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Bailarino Tadashi Endo faz suas últimas apresentações no Rio

Tadashi Endo no espetáculo solo Fukushima mon amour (Foto- Reprodução/MN/YouTube)

O coreógrafo e bailarino japonês é atração principal da 6ª edição do festival Cena Brasil Internacional.

O coreógrafo e bailarino japonês Tadashi Endo é a principal atração da sexta edição do festival Cena Brasil Internacional, que teve início no dia 31 de maio e fica em cartaz até 11 de junho, este domingo, no Centro Cultural Banco do Brasil e na Praça dos Correios.

Vindo de um país de tradições milenares, Tadashi Endo é mestre de uma tradição moderna, surgida no Japão como reação à Segunda Guerra: o butô, criado nos anos 1950 e cujos movimentos, lentos, concentrados, remetem aos horrores do conflito

Em plena atividade aos 69 anos (ele completa 70 em 31 de agosto), Endo é altivo em seu desejo de tocar a alma das pessoas.

Dos dez espetáculos selecionados pelo evento, três são de Tadashi Endo, numa espécie de celebração de sua relação de mais de uma década com o Brasil. Endo vem se apresentando no país e promovendo oficinas para grupos brasileiros há cerca de 15 anos. Desta vez, o bailarino radicado na Alemanha aproveitou a vinda ao festival para uma turnê por outras cinco cidades (Paraty, São Paulo, Campinas, Goiânia e Florianópolis), celebrando sobre o palco as sete décadas de vida.

“Para realizar o festival, ficamos atentos a tudo o que acontece na cena nacional e internacional durante o ano inteiro, e tentamos adequar as agendas de artistas e companhias às possibilidades do evento. Tadashi Endo era um dos nomes que já estava no nosso radar há muito tempo, e este ano surgiu a oportunidade de trazê-lo, justamente na comemoração de seus 70 anos”, destacou Sérgio Saboya pouco antes do início do festival em maio.

Saboya é idealizador e diretor do festival e assina a curadoria com o diretor Luiz Felipe Reis, que é dramaturgo e repórter do “GLOBO”.

Como o Endo tem um representante no Brasil, foi possível negociar sua ida a outras cidades, que seria o ideal para todos os artistas e grupos internacionais que vêm ao festival. Muitos ficam só no Rio, enquanto poderiam viajar para vários locais, se esta rede de produtores fosse mais estruturada, explicou Saboya.

As três coreografias apresentadas no Rio fazem um panorama de seus mais de 40 anos de carreira: “MA”, de 1991, seu primeiro solo; “Fukushima mon amour”, de 2012; e o inédito “Maboroshi”, que estreou em janeiro deste ano na Alemanha. Em japonês, o título do solo quer dizer “seres sem forma”, e a coreografia retoma alguns de seus principais temas, como a morte e a finitude.

Dentro da programação do Cena Brasil Internacional no Rio, Tadashi Endo apresentou “MA” (nos dias 5 e 6 de junho) e “Maboroshi” (nos dias 8 e 9). Já a obra “Fukushima mon amour” será apresentada neste sábado (10) e no domingo (11).

Demonstrando invejável fôlego, o coreógrafo e bailarino também vai ministrar a palestra “Butoh Ma” neste sábado (10), das 14h às 17h no CCBB Sala 26. Depois, às 19h, ele subirá ao palco do CCBB Teatro 1 para apresentar seu solo “Fukushima mon amour”.

No domingo (11), Endo estará novamente no CCBB Sala 26, mas ministrando workshop de “Butoh Ma”, das 14h às 16h. A performance solo “Fukushima mon amour” acontece às 19h no mesmo CCBB Teatro 1, no que será a última apresentação do talentoso artista japonês na sexta edição do Cena Brasil Internacional.

O solo “Fukushima mon amour” foi criado a partir do impacto gerado pela tsunami e o acidente atômico de Fukushima, no nordeste do Japão, em março de 2011. Para compor a trilha sonora, Endo convidou o músico brasileiro Daniel Maia.

“Já havia trabalhado com o Daniel em “Ma be Ma” (homenagem ao pintor Manabu Mabe montada no Brasil em 2010), e ele passou um mês comigo na Alemanha para desenvolver a trilha”, conta o coreógrafo e bailarino, que dirige o Mamu Butoh Center, em Göttingen, na Alemanha.

“Quando houve o desastre em Fukushima, quis fazer algo para ajudar, de alguma forma. Queria que fosse um alerta vindo de pessoas comuns, que não são poderosas, nem políticos, nem ricos, sobre algo que não pode ser esquecido”.

“Quando penso que estou quase com 70 anos, me lembro de quando era mais jovem e como as pessoas com esta idade pareciam distantes de mim, jamais me imaginaria chegando tão longe. Na minha cabeça, permaneço como há 20 anos. Sei que o corpo e as habilidades mudam. Não posso fazer as mesmas coisas que fazia há 20, 30 anos. Mas gosto de pensar que algo dentro de mim mantém esse vigor”, observa Endo, para quem o butô, que conheceu por intermédio de um dos pais do estilo, Kazuo Ohno (1906-2010), vai muito além das performances no palco.

Além de Tadashi Endo, o Cena Brasil Internacional traz atrações da Itália (Verso la specie, da coreógrafa e diretora Claudia Castellucci, e “La vita ferma”, da dramaturga e diretora Lucia Calamaro) e da Alemanha (“The so-called outside means nothing to me”, texto de Sibylle Berg interpretado pelo grupo The Maxim Gorki Theatre). Uma programação que mantém a proposta de intercâmbio do festival, mesmo em tempos de crise e menos recursos disponíveis para a cultura.

Entre as produções brasileiras, o evento trouxe duas estreias nacionais (“Mortos-vivos: processo para uma ex-conferência”, do grupo Foguetes Maravilha, e “O abacaxi”), uma estreia no Rio (“Real”, do Grupo Espanca!, de Minas Gerais) e um espetáculo em processo (“Em criação: Trajetória sexual”, solo que encerra a “trilogia da perda” de Álamo Facó).

Serviço
Cena Brasil Internacional
Local: CCBB — Rua Primeiro de Março 66, Centro (3808-2020) e Praça dos Correios — Rua Visconde de Itaboraí 20, Centro.

*Confira o site oficial do Cena Brasil Internacional e fique por dentro das atrações (palestras, workshops, espetáculos) que serão apresentadas neste último final de semana do evento.

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