Cultura

Morre Nagisa Oshima, diretor de “O Império dos Sentidos”, aos 80 anos (ampliação)

Oshima é considerado um dos diretores mais ousados e também mais controvertidos do Japão.

Da agência EFE

Nagisa Oshima (direita) com o ator Ryuhei Matsuda (esquerda). (Foto: Rita Molnár)

Nagisa Oshima (direita) com o ator Ryuhei Matsuda (esquerda). (Foto: Rita Molnár)

(Ampliação)

Tóquio, 15 jan (EFE).- O cineasta japonês Nagisa Oshima, diretor de filmes como “O Império dos Sentidos” e “Furyo, em Nome da Honra”, morreu aos 80 anos em um hospital de Kanagawa, ao sul de Tóquio, por causa de uma pneumonia, informou nesta terça-feira a rede de TV pública “NHK”.

Considerado um dos diretores mais ousados e também mais controvertidos do Japão, Oshima foi nos anos 1960 um dos autores emblemáticos da chamada “nova onda” japonesa, e nas décadas posteriores se tornou um dos nomes de maior projeção do cinema de seu país.

O cineasta era casado com a atriz Akiko Koyama, que o acompanhava no momento de sua morte hoje às 15h25 (horário local, 4h25 em Brasília) no hospital de Fujisawa, em Kanagawa, segundo a “NHK”.

Oshima tinha sofrido uma hemorragia cerebral em 1996 que lhe causou uma paralisia e o obrigou a seguir uma longa reabilitação, embora em 1999 tenha voltado à direção com o filme “Tabu”, seu último longa-metragem.

Nascido em Okayama em março de 1932, Nagisa Oshima estudou Direito na Universidade de Kioto, onde se destacou por seu ativismo de esquerda e desenvolveu seu gosto pela literatura e pelo teatro.

Ao concluir seus estudos, entrou para uma produtora local, mas poucos anos depois, desencantado, criou sua própria companhia, que fracassaria comercialmente e o obrigaria a trabalhar para a televisão.

Nos anos 60 se consolidou como uma das figuras mais críticas da sociedade e da política de seu tempo, que denunciava em filmes que frequentemente tinham como protagonistas personagens rebeldes ou criminosos.

“O Império dos Sentidos” (1976) o consagrou em nível internacional. O filme, com um forte conteúdo sexual, foi censurado no Japão e rejeitado no Festival de Cinema de Nova York, mas obteve o Prêmio Internacional do Festival de Cinema de Cannes e um amplo reconhecimento internacional.

As obras do cineasta japonês foram objeto de homenagem em vários certames, entre eles o Festival de Internacional de Cinema de San Sebastián, que em novembro do ano passado anunciou que em sua próxima edição Oshima será objeto de uma retrospectiva que reunirá todos seus longas-metragens para o cinema. EFE

 

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