em antecipação a uma nova lei para supervisionar a atividade que entrará em vigor na próxima semana.

A startup prometeu compensar os viajantes abandonados bem no auge da temporada turística do verão japonês. Segundo a agência de notícias norte-americana “Bloomberg”, a Airbnb avisou os anfitriões que excluiriam aqueles que não tivessem se cadastrado nas agências locais para receber licença, conforme exigido pelas novas e rigorosas regras que regem o setor de compartilhamento de residências, que entrará em vigor em 15 de junho.

O órgão de turismo do Japão, no entanto, notificou os serviços de compartilhamento de residências em 1º de junho que eles precisariam cancelar as reservas feitas para os anúncios não registrados — duas semanas antes do prazo final. A decisão surpreendeu o Airbnb, que planeja começar a notificar milhares de visitantes sobre os cancelamentos, disse Mike Orgill, diretor de políticas públicas da empresa para a região Ásia-Pacífico.

O Airbnb criou um fundo de US$ 10 milhões para cobrir as despesas adicionais dos hóspedes afetados e pretende oferecer reembolsos completos e cupons no valor das reservas deles.

Além disso, a companhia desativou todos os anúncios japoneses que não haviam concluído o cadastro no governo, disse Orgill, que preferiu não dar detalhes. O jornal Nikkei noticiou que os anúncios de todo o país haviam caído quase 80%, para apenas 13.800.

A plataforma havia comemorado a regulamentação, que legitimou o compartilhamento de residências no Japão, um dos mercados de mais rápido crescimento da empresa.

Criadas para trazer clareza para uma área jurídica indefinida e para equilibrar o mercado para os hotéis, as regras limitam a estadia em residências particulares a 180 noites e exigem que os anfitriões se cadastrem perante os governos locais.

Porém, algumas prefeituras aplicaram ainda mais restrições e aumentaram as dificuldades para os anfitriões que buscavam operar legitimamente.

O distrito de Shinjuku, na região central de Tóquio, por exemplo, proíbe alojamentos em áreas residenciais durante a semana.

Nos últimos meses, os anfitriões do Japão receberam e-mails do Airbnb solicitando que se cadastrassem perante as autoridades locais. A empresa inclusive criou um website para orientar os usuários durante o processo.

“Aqueles que não conseguirem aprovação serão removidos assim que a nova lei entrar em vigor”, em 15 de junho, alertou a empresa.

Avaliado em US$ 29 bilhões pela CB Insights, o Airbnb conta com o Japão e a China para turbinar seu crescimento a longo prazo na região. A startup está cortejando aqueles que viajam para estes países ou dentro deles com excursões e serviços locais, e também explora novas áreas, como o turismo de luxo e as passagens aéreas.

O Japão, por sua vez, deseja que o turismo ajude a impulsionar uma economia em declínio. Mais de 26 milhões de turistas visitaram o Japão em 2017, superando o recorde pelo quinto ano consecutivo, de acordo com a organização de turismo do país. Esse número provavelmente aumentará à medida que o Japão se prepara para sediar a Copa do Mundo de Rugby em 2019 e, principalmente, os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

“Estamos bastante confiantes de que vamos voltar a crescer no Japão””, disse Orgill, que já havia trabalhado como líder de políticas públicas para o Google em Cingapura.

*Veja a matéria original da Agência Bloomberg (em inglês).

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